Leitura e escrita na minha vida

Leitura e escrita na minha vida

Por Wesley Rodrigues de Almeida [1]



Comecei a estudar com 5 anos de idade, numa escola municipal chamada Casinha Feliz, em Taiobeiras/MG. Aos 6 anos, sabia escrever o meu nome. Aos 8, tinha uma pequena noção de valor do dinheiro e de soma e subtração de números. Quando criança, os meus pais me davam livros clássicos de literatura infantil (Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, A Bela e a Fera e outros) e histórias em quadrinhos. Era uma forma de estimular a leitura. Eu gostava dos meus livros e guardava-os muito bem para não estragar.

Lembro-me de alguns detalhes do Ensino Fundamental I: eu treinando as letras do alfabeto, aprendendo as sílabas e a juntá-las para formar palavras. Estudava bastante a tabuada para poder acertar no dia que a professora fizesse as perguntas. Começava assim o meu gosto pelos números. Recordo também do material dourado no ensino do sistema de numeração decimal. A minha mãe era quem geralmente me ajudava nas tarefas escolares. Com muita paciência e dedicação, ela estava sempre pronta a me ajudar.

Em relação ao Ensino Fundamental II, as professoras de Português costumavam solicitar a leitura de uns livros de literatura, os quais eram emprestados pela biblioteca escolar. Elas davam provas ou trabalhos sobre eles. No 9º ano consegui uma bolsa de estudos no Centro Educacional Beliza Corrêa em Taiobeiras. Foi principalmente com os professores da área de exatas dessa escola que aprendi a interligar os conteúdos matemáticos aprendidos na busca de solução para as questões de exercícios e provas, ou seja, o desenvolvimento do raciocínio lógico.

Durante o Ensino Médio li alguns livros para prestar vestibular e escrevi textos dissertativo-argumentativos. Agora, após mais de dez anos do término dessa etapa escolar, estou nos passos iniciais de uma jornada em busca da conclusão de um curso superior, a Licenciatura em Matemática. Assim, a minha noção de escrita e leitura foi aperfeiçoando ao longo do tempo através da escola e da minha família, mas sei que ainda tenho muito a aprender.



[1] Wesley Rodrigues de Almeida é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Minha reminiscência escrita

Minha reminiscência escrita

Por Wágner Gomes da Rocha [1]



 

“Oh! que saudades que eu tenho

Da aurora da minha vida,

Da minha infância querida.

Que os anos não trazem mais!”

 

(Casimiro de Abreu, 1859)

Tal qual o eu-lírico evoca as memórias de sua infância, assim recordo-me saudosamente das reminiscências de minha meninice para a escrita deste relato. Eu morava na zona rural, juntamente com minha família. Minha irmã mais velha estudava na escola do distrito mais próximo; meus pais, por sua vez, não tiveram a oportunidade de concluir o primário (Ensino Fundamental I) devido à necessidade de trabalhar na roça para ajudar suas famílias. Entretanto, meu pai sabia ler e escrever, ainda que pouco e com dificuldades. Na minha casa, eu não tinha acesso a livros literários. Os textos escritos presentes advinham dos livros didáticos que minha irmã utilizava na escola, da Bíblia, dos rótulos de alimentos e medicamentos, dos relógios, dos panfletos comerciais e das faturas de energia elétrica. Ademais, sempre gostamos muito de escutar o rádio. Ele era o nosso grande aliado para acesso às informações e notícias da região, e entretenimento, já que por ele escutávamos as narrações dos jogos de futebol – principalmente do Atlético Mineiro, do qual eu era torcedor.

Meu primeiro contato com as letras e números se deu antes de ingressar no jardim de infância, quando me reunia com minha irmã, meus primos e vizinhos e brincávamos de “escolinha”. Foi assim que conheci e aprendi as primeiras letras do alfabeto e números. Contudo, ainda não sabia ler nem escrever palavras. Em relação aos números, estes me foram apresentados principalmente pelo meu pai que, ao regressar para casa após as safras de cana de açúcar, sempre trazia moedas e me ensinava a contá-las, de modo que à medida que eu acertava, ele me concedia as moedas. Assim, aprendi a contar os números, somar e subtrair dinheiro, sendo este um exercício do qual eu sempre gostei e tive muita facilidade em aprender.

Ao ingressar na “pré-escola” (jardim de infância), eu já conhecia as letras e números. Todavia, foi lá onde aprendi a desvendar o mundo das palavras, onde aprendi a formar sílabas e palavras, escrevê-las e lê-las. Recordo-me que no pré-escolar eu já conseguia “tirar do quadro” as lições ensinadas pela professora que, diariamente, nos instruía a escrever um mesmo trecho com a única alternância da data do dia. Nesta altura eu já sabia ler e escrever palavras; e também sabia contar dinheiro e não apresentava dificuldades com os números.

 Posteriormente, ao ingressar no Ensino Fundamental, numa escola estadual, tive acesso a outros textos escritos por meio da biblioteca da escola, como gibis de “O Menino Maluquinho”, de Ziraldo, livros de poesias, dentre os quais recordei-me inicialmente do poema “Meus oito anos”, de Casimiro de Abreu, que a professora de Português levava para lermos, decorar e recitar, e “O Barquinho Amarelo”, de Iêda Dias da Silva, um dos primeiros livros literários que li e um dos mais conhecidos na minha escola, já que todas as crianças tinham que lê-lo por solicitação da professora. Eu não gostava muito de ler livros, mas sempre o fazia, já que todo ano ou bimestre a professora de Português nos pedia que lêssemos um livro, o apresentássemos à turma e fizéssemos uma resenha acerca do mesmo. Ao longo de todo meu ensino básico sempre gostei muito de matemática, de fazer cálculos, interpretar e desvendar problemas, usar o raciocínio lógico, e sempre tive facilidade com os mesmos, fato este que me guiou até a escolha do meu primeiro curso de graduação em Ciências Contábeis, onde imergi em outros tipos de textos, agora universitários e científicos, que construíram e moldaram meu aprendizado e me deram sede pelo aprendizado da matemática para, posteriormente, o ensino da mesma, o que me impulsionou a chegar até aqui.

Agora, ao reviver minhas memórias, noto a presença do letramento e do letramento matemático em minha vida e o modo como estes contribuíram para a construção do “Wágner” que sou hoje, desde o meu aprendizado até meus gostos, escolhas e anseios. Assim, emergem as lembranças “(…) que os anos não trazem mais”, como disse Casimiro de Abreu (1859). e projetam-se sonhos que se tornam cada dia mais reais.



[1] Wágner Gomes da Rocha é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

O início de um sonho

O início de um sonho

Por Viviane Soares Silva [1]



Comecei na vida escolar aos 7 anos de idade, em uma escola pequena em meu bairro. Foram momentos incríveis, desde as atividades em sala de aula, as músicas infantis cantadas e dançadas no pátio da escola, até o hino nacional nas segundas-feiras. Antes de entrar na escola, eu só tinha conto com textos escritos por meio de revistas de novelas e de signos, compradas pela minha tia.

No ano de 2007, passei para a 5ª série (hoje 6º ano). Como minha escola era pequena, fomos transferidos para a escola maior do bairro vizinho, onde estudei até me formar. Foram novos hábitos, novos colegas, professores, tudo novo. Lá conheci minhas melhores amigas, onde vivi anos inesquecíveis, pude presenciar a maldade e covardias decorrentes do tom de pele, ou espessura corporal, dentre outros motivos, os quais sempre terminavam em socos e pontapés.

No ano de 2014, aproximava-se o tão sonhado dia, o da nossa formatura do 3º ano do ensino médio. Trabalhamos o ano todo, vendendo rifas, bingos, caderno de ouro, todos com os mesmos objetivos, arrecadar dinheiro para a formatura. Fizemos várias festas para arrecadar dinheiro para quando chegasse o dia, para garantir que o dinheiro era suficiente para nossa festa. O tão sonhado dia foi 20/12/2014. Tivemos a missa de formatura, que foi muito linda, cm uma igreja impecável. O jantar de formatura foi na escola. Naquele momento vimos que todo esforço valeu a pena, que cada bingo, rifa, festas, tudo foi compensado.

Sete anos após a formatura do 3º ano, estou realizando o sonho de ingressar em uma universidade federal, a  UFVJM, para me tornar uma excelente profissional.



[1] Viviane Soares Silva é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Lembranças dos meus letramentos

Lembranças dos meus letramentos

Por Vânia Evangelista Fagundes Ribeiro [1]



Durante minha infância era muito comum o acesso a livros na minha casa, pois sou a filha mais nova de sete filhos. Então, sempre via meus irmãos estudando, fazendo lição de casa. Então, eu sempre estava atrás deles pedindo folhas para rabiscar, e sempre via minha mãe lendo a Bíblia e livros da igreja, por ela ser muito católica. Ela era presidente do grupo de legionárias e catequista.

Com isso, sempre se reunia com crianças e adolescentes uma vez na semana, na minha casa, para passar os ensinamentos bíblicos. Então, eu sempre via eles lendo, escrevendo, e ali estava eu, sempre grudada nela, a acompanhando nos encontros e na missa. Recordo-me bem que em casa sempre tinha os jornaizinhos da igreja, que minha mãe levava ao final de cada missa que assistia. Eu os folheava, mas não entendia nada, pois não sabia ler.

Lembro que quando era pequena minha mãe me presenteou com um kit de livrinhos de historinhas infantis, que veio acompanhado de um quebra-cabeça da Branca de Neve, que era o que eu mais gostava por ter as peças para ir montando, e tinha uma historinha por trás das peças. A presença da minha família nessa fase foi de muita importância me ensinando e esclarecendo minhas dúvidas.

Aos quatro anos de idade, minhas irmãs me ensinaram a contar até 50 e a conhecer as algumas letras. Sempre brincávamos de escolinha, onde minha irmã Vanessa era a professora e eu, aluna. Aos poucos, através dos meus rabiscos, fui aprendendo o alfabeto. Aos seis anos eu frequentei, pela primeira vez, a escola, onde iniciei na turminha do pré-escolar com a professora tia Cidinha (uma professora tão meiga), e através dos ensinamentos dela fui aprendendo a formar sílabas, palavras. Até aprendi a ler. E, nos anos seguintes, entre sete e oito anos, fui aprendendo a fazer pequenas contas de somar e subtrair. Muitos professores passaram na minha vida. Lembro também de uma professora chamada Terezinha, que incentivava bastante a leitura. Ela nos levava na biblioteca todas as semanas para pegar um livro para fazer um resumo e apresentar em sala, e eu sempre escolhia os mais coloridos e que tinham final feliz. E isso foi ampliando meu conhecimento de interpretação, leitura e escrita. Em 2010, iniciei o Ensino Médio na Escola Betânia Tolentino Silveira. O primeiro ano não foi tão legal, pois havia muitos alunos dentro de uma mesma sala, e isso acabou me desmotivando um pouco. Mas nos anos seguintes a turma foi dividida e o contato com textos mais complexos aumentou, e a professora de Português nos apresentou grandes obras, dentre elas “Iracema”, de José de Alencar.

Em 2012, conclui o Ensino Médio e logo fiz vestibular de Direito e Engenharia Civil, nos quais passei e decidi cursar Engenharia no início de 2013, na Faculdades Verde Norte, onde aprendi muitos cálculos, do básico ao estrutural, e pude melhorar minha escrita em diversos aspectos. Em 2022, decidi buscar novos conhecimentos. Então, fiz o vestibular para o curso de Licenciatura em Matemática da UFVJM, no qual acabei ingressando. Sinto-me muito feliz, pois mais um sonho foi realizado e nesse curso estou tendo a oportunidade de ampliar meus conhecimentos e futuramente me tornar uma grande educadora.



