Alguns números sobre o ensino remoto nas comunidades da Barra da Cega, Jacutinga e Córrego da Areia

Por Izabela Pilar Alves Ferreira [1]

 

Trago aqui resultados de pesquisa de cunho quantitativo executada por meio de um questionário contendo 37 perguntas fechadas e uma aberta. Responderam as interrogativas quatro alunos do ensino médio da Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira, e que residem nas comunidades da Barra da Cega, Córrego da Areia e Jacutinga. Nessas três comunidades as famílias sobrevivem da pequena agriculta familiar de subsistência.

A proposta do trabalho em questão é expor algumas realidades de ensino e aprendizagem desses alunos em meio à pandemia, salientando também suas condições socioeconômicas e educacionais, suas condições escolares e sua percepção sobre o Regime Especial de Atividades Não Presenciais (REANP).

A escola Estadual Professor Leopoldo Pereira é considerada nucleada rural, ou seja, possui uma sede, onde fica localizada a direção, que fica localizada em Milho Verde, um distrito de Serro, interior do estado de Minas Gerais, e outros núcleos (prédios físicos diferentes da sede). Esses núcleos estão presentes em 14 comunidades, entre elas estão as citadas Barra da Cega que fica localizada a 3 km da escola, Córrego da Areia a 11 km e Jacutinga, situada a 16 km.

O estudo foi realizado com alunos do sexo feminino e masculino com idades entre 15 e 18 anos que cursam o primeiro e segundo ano do ensino médio. Mediante tal investigação, fica perceptível que o perfil familiar é de baixa renda, pois todas recebem auxílios financeiros do governo. As famílias são numerosas, 100% delas possuem 5 ou mais integrantes. Com relação ao grau de escolaridade dos pais, 100% dos pais e das mães não terminaram o nível fundamental, o que coloca esse grupo familiar em condições escolares limitadas.

Os alunos das comunidades em estudo possuem celular e internet com cobertura 4G, 50% dos alunos afirmaram que o sinal é instável e a maioria, 70%, relatou que não consegue assistir a vídeos, como as videoaulas disponibilizadas nos planos de ensino que devem cumprir semanalmente. Outros 40% também mencionaram que precisam dividir o uso do celular com outros familiares para fins estudantis. Nas três localidades os alunos, em sua maioria, 60%, acessam a internet de 21 a 30 dias no mês.  Na Barra da Cega 50% dos alunos contam com a ajuda dos pais nas atividades escolares e 50% não. Na Jacutinga e no Córrego da Areia 100% dos alunos afirmaram que não contam com a assistência dos pais, pois não têm domínio dos conteúdos.

Os estudantes alegam que utilizam entre 1 e 10 horas para estudar por semana. Desses, 40% usam como ferramentas de estudo vídeos diversos – que encontram com pesquisa – do Youtube, ou vídeos oficiais do programa Se Liga na Educação, também disponíveis no Youtube, que é parte do Estudo no Regime de Estudo Não-Presencial (REANP). Além disso, todos declaram que neste ano de 2021 a escola e os professores têm utilizado ferramentas de ensino remoto para se comunicar com maior assiduidade. Dentre essas, a utilizada com frequência maior é o WhatsApp, segundo 100% dos respondentes. Todos afirmaram que o e-mail e o aplicativo Conexão Escola 2.0 estão sendo menos utilizado, pois demandam uma internet com maior estabilidade no sinal.

Por último, respondendo sobre as principais dificuldades encontradas no ensino remoto em questão aberta, um dos entrevistados diz que a sua principal dificuldade é aprender por meio do aparelho celular, sobretudo pela necessidade de acessar os aparelhos celulares dos pais, que sempre estão fora de casa trabalhando. Além disso, nem sempre o celular tem recursos tecnológicos ou conectividade que suportem o recebimento e envio dos conteúdos pedagógicos.

A partir da entrevista, de maneira geral, conclui-se que para participar dessa nova escola, a família precisa de boas condições financeiras. Percebe-se que esses estudantes são dependentes de tecnologias caras e até inexistentes na região, como internet a cabo. Sendo assim, as más condições sociais que o indivíduo vive influenciam negativamente na sua aprendizagem escolar e aprofundam as desigualdades de maneira geral.

[1] Izabela é estudante da Licenciatura em Educação do Campo (LEC), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Esta pesquisa foi supervisionada pelo professor Vítor Sousa Dittz, da Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira, e orientada pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, da UFVJM, no âmbito do PIBID-UFVJM.

Agradecimentos aos estudantes-sujeitos e suas famílias, bem como ao diretor da E. E. Professor Leopoldo Pereira, o professor Maycon Souza.

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