[1] Vânia Evangelista Fagundes Ribeiro é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Minhas lembranças

Minhas lembranças

Por Thauane de Sousa Costa [1]



 

Desde criança sempre tive contato com livros, sejam eles de histórias ou não. Lembro que o meu primeiro contato foi com uma Bíblia que tinha na minha casa, que era da minha mãe. E, desde então, ela sempre lia as histórias para mim. Quando eu ia para a casa da minha avó, ela sempre me motivava a ler a Bíblia e, com isso, fui começando a ler aos poucos.

Ainda antes de entrar para a escola, quando minhas irmãs estudavam, eu sempre pegava os livros e tentava ler os textos. Como meus pais não tinham tempo para me ensinar a ler e escrever, porque trabalhavam muito, minhas irmãs me davam livros de histórias, desenhos para colorir e de números básicos para eu ir aprendendo aos poucos.

Quando entrei para a escola, aos seis anos, eu já tinha o conhecimento do alfabeto, dos números e já sabia ler algumas coisas e somar o básico, pois eu vivia com livros nas mãos e sempre procurava saber e aprender as coisas novas sozinha. Com o tempo, fui me interessando ainda pelos livros, principalmente os de matemática, mas a minha caligrafia não era muito boa. Então, a minha professora, no Ensino Fundamental, me dava aula de reforço na casa dela para melhorar a escrita.

Com isso, todos os dias eu ia até a biblioteca pública da minha cidade e pegava diversos livros para ler em casa. Ainda no Ensino Fundamental comecei a fazer várias produções de texto, mas sempre tinha dificuldades de desenvolver os textos.

Lembro-me também que na escola tinha vários projetos de leitura e isso me motivava ainda mais a ler, mas sempre que chegava da escola de manhã, fazia a lição de casa e, logo em seguida, já ia até uma estante que tinha na minha casa, cheia de livros, e pegava os livros de matemática para resolver os problemas. Lembro que cheguei a responder 3 livros completos de matemática. E, desde então, quase não brincava com outras crianças, pois eu vivia focada nos livros.

Quando cheguei ao Ensino Médio, comecei a produzir redações. Tive contato com textos diferentes do Ensino Fundamental, porém não tinha mais o mesmo tempo de ler livros como na infância, pois comecei a trabalhar. E sempre tive o sonho de fazer um curso superior, até que, ao concluir o Ensino Médio, fiz, pela primeira vez, o ENEM e, através dele, consegui ingressar em uma faculdade para fazer o curso de Matemática. Porém, me deparei com textos diferentes, textos acadêmicos e, com isso, comecei a ter dificuldades, pois tinha perdido o hábito de ler como antes. Hoje, estou cursando Matemática na UFVJM, pois é uma área que eu amo e na qual sempre me dei bem na escola.



[1] Thauane de Sousa Costa é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Eu e a educação

Eu e a educação

Por Sandra Soares de Oliveira [1]



Na minha infância, com idade insuficiente para frequentar uma escola, era comum ver textos em livros em minha casa.  Meus irmãos mais velhos, que já frequentavam uma escola, tinham acesso ao livro didático, caderno de desenhos, lápis e outros objetos que a prefeitura disponibilizava aos alunos. Meus irmãos sempre me deixavam olhar, escolher a cor dos desenhos, mas não me deixavam pintar.

Na minha comunidade era muito comum a ter aulinha, nos finais de semana. Minha prima mais velha brincava de escolinha, usando giz e um quadro. Eu ganhava uma folha e um lápis bem pequeno para rabiscar e minha irmã me presenteava com um caderno. Aprendi a escrever meu nome antes mesmo de entrar para a escola. As aulas aconteciam na área de minha casa.

Quando completei seis anos de idade, comecei a frequentar a escola e ser alfabetizada, porém não foi uma fase fácil. Tive muito medo de ir só, perde ônibus ou motorista me esquecer, pois morava na zona rural, meus irmãos não estudavam na mesma escola. Sinceramente, em sala de aula, tive muitas dificuldades nos primeiros anos, pois sabia muito pouco nessa época. Aprendi por meio de histórias em quadrinhos, contos de fadas etc. Apesar de falar os números, não sabia reconhecer valores, por isso meus pais me davam moedas de centavos para comprar balas e me motivar a ir à escola. A professora mandava todos os últimos dias de aula da semana escolher livros e levá-los para casa para lermos no fim de semana. No início da semana, devíamos recontar o texto lido. Certamente isso ajudou-me a desenvolver a leitura. Durante as aulas, a professora sempre tomava a tabuada.  

Minha família foi a base nos meus anos iniciais. Minha mãe me ajudou muito na leitura. Meu pai não sabia ler, mas sabia contar. Isso foi o suficiente para eu passar de série no ensino fundamental. Dentre os livros mais usados nas séries iniciais do ensino fundamental, recordo de te lido umas duas ou mesmo três vezes, foi.” O patinho feio” da biblioteca da escola municipal. Com dez anos, mudei para uma escola estadual, onde a professora de português recomendava vários livros. Isso contribuiu para uma grande mudança na minha leitura e escrita.

Meu primeiro ano de faculdade apresentou mudanças positivas porque tive capacidade de entender o plano de ensino no curso ciências e tecnologia da UFVJM, entretanto senti dificuldades por que o mundo passava por uma pandemia.  Como meu curso era integral e de forma remota quase não tinha tempo para fazer nada, pois era preciso estudar muitos cálculos. Acredito que não aprendi o suficiente por esse motivo. Com o retorno das aulas presenciais, resolvi iniciar outra graduação EaD, em licenciatura em física. Hoje, estudo o primeiro período e muito feliz. Sei que sou capaz de administrar bem minha vida financeira e acadêmica.



[1] Sandra Soares de Oliveira é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Descobrindo o mundo das letras e dos números

Descobrindo o mundo das letras e dos números

Por Rafaela Paulino dos Santos [1]



 

Quando criança me lembro de sempre ver o meu pai lendo livros bíblicos, escrevendo em lições da escola sabatina, e minha mãe comumente lendo revistas. Lembro-me que às vezes eu olhava alguns gibis mesmo não sabendo ler ainda, e que eu tinha vários DVDs com histórias e músicas, eu gostava mais de assistir ao DVD do Patati Patatá, o cenário era sempre muito colorido, as músicas animadas e tinha várias histórias ao longo do DVD.

Não me recordo muito bem quando comecei a contar, só lembro que, quando aprendi, saía pela casa toda contando as coisas, foi como uma nova porta se abrindo para mim. Recordo-me que meus avós sempre davam moedas e dinheiro de papel para mim e para minha irmã, no dinheiro de papel sempre que eu via um número maior ou algum animal que comumente eu não ganhava, já sabia que o valor era maior. Quanto às moedas que ganhava eu gravava na mente que as moedas de 50 centavos e de 1 real valiam mais. Comecei a entender o valor do dinheiro, quando ia a mercearia comprar balas e salgadinhos e me explicavam o que daria para comprar com cada quantia de dinheiro.

Acho que comecei a somar e diminuir com 5 ou 6 anos, antes de entrar na escola. Com o decorrer do tempo os problemas matemáticos se tornaram mais fáceis. A escola e minha família foram fundamentais ao meu aprendizado de matemática, meu pai e meu avô tinham um bom conhecimento nessa área, eles me ensinavam de forma simples a como fazer contas e a escola me auxiliou muito também.

Antes de entrar na escola já conseguia escrever meu primeiro nome e o de alguns familiares, foi muito bom a experiência de perceber que eu conseguia escrever algumas coisas e ficava muito contente ao conseguir ler corretamente as palavras.  A escola foi bastante fundamental, sempre havia coisas para ler e escrever, isso deixava cada dia mais fácil e natural o aprendizado.

Lembro-me que havia um projeto na escola chamado “sacola mágica”, que consiste em sortear alguma pessoa da turma para “ganhá-la” e trazer na próxima semana textos sobre os livros lidos. Acho que foi a partir daí que tive mais contato com a leitura, ia à biblioteca da escola e pegava vários livros para ler, sempre fui uma pessoa muito curiosa e a literatura avivou isso ainda mais. No ensino fundamental, gostava muito de ler contos ou histórias em quadrinhos, no ensino médio gostava mais de ficção científica, crônicas e contos de terror. Normalmente na escola produzia mais redações ou textos críticos sobre alguns assuntos propostos.

Na escola nos anos iniciais do pré até o 6º ano havia uma salinha que ficavam os computadores e alguns livros em prateleiras, já na outra escola em que passei o restante dos meus anos escolares havia uma biblioteca com vários livros e projetos de incentivo à leitura.

Noto que nos primeiros anos na universidade tenho lido poucos livros, escrito coisas apenas relacionadas aos assuntos estudados e não mais livros de meu interesse. Mas que tenho escrito mais, seja textos acadêmicos, relatórios e coisas relacionadas.

Sinto bastante falta de uma base sólida da escola, principalmente em questão de matemática, eu não tive muito contato aprofundado sobre, e tenho sentido um pouco desse Impacto agora na universidade com algumas atividades. Percebo que agora estou começando a entender cada vez mais a importância do professor e de um ensino de qualidade.



[1] Rafaela Paulino dos Santos é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Meu processo de alfabetização

Meu processo de alfabetização

Por Pauliana Soares dos Santos [1]



Tenho lembranças nítidas do meu primeiro contato com as letras. A casa era bem escura, já que não tínhamos energia elétrica, a iluminação era feita com a lamparina, movida à querosene. Meus pais, durante o dia, trabalhavam na lavoura, cultivando arroz, café etc. No período da noite, sentávamos na beira do fogão à lenha para ouvir as notícias pela rádio, pois não tínhamos TV. Afinal, naquela época, cerca de 20 anos atrás, quem possuía esse tipo de aparelho eram só as pessoas ricas. Meus pais não tiveram oportunidade de estudar, possuem a 3ª série do nível fundamental. Mas, mesmo assim, me incentivaram da forma que podiam.

Meu contato com a escrita foi em casa. Bem antes da matrícula na escola, meus pais me ensinaram a escrever meu nome. Com 6 anos ingressei na escola. Era bem longe, cerca de 3 km. E eu ia a pé para a escola e mesmo assim a alegria e empolgação de aprender coisas novas era tanta que a caminhada era satisfatória. A Bíblia foi o primeiro livro que conheci, pois minha mãe tinha uma desde criança. Assim, eu ia à igreja e passei a conhecer a Palavra de Deus.

Na escola, ouvia a professora contar historinhas, e tudo era mágico. Eu dizia que quando crescesse queria ser igual à tia Janete, minha primeira professora. O que eu mais gostava era das histórias em quadrinhos. E colorir, então, nossa, a hora voava!

Recordo-me também dos projetos de leitura que tinha na escola. Uma vez na semana a professora levava os livros e as revistas numa caixa de papelão e escolhia alguns livros para fazermos a leitura. Da 4ª série, o livro do qual me lembro até hoje é “O Mágico de Oz”.

No Ensino Fundamental tive ótimos professores que incentivaram a leitura. Eram bem rigorosos no critério de produção de textos etc. Todos os bimestres tínhamos que pegar livros na biblioteca e fazer resenha deles, para garantir que tínhamos realmente lido os exemplares. Participava de projetos de leitura, onde o interesse em ler despertava ainda mais.

Essa prática de leitura me auxiliou desde a minha infância até a pré-adolescência. Foi um aprendizado que me deu um arcabouço gigantesco, por meio do qual adquiri conhecimento. Quero aprimorar cada dia mais. Hoje, estou cursando uma faculdade que sempre sonhei, que espero concluir e repassar meu conhecimento, com muito carinho, para meus futuros alunos.



[1] Pauliana Soares dos Santos é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Da leitura à superação: a jornada da minha vida

Da leitura à superação: a jornada da minha vida


Por Paula Maria do Nascimento [1]

Quando criança, não era comum ter acesso a livros, pois minha família não tinha hábitos de leitura e eu não tinha acesso a quase nenhum livro fora da escola. Porém, houve uma época em que ainda era possível encontrar alguns gibis. Lembro que colecionava figurinhas e, quando ia na banca de jornal comprá-las, aproveitava e já comprava alguns gibis.

Porém, ao longo dos anos, isso tem sido um problema no meu desenvolvimento de aprendizagem. Quando estamos inseridos no meio onde as pessoas não têm hábitos de leitura, isso acaba nos prejudicando de alguma forma.

Eu nunca gostei de ler, nem de estudar, e passei anos desperdiçando meu tempo com futilidades que teoricamente só atrasaram a minha vida. Na época, eu podia sim estudar ou ter acesso aos livros, pois morava em São Paulo e lá tinha muito mais informações e disponibilidade de conteúdo do que em outras cidades. Mas acredito que isso era algo de família mesmo. No entanto, num belo dia, depois que percebi as consequências dessa herança, quebrei todas essas barreiras que estavam entre mim e o aprendizado.

Mudei para Minas Gerais, para uma cidade pequena chamada Cachoeira de Pajeú. Lá havia uma biblioteca pública (nunca tinha visto uma biblioteca antes), à qual administro e na qual trabalho hoje junto com uma equipe de professores e técnicos. Quando conheci essa biblioteca, fiquei perplexa com a quantidade de livros e histórias que tinham lá e ficava ainda mais curiosa, (claro, nunca tinha visto uma na vida).

Enfim, comecei a pegar livros de romance, como da Rosana Rios, Nora Roberts, Paulo Coelho e Daniele Steele. Mas antes disso lembro que tive uma fase um pouco mística. Tinha uma coleção da Eddie Van Feu (queria ser wicca; para mais íntimos, bruxa). Então, ao longo do tempo o romance foi perdendo o espaço para os livros mais didáticos. Eu precisava fazer um concurso público municipal e tinha que voltar a estudar as antigas matérias da escola, das quais já não lembrava mais. Fiz e passei. Dali em diante fiquei constantemente em desenvolvimento.

Comecei a buscar livros mais técnicos e especializações voltadas para área de Ciência de Dados e Aprendizado de Máquina, livros de investimentos, desenvolvimento pessoal e, por fim, os que julgava necessários. A questão é que eu demorei muito para entender a importância da leitura. A prática é linda, mas deve estar em conjunto nas nossas vidas. É importante que você conheça outros pensamentos e outras ideias. Como vivemos sempre correndo contra o tempo, a leitura ainda é limitada. É por isso que acredito veementemente que a leitura deve ser a base de tudo.



[1] Paula Maria do Nascimento é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Ensinos de uma vida

Ensinos de uma vida

Por Patrícia Tatiane Jorge Moreira Sena [1]



Não tenho lembranças da minha primeira infância com livros, contos e histórias na minha, mas lembro-me que sempre rezava antes de dormir, tínhamos uma televisão onde assistia aos desenhos animados e um quintal de terra onde brincava muito com os meus irmãos mais novos.

Não me recordo onde aprendi a ler, a contar e a reconhecer dinheiro, mas sei que após aprender a ler, sempre estava na biblioteca da escola pegando livros emprestados para levar para casa. Quando estava na terceira série ganhei vários livros de contos infantis e quando estava no final do na letivo da quarta série ganhei um prêmio por ter sido a aluna que mais leu livros na sala de aula e feito resumos das leituras.

Eu tinha muita facilidade em aprender os conteúdos ensinados na sala de aula, quando estava no fundamental I os professores eram bem dedicados e criativos no ensino; diferente de quando fui para o fundamental II e ensino médio, não havia a mesma dedicação e disciplina no ensino. Isso não ajudou na minha aprendizagem com cálculos mais complexos e fórmulas, o que é rápido para alguns para mim pode levar horas.

Sou apaixonada por livros de romances e suspense, quando estou lendo sinto que posso ser qualquer pessoa e estar em qualquer lugar, e essa é a magia de um bom livro. Faz quatorze anos que me formei e nesse ano de 2023 começo a fazer minha primeira graduação na área de exatas, o que é irônico, pois sempre me dei bem em humanas. Me considero uma pessoa dedicada, esforçada e muito capaz para novos desafios.



[1] Patrícia Tatiane Jorge Moreira Sena é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Relembrando a trajetória do meu aprendizado

Relembrando a trajetória do meu aprendizado

Por Paloma Fagundes Serqueira [1]


Minha infância foi muito humilde e muito feliz. Cresci em uma zona rural, cujo nome é Bom Jesus, município de Monte Azul-MG, lugar de pessoas simples e muito acolhedoras. Morava bem perto da escola local. Mesmo sendo filha de pai analfabeto, minha vontade de aprender começou ainda muito nova. Aos 5 anos de idade comecei a ir à escola. Amava e não faltava nenhum dia. Nesse mesmo ano aprendi a ler. Minha mãe teve pouco estudo, mas sempre incentiva minha irmã e eu a estudarmos.

A escola só tinha duas salas. Por isso, estudavam duas turmas de série diferentes na mesma classe. Tinha uma professora chamada Terezinha, que era muito rígida e dava aula de ditado fora do horário escolar, e isso fez com que minha leitura e escrita ficassem cada vez melhores.

Ainda menina, com 7 anos, idade em que começava a catequese, também comecei a ajudar na igreja. Todos os domingos eu lia as preces. Foi quando tive um contato maior com a leitura, pois na escola não tinha biblioteca e o material usado eram somente as folhas que a professora entregava, xerocada nas máquinas conhecidas como mimeógrafos. Amava ajudar a professora. Sempre ficava aquele cheirinho de álcool.

Quando mudei para a quinta série, tive que trocar de escola, que ficava a 7 km de casa. Acordava todos os dias às 6 horas da manhã. Foi assim durante os 4 anos do Ensino Fundamental. Foi nesse período que descobri a aptidão pela Matemática, que era minha matéria predileta.

Para estudar no Ensino Médio era necessário ir todos os dias para a cidade. Eram 17 km só de ida. Foi um período muito cansativo. Porém, foi nesse tempo que mais me apaixonei pela leitura. No primeiro ano do Ensino Médio fiz amizades competitivas. Fazíamos competições para ver quem ia conseguir mais no ano. Lembro-me que li o livro “Auto da Compadecida”, do autor Ariano Suassuna, em um dia. Sinto saudades disso. Nos outros anos acabei deixando a leitura um pouco de lado devido a ter me mudado para a cidade. Trabalhava de dia e estudava à noite. O tempo era muito corrido e quando estava em casa só queria dormir.

A cada degrau que elevava na grade escolar aumentava a distância que era necessário percorrer para chegar. Com a faculdade foi da mesma forma: eram 60 km todos os dias para estudar. Fiz faculdade de Engenharia Civil na cidade de Mato Verde-MG.

Enfim, para estudar sempre tive que passar por muitos desafios e dificuldades, porém continuo acreditando que o estudo muda a vida e que todo esforço que fiz valeu a pena. Por isso, entrei no curso de Licenciatura em Matemática da UFVJM. Sei que o desafio é grande, mas também sei que vou aprender muito, ansiosa por todo esse novo trajeto que vem por aí.



[1] Paloma Fagundes Serqueira é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Autobiografia do meu letramento

Autobiografia do meu letramento

Por Moisés Santos Silva [1]


Antes de frequentar a escola, ao qual me lembro de mínimos detalhes, não era muito comum ver pessoas estudando e escrevendo. Revistas e folhetos notavam pessoas lendo. Lembro também dos livros de músicas partitura/teoria do meu pai, que era ilustrado com diversas imagens de instrumentos musicais, notas, dentre outros. Em casa, minha mãe sempre procurou me ensinar o básico, como números e letras; entretanto quando entrei na escola tive certa facilidade em continhas, como de somar e subtrair.

Sobre a escrita nas séries iniciais a caligrafia não era muito boa, e um pouco mais a frente depois de aprender a escrever, sempre escrevia uma ou outra palavra faltando letra. A escola teve o papel fundamental na minha vida.

Minha vida escolar sempre foi em escola pública, nunca fui um aluno de gostar muito de leitura, sempre tive comigo que compreendia mais observando, assistindo. Em todas as escolas que estudei tinha biblioteca totalmente equipada com vários tipos de livros, lembro que em uma determinada escola no ensino fundamental a professora, usava o horário dela para o aluno ir a biblioteca escolher algum livro do seu gosto ler e posteriormente fazer um resumo para ser apresentado na frente, sempre tive muita vergonha de falar em público, era uma emoção e tanto apresentar resumo/trabalho.

No ensino médio, os professores “pegavam mais no pé” e sempre distribuía livros para os alunos para lerem em casa. Pediam resumos em datas como a semana da consciência negra, promoviam a hora da leitura com livros nessa temática, apresentações de teatro, redações com diferentes temas propostos pelo docente, dentre outras atividades. Ainda no ensino médio conseguir identificar que o meu pensamento de apreender mais somente assistindo ou observando, era meio que uma “desculpa”, para não ler, e que com a leitura conseguiria aprender muito, e através dela ter facilidade na escrita e na fala.

Em relação aos gêneros textuais na universidade, ainda tenho um pouco de dificuldade, principalmente em artigos, algumas palavras que não sei o significado dentre a forma correta de ler um texto universitário, mas desde que iniciei o curso, em qualquer tempo disponível leio os materiais complementares, já com um dicionário ao lado, também de vez em quando faço leitura de alguns artigos que procuro no Google acadêmico, para já ir me familiarizando com esses novos gêneros textuais.



[1] Moisés Santos Silva é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

De volta à infância, primeiros passos da minha educação

De volta à infância, primeiros passos da minha educação

Por Marcelo Rodrigues de Souza [1]



Eu sou o terceiro filho de uma família de cinco pessoas. Minha mãe, Rosangela Rosa de Jesus, e meu pai, Gerson Rodrigues de Souza, não conseguiram concluir seus estudos devido às dificuldades enfrentadas na vida rural. Desde a infância, eles trabalhavam para ajudar meus avós nas despesas e, consequentemente, tinham pouco tempo para frequentar a escola, que era distante e de difícil acesso.

No entanto, quando mudamos para a cidade, meus pais fizeram todos os esforços para garantir que eu recebesse uma educação de qualidade, apesar de não saberem ler e escrever. Eles trabalhavam fora de casa durante todo o dia, mas matricularam-me em uma creche aos quatro anos de idade, onde tive meu primeiro contato com textos escritos. Lembro-me com carinho da minha professora da educação infantil, Olímpia, que contava histórias ilustradas, fixadas em um varal. Mesmo sem saber ler, eu prestava atenção às histórias para descobrir qual imagem seria fixada no varal.

Nos primeiros anos de minha educação, tive acesso a histórias clássicas como “Chapeuzinho Vermelho” e “Os Três Porquinhos”. Na terceira série do ensino fundamental, minha professora Rosalina ficou impressionada com meus desenhos ilustrando a história do “Patinho Feio”.

Nunca tive dificuldades com os números. Eu e meus irmãos e vizinhos brincávamos de contar pedrinhas e de jogá-las para o alto. Brincávamos de vender coisas, e cada um de nós tinha sua própria lojinha no quarto. Como ainda não sabíamos escrever aos 5 anos de idade, eu e meus irmãos tiveram a ideia de contabilizar tudo com feijões.

Ao chegar à escola, notei que o professor usava minhas atividades diárias como exemplos para explicar problemas matemáticos, como calcular a quantidade de pães que minha mãe havia pedido no mercado. Eu comecei a perceber que a matemática e a escrita estavam em todos os lugares.

Ao final do ensino fundamental, me apaixonei pelas histórias de Monteiro Lobato, que abordavam mitologia grega, como “O Minotauro” e “Os Doze Trabalhos de Hércules”. Essas histórias me ajudaram a compreender que há um mundo enorme a ser explorado.

As escolas em Malacacheta, minha cidade natal, possuíam bibliotecas repletas de livros incríveis e incentivavam a leitura, promovendo rodas de conversa para que contássemos o resumo das histórias.  As práticas com números na escola me ajudaram a investigar os fatos ao meu redor, a refletir sobre bons hábitos financeiros e a buscar soluções para problemas do dia a dia.

Quando ingressei na UFVJM, encontrei o que procurava: reflexões sobre atualidades, preparação para enfrentar a vida e solucionar problemas como desemprego, contaminação dos rios e epidemias, que senti falta durante o ensino médio.



[1] Marcelo Rodrigues de Souza é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Hoje vida, amanhã histórias e para sempre memórias

Hoje vida, amanhã histórias e para sempre memórias

Por Karine Pereira de Azevedo [1]

Karine logo


Tudo começou em 24 de novembro de 1996, quando nasci em Capelinha, no interior de Minas Gerais. Meu pai morava em uma zona rural da cidade, conhecida como Pontal (área da Aperam, empresa que, na época, chamava-se Acesita), onde fui criada até meus oito anos de idade. No ano de 2003, fui matriculada em uma escola municipal da zona rural no Distrito de Vendinhas.

Como entrei com sete anos de idade, já no 1° ano. Não comecei na pré-escola como todos, Graças a Deus. Sempre tive um fácil aprendizado, pois tive o auxílio da minha mãe. Lembro-me como hoje: ela tinha um livro que continha as sílabas para apreender a ler, e a que não esqueço é da palavra PATO, que no livro dizia: P-A PA, T-O TO, juntando = PATO. Não sei como eu sempre falava outra palavra, tipo RATO, e nunca acertava. Daí levava uns puxões de orelha e começava tudo novamente.

Aos oito anos de idade nos mudamos para Capelinha. E olha que loucura: fui morar numa rua abaixo da escola E. E. Profª. Hermínia Eponina. Cheguei já no meio do ano e foi difícil acompanhar. Foi um pouco difícil a adaptação, mas consegui. E o tempo foi passando e quando estava no quarto ano descobri que não gostava muito de Português, não me adaptava, pois minha “praia” eram os números. Quando o professor chegava e pedia uma produção de texto, confesso que não sabia por onde começar.

Para se ter uma noção de como era complicado o meu português, na escola tinha a famosa “sexta-feira da literatura”, quando eu sempre pegava livros, mas do mesmo jeito que os levava para casa, voltavam. Eu não lia nem o nome. Certo dia, como era para fazer o resumo de um livro que eu havia lido, cheguei diante da bibliotecária e disse: “Tia, a professora disse que é para fazer o resumo de um livro. Porém, de todos que peguei, não li nenhum”. Ela conversou comigo e disse que para eu começar a ler, que eu teria que pegar um livro cuja capa me cativasse. Então, achei um: O Jardim Secreto. Não vou negar que desse eu gostei. Parece que eu que estava vivendo a história. Porém, foi o primeiro e único livro que li até hoje. Eu declaro que não gostava, e nem gosto de ler.

A escola me ajudou muito em relação à gramática e produção de texto, e eu via diferença nas minhas redações para o ENEM. Com o passar dos anos também fui percebendo que não precisava somente da matemática para sobreviver, precisava muito mais do português. Precisava da escrita, da fala, da comunicação mais eficiente, nas redes sociais etc.

Minhas notas de português, na escola, só melhoraram no Ensino Médio. Em exatas sempre tirei total como prova do meu destino. Em 2014 concluí o Ensino Médio e, concomitantemente, me formei no curso Técnico em Contabilidade, sendo que hoje faço faculdade de Ciências Contábeis. Me formo neste ano e já faz cinco anos que trabalho com contabilidade. E acreditem: para complementar meu trabalho no Departamento Fiscal, na Soma Contabilidade, agora estou cursando Licenciatura em Matemática. No dia 13/04/2023 irei me apresentar na maior feira de negócios da minha região, uma das mais importantes de Minas Gerais: a FEIRAGRO. E olha que incrível: vou precisar do português para fechar negócios para a minha empresa.



[1] Karine Pereira de Azevedo é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Minha jornada e a escola

Minha jornada e a escola

Por Juliana Cardoso da Silva Vieira [1]



A minha jornada na escola começou quando eu era bem novinha, em torno de 2 a 3 anos de idade. Minha mãe, na época, trabalhava em uma creche e, às vezes, me levava junto. Com essas idas com a minha mãe para a creche eu já ia aprendendo algumas letras, números, formas dos desenhos etc. Assim que cheguei à idade para ingressar na escola, eu já estava um pouco mais avançada que as outras crianças, pois já sabia escrever meu nome e já conhecia as letras e os números

Pelo fato da minha mãe ser professora, livros e revistas era o que mais tínhamos em casa. Lembro-me que na 3ª série (hoje, quarto ano) a escola liberava alguns livros que tivéssemos interesse em levar para casa e quando fôssemos devolver o livro, deveríamos contar um breve resumo de como era a história que foi lida.

Porém, foi aos 20 anos que eu realmente comecei a gostar da leitura. Foi quando eu comprei meu primeiro livro. Lembro-me que folheando uma revista de uma determinada marca fiquei super interessada nesse livro e acabei comprando-o. Comprei o primeiro livro de uma coletânea de 12 exemplares: “A Garota do Calendário”, da autora americana Audrey Carlan. Assim fui pegando gosto pela leitura. Fiquei tão apaixonada pela coletânea que completei minha coleção em apenas um mês.

Com minha primeira coleção de livros completa, me apaixonei por mais dois livros: “Você acredita mesmo em amor a primeira vista?” e “Você acredita mesmo em segunda chance?”, da autora brasileira Fabiana Santina. Fiquei tão apaixonada que adquiri seus livros autografados.

Quando finalizei meu segundo grau, em 2014, ingressei na faculdade para cursar Bacharelado em Direito. No início, até que estava gostando, porém era muito cansativo, pois tínhamos que viajar 170 km para outra cidade todos os dias, para poder concluir a magistratura. Com três meses de curso tive que trancar a faculdade por não me identificar com o que estava estudando e também por não conseguir pagar os estudos.

Contudo, tive essa grande oportunidade de estar cursando um ensino superior em uma universidade federal. O curso me abriu um leque de oportunidades e deixou meu dia a dia no trabalho mais fácil e seguro. Afinal, trabalhar com a rotina burocrática não é nada fácil.



[1] Juliana Cardoso da Silva Vieira é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

A escola e mãinha

A escola e mãinha

Por Joice Chaves Ribeiro [1]



 Quando pequena, lembro-me de gostar de ir à escola, superanimada com a bolsinha de elefante, uniformizada e contente. Lá, sempre esteve presente como educadora, minha mãe, a referência de toda a minha vida. O contato com os livros, principalmente os de alfabetização, era comum, pois mãinha (forma como a chamo) dava aula para o magistério, preparando profissionais da educação infantil. Naquele tempo eu gostava muito de sublinhar os textos e atividades que eram passadas no mimeógrafo, vivenciando uma fantasia que levaram à autonomia na escrita e na leitura.

Na pequena cidadezinha de Bertópolis, divisa com a Bahia, foi onde iniciei minha vida escolar em 1996. Lembro-me das cartilhas nas quais havia pequenos textos ilustrados e organizados por ordem alfabética, da professora sorridente, dos colegas queridos e dos assombrosos ditados que eu morria de medo, pois apesar de gostar muito da escola, não conseguia acompanhá-la. Tive muita dificuldade com a leitura, consequentemente, não tinha um bom desenvolvimento com a maioria das disciplinas, isso foi mudando, quando na escola descobriu o meu problema de visão em um dos projetos de saúde. Aqui, permaneci até a antiga segunda série. Em 1999, mudamos para Almenara em busca de novas oportunidades, já que minha mãe havia perdido seu trabalho, fomos obrigados a sair de lá, vimos então para Almenara – a princesinha do vale. 

Nesta nova etapa, consegui mais desenvolvimento na escola. Meu melhor período foi o quarto ano, no qual tive uma professora de português de cara fechada, rechonchuda, baixinha, com olhos bem fitados atrás daqueles óculos, que sempre nos observava as falas, pronta para corrigi o “nois vai” e empregava o plural que sempre engolíamos, pegava no pé, ela com paciência, me tirou da inércia de uma leitura fragmentada, mas ainda assim, continuava com medo do ditado.

Nos anos finais do ensino fundamental continuava com os mesmos problemas: má leitura e muitos erros na escrita.  O guarani, de Jose de Alencar, foi o primeiro livro grande que li, leitura difícil, termos antigos, leitura rebuscada, diferente do meu vocabulário, comecei então a entender que a literatura não era apenas estórias e sim histórias de um conjunto de críticas e protestos enraizados de acordo com o tempo.

Já no ensino médio obtive mais postura de aluna, visto que melhorei, entretanto, as notas vermelhas me acompanhavam. Em meio a tantos medos com pouco interesse pela escola, fiz o vestibular com o incentivo de mãinha e para a minha surpresa, passei na Unimontes (Universidade Estadual de Montes Claros) em 2015. No curso veio um mundo de possibilidades, tornando-me a terceira melhor aluna da turma, adquiri o gosto pelo saber mesmo tendo ainda muita dificuldade no aprender. Tive como modelo uma colega com deficiência visual que aqui tem o pódio de primeira melhor aluna da turma, ao seu lado consegui desenvolver como uma pessoa escolarizada assimilando a importância do conhecimento, no qual as pessoas conseguem encontrar de modo significativo um equilíbrio para viver de forma que não há empecilhos e desculpas para a busca da formação. Com 29 anos formei no curso da disciplina que mais sofri e tive medo, Letras/ Português. Passei a gostar de literatura e a buscar o hábito da leitura. A curiosidade tornou-se a minha melhor aliada.

Hoje já atuo na área da educação e, algo que nunca imaginei, aquela pessoa que foi minha referência, lá do início, que eu queria tanto orgulhá-la, é minha colega de trabalho, além de ser minha mãinha.



[1] Joice Chaves Ribeiro é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Minha evolução em leitura e escrita

Minha evolução em leitura e escrita

Por Jhonatan Oliveira Rodrigues [1]



Carrego comigo um grande afeto pelos gibis da Turma da Mônica, pois foi através deles que ingressei no mundo da leitura. Não sei dizer ao certo o que mais me chamou a atenção. Pode ter sido as cores cativantes ou até mesmo os personagens, mas em resumo todo o conjunto da obra me causou um imenso interesse e admiração.

No meu primeiro ano do Ensino Fundamental I realizei o reconto da fábula da Cinderela. Com apenas cinco anos tive meu primeiro trabalho escrito exposto para toda a escola. Tão pequeno e já me sentia um grande escritor. Mas foi no quarto ano que realmente tomei gosto pela escrita, por meio do “Projeto Compõe”. Durante todo o ano tínhamos algumas horas semanais dedicadas ao projeto, que consistia na elaboração de poemas e poesias. Essa foi uma etapa essencial em minha formação.

A partir do Ensino Fundamental II até o Ensino Médio não tinha o hábito de leitura frequente. Sinceramente, nunca tive interesse por contos fictícios. Costumava ler livros desse tipo somente quando era necessário, ou seja, quando os professores passavam atividades, como, por exemplo, fichas literárias. Quando já estava próximo de formar, durante a pandemia, encontrei uma motivação para melhorar meu hábito de leitura: a busca por conhecimentos, os quais realmente poderia aplicar em meu cotidiano, principalmente voltados para a área de finanças.

Hoje, sou universitário. A leitura e a escrita (direcionada aos estudos) voltaram a fazer parte do meu cotidiano. Nessa nova etapa todo conhecimento adquirido ao longo da minha formação será aplicado e melhorado com todo o aprendizado que está por vir.



[1] Jhonatan Oliveira Rodrigues é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Eu e a educação

Eu e a educação

Por Jeovana Cardoso Vieira [1]



Em minha infância era comum ter acesso a textos e livros, tanto didáticos quanto infantis, devido ao fato de minha mãe ser professora de Português. Tenho muitas lembranças dela preparando suas aulas, folheando seu material para assim decidir qual o tema da aula do dia seguinte. Sempre tive muita curiosidade. Por isso, estava sempre ao seu lado. Foi ela quem me presenteou com meus primeiros livrinhos, e fazia questão de todas as noites lê-los para mim.

Antes de minha entrada na escola, já tinha conhecimento de muitas coisas. Com 3 anos já conhecia todas as letras do alfabeto e, consequentemente, já sabia escrever o meu nome. Mais adiante, o nome de meus pais, irmã, avó etc. Também conheci os números, e, assim, descobri que 1 + 1 era igual a 2, e que 1 real com 1 real seria igual a 2 reais. Assim, comecei a ter um pouco de conhecimento sobre o dinheiro e seu valor, pois eu sabia que a moedinha de 50 centavos era o valor do meu chocolate favorito.

Na escola, sempre fui a aluna que apresentava o trabalho do grupo, pois era melhor com a leitura e não tinha tanta vergonha de ir na frente da turma ler e explicar determinados temas. No Fundamental I e no Fundamental II, recordo-me que sempre trocava o horário do recreio pela biblioteca, pois adorava poder ajudar as bibliotecárias com os livros. No Ensino Médio, também trocava o recreio pelos livros, mas não pelos da biblioteca e sim pelos que eu mesma levava de casa. Admito que o hábito da leitura ajudou muito em minha vida escolar. Porém, não foi a escola em si que fez com que eu me apaixonasse pelos livros, e que assim fizesse eu ler um livro de mais de trezentas páginas em um único dia. Este mérito eu deixo a J. K. Rowling e sua saga de livros “Harry Potter” (2002 – 2007)”.

Minha matéria preferida na escola era Matemática. Era muito boa em Português e Literatura, porém meu coração era da Matemática. Fazia sentido para mim a prática com os números, e eu conseguia aplicá-las na vida real, em meu dia a dia.

Em meu primeiro ano de universidade noto as diversas coisas que deveria ter aprendido na escola, mas que não me foram ensinadas, como, por exemplo, declarar imposto de renda, fazer uma citação corretamente, quesitos econômicos e burocráticos, dentre outros. Acredito que devido a essa falha educacional eu possa acabar tendo dificuldades em administrar minha vida financeira futuramente. Contudo, sinto falta do que não aprendi e que possa ser de grande valia para minha vida acadêmica. Sei que a educação tem o poder de nos mudar e mudar o mundo, e espero fazer parte desta grande mudança durante minha trajetória como estudante.



[1] Jeovana Cardoso Vieira é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

A vida através de letras e números

A vida através de letras e números

Por Jairo César da Silva [1]



Na minha casa sempre existiram alguns livros da minha mãe. Na casa da minha tia, por ser professora, também havia algumas revistas e livros antigos, de estórias, fábulas, nos quais eu gostava de ficar olhando as figuras. Não entendia quase nada. Foi assim que se deu meu primeiro contato com livros, e, partindo daí, comecei a querer escrever. Com 4 anos, eu ficava tentando escrever com a ajuda da minha mãe, principalmente as letras do meu nome.

Quando comecei a estudar, foi espetacular, tudo era novo, tudo era diferente. Eu estudava no período vespertino e, quando chegava em casa, já ficava ansioso para chegar o outro dia e ir para o colégio. Meu pai comprou uma televisão algum tempo após eu iniciar os estudos. Quando eu terminava as tarefas escolares, minha mãe deixava eu assistir desenhos. Foi assim que comecei a aprender a contar até 10, pois nos desenhos tinha a brincadeira de esconde-esconde e os personagens contavam.

Sempre gostei de matemática. Meu pai me deu uma calculadora que utilizava no trabalho. Eu passava horas com o aparelho. Não compreendia o que estava fazendo, mas gostava dos números, de ficar apertando os botões e vendo os resultados que apareciam. As finanças, comecei a aprender com 6 anos. Quem nunca juntou moedas? Eu juntava no meu cofrinho. Comecei a entender sobre as notas um pouquinho mais tarde, com a ajuda da minha mãe. Quando comecei a aprender matemática na escola, perguntei à minha mãe se para formar 15 reais poderíamos utilizar uma nota de 1 real e uma de 5 reais, igual fazíamos na escola. E foi assim que ela me ensinou a somar e a saber o troco.

A escola foi de total importância para mim, pois aprendi sobre a cultura de muitos colegas, mesmo simples coisas como o dia a dia de todos, o que me ajudou a entender o porquê de outras coisas. A arte de escrever começou muito cedo. Produzíamos alguns textos, principalmente no Fundamental I e, às vezes, no Fundamental II. Ganhei um livro que continha 3 histórias. Eu li essas histórias várias e várias vezes. Imaginava os cenários, os personagens, o desenrolar dos fatos.

Hoje sinto que eu deveria ter feito uso ainda mais da prática de leitura, pois tudo parte dela. Para escrever bem, você precisa ler. Pelo fato de não ter praticado muito a escrita de textos durante a minha vida escolar, sinto uma dificuldade enorme hoje em produzir textos. Com relação a colocar a ideia no papel, eu consigo imaginar tudo; porém, quando vou transcrever, “trava”, não consigo exprimir as ideias que estão em minha mente. Sempre leio com o objetivo de melhorar a minha escrita. Eu gosto de artigos científicos, principalmente os que têm aplicação entre as exatas e o cotidiano. A forma como a matemática é utilizada para explicar questões diárias é fantástica.

No dia a dia, sinto uma falta enorme de alguns conhecimentos, principalmente de dominar melhor a escrita. É uma das maiores (senão a maior) dificuldade que tenho. Outro conhecimento que sinto falta é a parte de educação financeira, que deveria ser inserida nas escolas. Claro, as aulas de juros são aplicadas diariamente. No entanto, com relação às questões normais do meu dia a dia, precisei buscar o conhecimento em outros locais, sem saber até mesmo qual norte tomar. Essa parte do conhecimento eu sinto falta e sei que se tivesse acesso a algumas questões hoje em dia elas seriam resolvidas mais facilmente.

Enfim, a leitura e a escrita abrem portas, criam caminhos. O conhecimento é um presente que ninguém poderia tirar de você, e com ele você pode chegar aonde quiser, pois ele é como uma escada, de degrau em degrau você chega ao topo.



[1] Jairo César da Silva é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

A tecnologia como parte das minhas aprendizagens

A tecnologia como parte das minhas aprendizagens

Por Ihuan David Gomes Ferreira [1]



A minha família gosta de dizer: “Quando você chegou do hospital pela primeira vez e entrou em casa, não tirava os olhos da TV”. Esse é um fato muito importante, já que alguns programas de televisão tiveram um papel significativo na minha educação. O acesso a materiais escritos era possível por meio da biblioteca municipal da minha cidade. Meus irmãos eram bons alunos, então um deles, em especial, sempre me incentivava a ler e até chegou a me dar alguns livros de presente, mas devo confessar que os desenhos animados eram mais atraentes.

O desenho que mais me chamava a atenção se chamava “Cyber Chase”, transmitido pela TV Cultura. Ele retratava problemas do cotidiano resolvidos através da matemática. Aquilo me fascinava. A excelente forma de ensinar e divertir garantia a minha permanência na frente da TV e influenciou o meu gosto pela matemática.

Por volta dos 6 anos de idade, quando comecei a ter que ir ao supermercado, que ficava próximo a minha casa (e como era de costume, o filho caçula quase sempre tinha a difícil tarefa de ir ao supermercado realizar pequenas compras ou até mesmo comprar alguns pães na padaria), fui estimulado a realizar pequenas operações matemáticas para conferir o troco. Com isso, consegui colocar em prática o que aprendia na escola e nos programas de TV aplicando a matemática em situações reais, em forma de operações.

Foi somente quando frequentei o primeiro ano do Ensino Fundamental que comecei a ler e escrever de forma adequada. O uso do caderno de caligrafia foi importante nesse processo, pois foi com a ajuda da minha professora do primeiro ano, e muita persistência da minha família, que consegui evoluir na escrita. Escrevia carta para a minha irmã contando como tinha sido o meu dia ou até demonstrando o quando gostava dela. Ela sempre as recebia muito feliz e lia com atenção. Algumas delas estão guardadas até hoje.

Nos anos iniciais éramos motivados a criar contos fictícios ou contos de fadas envolvendo criaturas que podiam ou não ser reais. Já nos anos finais, os textos eram mais voltados ao conteúdo de cada matéria, com o incentivo a estabelecer uma opinião e uma crítica sobre um determinado assunto. Por fim, o Ensino Médio era bem focado em textos dissertativos, visando preparar os alunos para o ENEM. Ao longo dos 3 anos eram debatidos métodos de escrita e regras que deveriam ser seguidas, fato que foi sem sombra de dúvidas essencial no momento da prova. A maioria dos professores influenciava os alunos a usarem os livros da biblioteca da escola, mas grande parte dos livros eram pouco interessantes aos adolescentes. Então, a professora do nono ano teve uma ideia: propôs que os alunos compartilhassem os seus livros com outros alunos, tendo ela como intermediária. Isso despertou em mim o interesse em uma famosa série de livros entre os meus colegas: tratava-se de “Percy Jackson e os Olimpianos”, de Rick Riordan, pela editora Intrínseca. Desde então, já li outras obras do autor, pois ele aborda um lado interessante de algumas mitologias.

Acredito que a vida universitária tenha me afetado de forma positiva, pois passei a ficar mais tempo lendo textos e estudando. As apostilas, verbetes, slides e cartilhas apresentadas, na maioria das vezes, suprem a informação necessária e as videoaulas disponibilizadas quase sempre são diretas e efetivas. Acredito que a tecnologia teve um papel importante na minha educação. É claro, em atividade conjunta com a escola e a família. A universidade, através da EAD, é uma nova etapa que dependerá de forma imensa dessa ferramenta. É claro que alguns conhecimentos de língua portuguesa ou matemática foram esquecidos, ou de alguma forma não estudados, mas sou muito grato a todas as oportunidades que me foram apresentadas e desejo continuar evoluindo não só como estudante, mas como pessoa e futuro profissional da área da educação.



[1] Ihuan David Gomes Ferreira é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Minhas experiências iniciais com letramentos

Minhas experiências iniciais com letramentos

Por Gracieth Pereira Nascimento [1]



 

Na minha infância não era comum o acesso a textos escritos, como livros em minha casa, meus pais não gostavam de estudar. O meu Pai, que trabalhava como motorista, do Ministério da Saúde, sempre levava cartilhas do trabalho. Tive acesso a cartilhas sobre a erradicação do barbeiro (Doença de Chagas); Esquistossomose (Barriga d’água); Febre amarela que é transmitida por mosquitos (vacinação); Dengue: orientação, erradicação do mosquito e tratamento.

Logo que entrei na escola com sete anos, comecei a ter acesso a livros, eu amava ler as estórias, fazer cópias, ganhei alguns livros como: Bolha de sabão e um livro de conto de fadas. Foi passando o tempo e na escola conheci uma colega que era muito bem de vida, e quando ia brincar na casa dela, me deparei com muitas revistinhas em quadrinhos, e ali começou um desejo grande por ler revistas em quadrinhos da turma da Mônica. Li muitas, e pegava emprestado por semana. Teve até um fato engraçado: O meu irmão menor quando tinha uns três anos tinha nojo de língua, ninguém podia dar língua pra ele que ele vomitava, uma vizinha que tinha a minha idade sabia que eu gostava de revistinha, foi na minha casa e me chamou para darmos língua para meu irmão, eu falei que não ia dar, pois minha mãe iria me bater, aí ela disse que iria me dar revistinhas e eu aceitei. Não me lembro se apanhei, mas lembro da voz brava da minha mãe a me chamar.

Tanto a família quanto a escola têm um papel importante no ensino da matemática, pois os pais devem instigar a criança desde pequeno a contar, ensinar, os valores do dinheiro com brincadeiras de vendinha utilizando dinheirinho de brincadeira, criando uma loja fictícia onde a criança vende os seus brinquedos recebe e passa o troco. A escola tem o papel de ensinar, mas o aprendizado vem quando a criança pratica, estuda, resolve exercícios de maneira autodidata, nos anos iniciais com o auxílio dos pais.

Na escola pública que estudei o ensino era voltado para a prática. Lembro-me de uma disciplina práticas agrícolas que era ensinada tudo sobre como fazer canteiro, cultivar legumes e verduras, e tudo seriam utilizados na própria escola.

A Biblioteca era cheia de livros e era uma rotina o acompanhamento dos livros didáticos de todas as matérias. Os hábitos de leitura quando estamos na escola nem se compara quando entramos na Universidade, é muita leitura e escrita, o que é muito bom para uma aprendizagem crítica. Acredito ser muito positivo. Inclusive tenho lido outros artigos e apostilas além dos indicados pelos professores. Senti o nível bem alto da Universidade. Por isso tenho dificuldades nos conteúdos de língua e Matemática que não aprendi no ensino médio. Também não tive aulas de administração de finanças, nem na escola e nem na vida, por isso considero que não administro bem minhas finanças. Muitas coisas como imposto de renda aprendi bem depois da escola.

Esse foi o meu relato de letramentos iniciais, muitas das situações não foram como sonhei, mas lutei muito para vencer a dificuldade de entrar em uma faculdade, e quando olho para trás, fico feliz em ver que a maioria das matérias que aprendi, de maneira autodidata, como matemática e a química não esqueço.



[1] Gracieth Pereira Nascimento é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Pensando a leitura e a escrita

Pensando a leitura e a escrita

Por Gabriel Philipe de Souza Chacara [1]



Nos anos dois mil, logo quando comecei a ter percepção das coisas, era comum observar meu pai lendo jornais e noticiários impressos. Na época, ele era funcionário da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Apreciava as imagens ali presentes de jogadores de futebol, gráficos sobre economia, imagens de crimes da época, mesmo sem entender. Minhas tias sempre contavam histórias, e chamava a minha atenção gritando “GABRIEL PHILIPE DE SOUZA CHACARA”, o que facilitava o entendimento aos comandos e saber o meu nome completo.

A curiosidade, desejo intenso de ver, ouvir, experimentar algo novo, desconhecido, sempre tomou conta da minha pessoa. O superlativo deste adjetivo “curioso”, fez com que de forma precoce eu decorasse os numerais e a escrita do meu nome. Era comum aos 4 anos já escrever frases como “Mãe, você é a melhor mãe do mundo”. E minhas tias paternas diziam: – a grafia dele é parecida ao do avô (in memoriam), e ficavam saudosas.

A minha avó materna sempre muito fervorosa, comumente lia a bíblia e contava histórias sobre Deus e Jesus Cristo, me lembro do livro ela me presenteou, cujo nome é “Meu livro de Histórias Bíblicas”, eram um conjunto de 116 histórias belamente ilustradas, totalmente de acordo com a bíblia e fáceis de entender. Ali comecei a compreender a minha existência e importância no mundo, entendia através de imagens relatos desde a criação até o dilúvio. Já as minhas tias avós maternas são apaixonadas por livros de romance, estantes lotadas de livros que passávamos tempos olhando e procurando juntar as palavras para tal compreensão. Quando aprendi a ler, logo depois foi o lançamento do livro “cinquenta tons de cinza”, minha tia Elane disse para mim e minhas primas: “Esse aqui vocês ainda não podem ler”.

Já na pré-escola veio as paixões das músicas didáticas que passávamos o final de semana inteiro cantando para meus pais como “Jesus Cristo está passando por aqui” e Meu lanchinho, meu lanchinho, vou comer… CDs e DVDs do palhaço local da cidade de Teófilo Otoni chamado de Perna Bamba, tocavam horas sem parar, junto ao sítio do pica-pau amarelo e o meu predileto o Teletubbies. A imagem do nascer do sol juntamente aos quatro ursinhos dançando chamavam muito a minha atenção. Já o Alvin e os esquilos me ensinaram que mesmo sendo diferente, conseguimos ser o que queremos ser, basta força de vontade. Outra característica minha é ser muito competitivo, a gana e o desejo de estar em destaque me fazia ser dedicado a aprender de forma rápida os numerais e letras, já chegava da escola realizando as atividades, e sempre ajudava, ou tentava ajudar minhas primas mais novas nas atividades escolares delas.

Estudei durante um tempo em uma escola que tinha uma participação de uma instituição APJ (Aprender juntos), onde mensalmente um voluntário ia caracterizado de um certo personagem e contava histórias que prendia nossas atenções. Reconhecer dinheiro foi de forma bem prematura. Assim que consegui independência de andar e me comunicar, eu já ia nas mercearias bem próximas de casa, comprar o que fora pedido por meus pais, e sempre perguntava: “Tem troco seu moço?”. Aos seis anos já somava e diminuía, começara ali a realizar as contas básicas solicitadas na escola e quando brincávamos de escolinha (eu e minhas primas). A matemática só se tornou um impasse na minha vida quando apareceu funções do segundo grau e logaritmos.

Avaliar o papel da escola e da família nos seus letramentos matemáticos iniciais é como dizer que uma equipe deve ser constituída, a escola fornecendo o modelo didático e a família cobrando e incentivando e elencando as dificuldades. Neste contexto pós pandemia, fica difícil avaliar, pois é notório o déficit de aprendizagem dos educandos no período remoto. A família deve-se posicionar de forma eximia nos estudos dos filhos não deixando o papel de alfabetização e aprendizagem geral somente com a escola. Na escola, lembro-me de sentir preguiça em escrever, mas por ser competitivo, sempre queria ser um dos primeiros a copiar os textos literários e crônicas.

A escola é essencialmente fundamental na introdução dos letramentos nos anos iniciais, pois conduz de forma cientifica como se deve ser alfabetizado. Os textos que lia e produzia no ensino fundamental I, eram sobre histórias sobre Dona Benta e Barnabé, já no ensino médio Livros literários como de Machado de Assis, Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas. Estudei em colégios que de forma privilegiadas eram providas de bibliotecas com rico acervo bibliográficos e éramos incentivados a leitura mediante relatórios das obras lidas. Portanto, trago comigo o ideal que a leitura tem o poder de expandir o vocabulário, com palavras diferentes e sinônimos, uma linguagem falada e escrita culta. Em cada fase do meu desenvolvimento tive a sensação de que a leitura me roubava a ignorância inerte ao ser humano, e comecei a ler e interpretar, conseguindo me posicionar como ser pensante e crítico em sociedade. Já na universidade como acadêmico, a leitura me impulsiona a interpretação da ciência proposta nas disciplinas, podendo afirmar que o sujeito que tem o hábito de leitura se torna familiarizado com qualquer tipo de obra escrita.

Autonomamente leio os artigos solicitados pelos docentes do curso de licenciatura em química, pois sinto-me facilidade em aprender lendo. Paralelo os gêneros que tenho lido são sobre romances, autoajuda e livros sobre saúde por ter uma formação graduação em Enfermagem. Ler sobre saúde e bem-estar é um hobby constante. Já sobre as questões financeiras, fiz alguns cursos como o de auxiliar administrativo e empreendedorismo, sempre fui um bom empreendedor, e um péssimo administrador. Já vendi chup-chup, brigadeiros, doces e roupas, sempre lutei, batalhei, corria contra o tempo. Soube através do meu esforço estudo e trabalho o que era ter tudo, mas também sei o que é não ter nada. Continuo advogando do princípio de que a educação me ajudará a contribuir na transformação da sociedade desigual a qual encontramos.



[1] Gabriel Chacara é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Dos gibis aos números

Dos gibis aos números

Por Filipe de Jesus Rametta [1]



Durante minha infância, uma lembrança marcante em relação aos textos escritos que posso descrever é preenchida pelos gibis da famosa Turma da Mônica. Minha mãe, leitora voraz das histórias da turminha, mantinha um armário repleto de gibis, frequentemente revisitado por ela. Não me era possível ser indiferente a esta situação: me apaixonei pelos gibis sem me dar conta, de modo a ficar tardes inteiras no quarto de minha mãe lendo e relendo sobre os planos infalíveis do Cebolinha, as invenções fajutas do Franjinha, dentre outras tantas aventuras.

Por vezes surgiam gibis do Tio Patinhas, Pateta ou outras personagens, mas a Turma da Mônica tinha seu lugar reservado nas preferências de minha mãe e minha. Acredito que o contato com os gibis me abriu portas na escola. Tinha prazer em realizar atividades que envolviam leitura de livros, o que considero primordial para o aprendizado. Lembro que gostava de frequentar a biblioteca da escola e ficar olhando os livros nas prateleiras, ainda que não fosse ler algum naquele momento.

No que diz respeito aos números, mais uma vez minha mãe me encaminhou com excelência. Sendo professora de Matemática, me vez conhecer a mais interessante das ciências e me apaixonar por sua abstração. Matemática, desde que me entendo por gente, tem sido minha disciplina preferida. Optar pela graduação nessa área do conhecimento não foi surpresa para ninguém.



[1] Graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Escalada de um sonho

Escalada de um sonho

Por Fabiana Lima Pereira [1]



Muitas as lembranças da vida, entre elas algumas que tiveram grande relevância, sempre irei carregar, pois não teria como esquecê-las. Desde muito cedo uma criança que sonhava em conquistar o mundo, que sempre ouvia dos pais que deveria estudar e o mundo aos meus pés.

A minha alfabetização começou no berço familiar, aos meus 4 ou 5 anos de idade minha mãe me ensinava a escrever meu próprio nome e ler de acordo ela sabia, pois com baixo de nível de escolaridade e meu pai analfabeto era um grande desafio, porém mesmo assim quando comecei a frequentar uma sala de aula já sabia um pouco do básico como meu nome e alguns números. Nascida e criada em Zona Rural, nosso acesso a livros e textos eram muito restritos, internet então nunca se ouvia a respeito, mesmo assim tenho lembranças muito boas, era apaixonada por histórias em quadrinhos e gibis entre elas eu tinha coleção de várias revistas da Turma da Mônica e também amava o Sítio do Pica-Pau Amarelo, além de ter inúmeras revistas de colorir, e ter como primeira referência de livro a Bíblia Sagrada.

Ainda na infância na minha primeira escola, pude ter acesso a outros gêneros textuais, principalmente literários, e ter acesso a mais conteúdos de escrita e leitura. Nos primeiros anos em ambiente escolar começou minha relação com a escrita, escrevia várias cartinhas para as amigas e às vezes até de amor, os anos passaram e depois de 5 anos me mudei de escola para fazer o Ensino Fundamental II, saindo de casa as 11:30 e chegando as 18:30 durante 4 anos, nessa nova escola as oportunidades cresceram para me aperfeiçoar com novas técnicas e professores mais capacitados e aumentei meus conhecimentos, fiz amizades lindas e troquei experiências incríveis.

No mesmo período comecei a escrever poemas, principalmente exaltando a beleza da minha cidade, e eu sonhava em publicar um dia. Fui premiada várias vezes por elaboração de redação, textos e poemas, em projetos de incentivo a escrita e leitura. Nesse período comecei a entender, o real valor das coisas e comecei a vender perfumes e maquiagem na escola para comprar lanche e outras coisas, sempre fui uma aluna disposta a aprender e gostava muito de estudar, nunca tive muita dificuldade em aprender e sempre quando surgia dúvidas ia em busca de respostas, sempre gostei muito de matemática então me dedicava muito a essa disciplina.

No ensino médio me mudei para outra escola, no início tive muito medo dessa fase, porém venci. As disciplinas aumentaram mesmo com dificuldade criei amor por elas, gostei muito da Química e continuei a gostar também de matemática. Nesse período cresceu muito a vontade de fazer um curso superior, e em busca de novos horizontes eu lia e escrevia muito, dos clássicos aos modernos a paixão por livros aumentou, e o romance passou a ser meu gênero preferido.

Agora na universidade pude perceber que as leituras precisam de maior atenção e melhor interpretação, ver realmente o que as entrelinhas nos diz. Cada pequeno passo que dei até aqui foram centímetros da minha escalada de um dos meus maiores sonhos. Concluo esse pequeno relato exaltando o orgulho imenso de cada desafio vencido, o quão maravilhoso é mostrar que uma menina podia correr atrás de seus sonhos e estar hoje em uma Universidade. Imenso prazer em carregar o nome da minha pequena e amada cidade – Rio Pardo de Minas, norte do estado de Minas Gerais – que me proporcionou o que tinha de melhor, gratidão por cada instituição de ensino que me acolheu assim como a UFVJM, quem sabe após minha licenciatura o sonho de publicar poemas também seja realizado.



[1] Fabiana Lima Pereira é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Primeiros passos rumo ao conhecimento

Primeiros passos rumo ao conhecimento

Por Erika Beijaflor Rocha Brandão [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.

Meu irmão adotivo sempre foi muito a biblioteca municipal da minha cidade e trazia para casa, quase que toda semana, livros para que eu pudesse ler. Ele sempre me estimulou a ter contato com os livros. Outra recordação que guardo é a de minha mãe com um livro de receitas onde anotava os preparos de bolos. Recordo-me que ela colava nesse livro embalagens com receitas, assim como, recortes de várias revistas e isso me estimulou a folhear livros, observar as imagens e as palavras ali inseridas. Essas são lembranças que guardo com muito carinho.

Havia uma vizinha, Dona Dalvina, que teve a iniciativa de me alfabetizar. Desde os três anos, me ensinava e me presenteava com livros. Foi com ela que aprendi a escrever o meu nome e conheci as letras do alfabeto. Lembro-me dos momentos divertidos em que ela me ensinava. Aprendi a ler e a escrever entre os quatro anos.

Nos primeiros anos de escola foi um momento de descobertas. Naquela época gostava muito de diários. A escola me proporcionou momentos únicos e me fez um ser crítico, curioso e capaz. Sempre lia as placas na rua assim como propagandas pintadas nas paredes e livros.

Já os números, sempre foram muito difíceis para mim, aprendê-los foi um desafio. Não me recordo muito sobre como aprendi a respeito de cálculos. Mas lembro-me que meu pai me ensinava às operações matemáticas. No entanto, o que sei hoje foi aprendido na escola, sendo, portanto, fundamental para o meu letramento matemático.

Minha relação com números nunca foi muito achegada, mas no dia a dia as operações matemáticas se fazem necessárias. Infelizmente, hoje não tenho um controle tão efetivo da minha vida financeira. Acredito que meu descontrole com relação a finanças também está ligado a uma educação financeira falha.

No ensino fundamental, eu produzi textos, histórias e resumos e continue a fazê-los no ensino médio. Sempre fui muito eclética, buscava mais assuntos sobre arqueologia, gostava também de livros sobre aparência e de autoajuda além de outras leituras comuns aos jovens.

Durante a faculdade passei a ler livros de filósofos e de teorias, a constância também foi um fator novo na minha rotina tendo se tornado um hábito regular. Através deste pude perceber algumas mudanças quanto ao enriquecimento de conhecimentos, tais como, fatos que eu desconhecia. Em contrapartida, me vejo esgotada pela minha jornada extensiva para dar conta de tanta demanda. Costumo ir dormir muito tarde, acordo cedo para trabalhar. Ao chegar ainda tenho de cuidar do meu bebê.

Às 19:00 estudo a noite num curso técnico presencial. Portanto meus horários de estudo são durante as madrugadas, devido a isso fico muito sobrecarregada pela rotina que criei. Normalmente, à noite, entro na plataforma da faculdade e realizo as atividades. Tento me organizar entre trabalhos da faculdade e do curso técnico. Tenho ainda limitações, pois, desconheço muitos termos. Há muito o que aprender, percebo isso hoje, principalmente quando busco estudar para fazer provas de concurso público.



[1] Erika Beijaflor Rocha Brandão é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Memória de letramento

Memória de letramento

Por Dásio Gabriel Silva Leite [1]

Ouça o texto lido pelo próprio autor a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.


Na minha casa era de certa forma comum o acesso a textos escritos, em especial livros de histórias infantis, que minha mãe costumava comprar. Na minha adolescência, minha mãe procurou incentivar a leitura comprando livros de literatura.

A pessoa da qual me lembro em minha casa, com livros, era a minha mãe, que é professora e tinha contato com livros escolares. Além dela, tinha a minha avó, que já não é mais viva, e que costumava ler a Bíblia.

Eu aprendi a contar sozinho e utilizava esse conhecimento em brincadeiras na rua, como contar em pique-esconde. No que se refere a fazer contas, aprendi em casa com primos mais velhos, que costumavam me ensinar algumas coisas nos meus tempos livres, a meu pedido. Assim, na escola, eu tinha certa facilidade. Desde jovem já entendia o valor do dinheiro e fazia uso dele para comprar coisas, como balas, por exemplo.

Com relação às primeiras letras, aprendi na escola. Não me lembro disso muito bem, só recordo que gostei bastante. Só fui ter acesso constante à escrita nos primeiros anos do Ensino Fundamental. Eu escrevia sobre temas diversos nas aulas de produção de texto, propostos por professores. A escola foi importante nos meus letramentos iniciais por estimular minha escrita.

Nas escolas que estudei havia bibliotecas. Porém, na época, não éramos muito incentivados a frequentá-las. Aprendi a ler com mais intensidade fora da escola, depois de formado, por se fazer necessário para conseguir ingressar na faculdade. Na universidade é preciso continuar lendo bastante para poder ter melhor proveito nas disciplinas. Procuro ler o que os professores recomendam. Textos universitários são mais complexos, mas com a prática acredito que tenderão a ficar menos complicados.



[1] Dásio Gabriel Silva Leite é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Memória sobre leitura

Memória sobre leitura

Por Daniela Karine de Souza Santana Silva [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.

Na minha infância, em casa tinha livros didáticos, de historinhas e a bíblia, pois minha mãe e meu irmão também estudavam e sempre estavam lendo algum material. Como era uma criança muito curiosa, ficava observando as imagens dos livros, pois ainda não sabia ler.

Comecei ir para a escola com cinco anos de idade. Como ficava distante da minha casa, fazia o trajeto até à escola a pé e na companhia de alguns colegas que apesar de ser cansativo era bem divertido.

Estudava em uma sala multisseriada, durante a alfabetização comecei a aprender as letras e usá-las para formar meu nome também ainda não conhecia os números foi um pouco difícil aprender a fazer as contas. Nessa primeira escola não tinha biblioteca, mas tinha um armário onde tínhamos acesso aos livros, mesmo assim os professores contavam muitas historinhas. Considero muito importante que a família participe do processo de aprendizagem dos filhos.

Vejo algumas diferenças de quando concluir o ensino médio, estou voltando aos estudos depois de 13 anos e encontro-me com um pouco de dificuldade porque os textos são técnicos e muito material para ser lido, também me falta domínio nas tecnologias. Tenho muito interesse em aprender para poder aprimorar meus conhecimentos. Ao chegar à faculdade, noto que o ensino que obtive na escola foi frágil, pois vejo alguns conteúdos básicos que não aprendi durante o período escolar.

Sobre as questões financeiras desde adolescente eu era representante de revistas e feirante. A partir disso, aprendi a ter um bom domínio com dinheiro e contas básicas, o ensino médio contribuiu sim para meu o aprendizado com vendas, porém para questões sobre imposto de renda e movimentação bancárias a escola não ensinou esse conteúdo de educação financeira.



[1] Daniela Karine de Souza Santana Silva é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Como tudo começou

Como tudo começou

Por Christiany Dias Mota [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.


 

Sou a terceira filha dos meus pais, então meus irmãos mais velhos já iam para a escola, sempre tive curiosidade de saber como era a escola. Sendo que minha irmã mais velha e minha mãe gostavam de brincar de escolinha. Então ao chegar da escola minha irmã ia brincar de escolinha e assim ensinava escrever o nome, contar, a ler dentre outras coisas; como era bom e nem sabia o bem que isso fazia. 

Em casa tive contato com textos não escritos, meu pai adora ouvir rádio Itatiaia, ele ouve o dia inteiro e já minha mãe gostava de assistir televisão com as novelas e jornais. Sendo assim de uma forma ou de outra tinha acesso à informação, o que foi importante para o desenvolvimento do aprendizado.

Então minha mãe arrumou um serviço na escola e nos levava para ficar na creche, lá havia mais crianças, era muito divertido. Essa foi uma fase nova no meu aprendizado e desenvolvimento social. Na creche havia uma professora que acompanhou o meu aprendizado, as coisas que mais gostava era de pintar e da hora da roda da história, momento que viajava na história lida.

Minha irmã tinha muitos gibis da turma da Mônica, ela os lia para a gente, era muito bom, eu viajava através da leitura dela, parecia estar acontecendo na minha frente. Estes foram bons momentos que não voltam mais. Sempre me espelhei na minha irmã mais velha, ela foi uma mulher muito esforçada para tudo que ela fazia. Por meus pais não terem terminado os estudos, eles diziam que a coisa mais importante a nos oferecer seria os estudos, sendo este o bem mais precioso com a qual poderiam nos dar, pois na época deles estudar era muito difícil.

Fui para escola sabendo escrever meu nome, já lia algumas palavras e sabia um pouco dos números. Mas tudo graças a minha mãe e irmã que consegui ir para a escola sabendo um pouco, pois a parceria da família com a escola é muito importante para ajudar no aprendizado infantil não apenas no ensinar, mas também no incentivo, na motivação para aprender e sempre procurar aprender mais.

Uma época que me recordo bem é a terceira série, pois a professora incentivava à turma a leitura e a produção de texto. Devido a isso, eu usava a imaginação para escrever. Estas aulas eram dinâmicas e facilitava muito o meu aprendizado.

Lembro-me de quando comecei a aprender sobre números e operações matemáticas, gosto muito dessa disciplina, me recordo das gincanas matemáticas desenvolvidas em sala de aula pela professora do ensino fundamental. Fazia amarelinha com corrida de carrinhos e avançava para frente aqueles que acertavam as operações. Houve também no ensino fundamental um professor “carrasco”, mas que se empenhava em ensinar da melhor forma possível, a base matemática que tenho hoje se deve aos esforços dele.

Todas as escolas que frequentei tinham bibliotecas, mas tenho duas recordações significativas, a primeira era sobre a biblioteca móvel e a outra era a barraquinha de leituras. Desse modo ficava mais fácil para conseguir livros para ler, além disso, eram realizadas também disputas de leitura, tudo era muito prazeroso.

Uns anos atrás iniciei uma faculdade de licenciatura em Física no IFNMG, Campus Januária, que infelizmente tive que parar por motivos particulares. Hoje ingressei no mesmo curso na UFVJM.  Atualmente busco ler as publicações oferecidas no curso de licenciatura de Física, mas no momento não me adaptei com a dinâmica EAD.  Tenho por hábito ler diversos gêneros, tais como: textos narrativos, expositivos, injuntivos dentre outros, tenho costume de ler de tudo um pouco. Quando há hábito de ler, o indivíduo melhora sua escrita, seu vocabulário. Entretanto ainda assim acho complexo interpretar algumas atividades que são oferecidas no curso EAD. No ensino médio não tive aulas de economia e nem na parte burocrática então essa parte sofro para desenvolver, mas procuro me informar e adaptar para melhorar nessa área.  Estou realizando um sonho.



[1] Christiany Dias Mota é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Um retorno a minha infância escolar

Um retorno a minha infância escolar


Por Cristiano Rodrigues Pereira [1]

 

Quando na minha infância, criancinha não tinha acesso a livros e/ou textos em minha casa, mas me recordo que na época, minha mãe gostava de escrever cartas de cunho pessoal e, às vezes para outras pessoas que lhe pedia para escrever cartas para elas. Ela tinha prazer de contar histórias e enredos e falar dos personagens de livros que já tinha lido, era muito emocionante.

Já minha tia contava muitas histórias infantis para mim, e meu irmão. Em casa sempre tinha no domingo o jornalzinho de igreja ilustrativo que minha mãe trazia para nos ensinar sobre ensinamentos de Jesus Cristo. Tinha minha curiosidade, mas não entendia quase nada. Tive o prazer de ganhar vários gibis usados da tia, que ganhava nas casas de família que trabalhava. Gostava bastante do gibi dos irmãos metralhas onde tinham bastantes figuras e textos educativos da época. Aprendi meus números em casa com minha mãe e tia, foi meu primeiro acesso aos números, mas me encantei com os números mesmo na escola, nos primeiros aninhos na escola. Cheguei à escola já sabia contar até o número 30. E sabia a fazer algumas continhas fáceis de mais e de menos.

Comecei a somar e diminuir no meu segundo ano escolar era mágico e a linguagem dos números. Comecei a utilizar o meu aprendizado da escola em casa a partir dos oito anos de idade, quando vendia geladinhos no bairro. Um dos primeiros contatos com o dinheiro, entendendo o valor do dinheiro e o seu significado como usado para trocas comerciais.

A Escola tem um papel primordial para dar a acesso as crianças ao letramento e entendimento matemático através de seus códigos. Sem contar que a matemática está presente em toda e qualquer situação de forma intrínseca ou subjetiva. Comecei as escrever literalmente na escola aos cinco para seis anos de idade, mas sempre tive curiosidade de observar minha mãe escrevendo cartas ou textos, é acredito que ajudou bastante no processo na escola.

Minha família sempre me motivou a escrever para aprender a escrever, mas no início as primeiras letras eram enormes, parecia que não tinha coordenação nas mãos. Na escola escrevíamos textos a vida de Ivo ou Maria e lobo mau. O papel da escola foi essencial aos meus letramentos iniciais. Naquele tempo, os livros presentes pelos professores, para realização de leituras e para as práticas da escrita, eram de estórias infantis como O Lobo Mau, Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos, entre outros. O usamos a biblioteca da escola, porém o acesso era muito restrito pela quantidade de biblioteca naquele tempo, eram pouquíssimas.

O uso da leitura me proporcionou conhecimentos além de vários benefícios, como uma melhora na escrita e tendo uma boa interpretação dos aspectos que estou lendo, principalmente textos científicos. Já as práticas com números se fazem como o presente a todo o processo, pois números e a escrita andam alinhados em uma mesma sintonia. Posso afirmar que todas as palavras levam está sintonia na vida real.

No primeiro ano de faculdade tive muita dificuldade, pois fiquei sem estudar após o ensino médio por cinco anos. Mas no primeiro ano de faculdade tive que adequar as novas formas e perspectivas de leituras. Foram mudanças muito significativas e positivas ao processo educacional. Normalmente tenho hábito de fazer leituras de textos e temas propostos que me interessa. Os textos universitários são bem técnicos mais não é nada de outro mundo, tudo é questão de pratica com a leitura. Gosto do gênero sobre finanças ou negócios. Às vezes sinto falta de vários conhecimentos que ficaram vazios no estudo de matemática e até da própria língua portuguesa. Tenho um bom controle de minhas finanças, acredito que no ensino médio tive este preparo ajustado a minha vida, porque já utilizada o dinheiro desde cedo com vendas de alimentos para casa. Mas este preparo me auxiliou bastante em minhas vendas, porém acredito que seja insuficiente para as questões econômicas ou mercadológicas da época.



[1] Cristiano Rodrigues Pereira é graduando da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Em busca do conhecimento

Em busca do conhecimento

Por Célia Ribeiro dos Santos [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.



 

Quando criança, por ser de família humilde, não tive acesso aos textos. Tinha uma amiguinha, chamada Kelly, cuja mãe assinava a revista Recreio, que era entregue via correio mensalmente. Ela permitia, depois de ler, que eu visse a revista. Ficava muito empolgada com a revista, pois tinha jogos, vinha com tintas para pintar as figuras, CDs com historinhas diversas, como Os Três Porquinhos e A Branca de Neve.

Aprendi a contar no pré-escolar. Acesso aos números e reconhecimento do dinheiro foi aos 7 anos de idade. Na época, a moeda era o cruzeiro. Eu e meus irmãos, quando crianças, quebrávamos brita para a prefeitura para ganhar dinheiro. Na época, pagavam pelo tambor de brita quebrada. Um trabalho sofrido. Nossa alegria era a sexta-feira, pois conseguíamos receber o pagamento. Em seguida, comecei a ganhar dinheiro colhendo café na roça do meu irmão. Também recebíamos pelo tambor de café. Aos nove anos de idade, comecei a trabalhar para minha cunhada, cuidando das minhas sobrinhas.

Iniciei os meus estudos no pré-escolar, com 5 anos de idade, do que gostava muito. A professora ensinava com carinho, e a merenda era muito saborosa. A escola foi de grande importância para a meu letramento inicial, pois foi onde consegui ter acesso aos números, à escrita e à leitura, sendo minha família muito pobre, não tendo na época apoio no processo de ensino/aprendizagem. A escola não possuía biblioteca. A professora contava historinhas, ficando fascinada com aquele momento.

Nos anos iniciais, no Fundamental I, a professora trabalhava com a escrita do nome, onde era feita em uma ficha grande. Tive dificuldade em escrever o nome da minha escola: Escola Estadual Professor Abgar Renault. Esses dois últimos nomes eram uma dificuldade para o processo linguístico. Não tive acesso a livros. A historinha que nos contavam na época era Dona Baratinha. A biblioteca tinha poucos livros. A professora levava os alunos, uma vez por semana, para que pudessem realizar a leitura de um livro. Sempre ajudei minha mãe, lavando roupa no rio, buscando lenha na roça, plantando arroz, feijão etc., pois sobrevivíamos dos produtos que meu pai plantava e colhia na roça do meu irmão. Aos 10 anos de idade, trabalhava cuidando das minhas sobrinhas e ajudava minha mãe no sábado. Acordava às três e meia da manhã para ajudá-la.

No ensino fundamental, gostava do conteúdo de matemática e ciências. As professoras trabalhavam de forma que conseguíamos aprender, sendo importante, pois a forma como a professora ensinava me deixava cada vez mais apaixonada pelos números. No ensino médio, tive dificuldade em aprender o conteúdo, pois passei por uma fase difícil (estava doente) e meus colegas ficavam rindo de mim. Assim, acabei saindo da escola por vergonha e, um ano depois, retornei. O ensino havia mudado, não era mais magistério, iniciando um processo de ensino diferente, ao qual não me adaptei.

No ano de 2008, iniciei, na faculdade, através de uma bolsa de estudos, o curso de Sistemas de Informação, onde me imaginei criando programas de computador. Depois tive que abandonar, pois minha mãe tinha que fazer uma cirurgia e eu precisava acompanhá-la a Belo Horizonte. Quando voltei, não consegui acompanhar a turma, estava com meu filho ainda bebê e trabalhava. Optei em mudar para o curso de Administração, onde me encontrei. Estudei e ganhei uma bolsa de estágio no SICOOB CREDIVALE. Nesse período, fiquei doente, pois não tinha horário para comer, gastava muito tempo para chegar a faculdade, retornava de madrugada para casa. Era uma vida corrida. Adoeci, optei em largar os estudos. Oito anos depois, voltei para a faculdade, dando continuidade ao curso de Administração. Consegui pegar umas aulas de matemática no município e trabalhei por dois anos em uma comunidade rural. No ano de 2018, tive que deixar a faculdade, pois fui submetida à uma cirurgia. Dois anos depois, retornaria os estudos, mas veio a pandemia e tive que levar minha mãe para São Paulo para realizar outra cirurgia, ficamos seis meses por lá. Em 2022, passei no concurso da Prefeitura de Caraí-MG, na área da educação, onde trabalho atualmente. Consegui ingressar na Faculdade Federal depois de duas tentativas, na busca da realização de um sonho. O conteúdo de língua portuguesa me faz falta, pois sinto dificuldade na escrita. Busco ler livros para contribuir com o processo de letramento. A matemática sempre foi o meu contato direto. Desde cedo tive que administrar a minha vida e lidar com os desafios existentes.



[1] Célia Ribeiro dos Santos é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Aprender, ler, escrever e mudar o mundo

Aprender, ler, escrever e mudar o mundo

Por Camila Geissa Cardoso da Silva [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.



Anos atrás, eu era uma garotinha magrela, de família humilde, criada na roça, com avôs analfabetos. Somente minha mãe chegou a formar com muita dificuldade, pois tinha que andar vários quilômetros até a escola. Meu pai estudou até a quarta série. Meu primeiro contato com livros foi com a Bíblia da criança. Mesmo sem saber ler, folheava pelas gravuras, e minha mãe ia contando a história da criação do mundo. Gostava de folhear revistas que minha mãe ganhava na cidade. Adorava ver o povo bem-vestido, mesmo sem saber do que se tratava.

Sempre brincava de escolinha com meus irmãos, rabiscando com gravetos as folhas de bananeira que eram usadas como caderno. Foi assim que aprendi a letra A. Meu avô plantando as sementes e falando para eu escrever o nome dele. Eu inventava e era elogiada por ele. Aprendi a contar antes de entrar na escola, pois desde cedo ajudava a contar as frutas, legumes e sementes para plantar. Lembro que olhava minha mãe escrevendo em um caderno. Lá era onde ela colocava as receitas que achava nas revistas. Nunca fazia, mas colocava lá. No castigo, a contagem fazia parte. Tinha que separar os grãos de arroz e feijão e colocar em vasilhas separadas.

Entrei para a escola aos seis anos. Lembro do meu primeiro professor. Até hoje tio Adilson, rígido, cara fechada, cobrava muito a escrita. Aprendi o alfabeto. Aí, foi alegria: tudo que via, ia juntando as letras e tentando adivinhar a palavra. Foi assim até conseguir ler algumas palavras por meio do gaguejo e muita determinação. Ficava bem contente quando “mainha” ia me buscar na escola, pois era longe de onde morávamos, e eu ia cantando a cantiga que tinha aprendido naquele dia. Por horas cantava errado, e ela ia me ensinando. Os números, contava na roça. Mas para aprender deu mais trabalho. Apanhava quando errava muito na escrita. Ganhei um caderno de caligrafia do meu pai.

Todo dia treinava. Adorava ganhar moeda. Naquele tempo só me davam a de um centavo, que era a única que eu conhecia. Com o passar do tempo, fui aprendendo. Já ia à vendinha de seu Ferino, um senhor bem alegre, que me ajuda a somar as coisas e deixava anotar no papelzinho a soma para levar para minha mãe.

Passei para a primeira série. Então, chegou à escola a primeira impressora. O professor escolhia todo dia um aluno para ajudar na impressão. O cheirinho de álcool e as folhas manchadas pelo carbono ficarão eternamente na minha memória. A escrita evoluiu com o tempo. Com nove anos eu já sabia ler. Foi quando a professora mandou escolher um livro e ler para contar para os colegas na turma. Li um livro bem colorido e ilustrado da Branca de Neve e os Sete Anões. A partir daí, não parei mais. Foi Monteiro Lobato (tenho uma coleção até hoje), desde as Reinações de Narizinho até o Casamento da Emília, Cinderela, Ocaso da Borboleta Atíria, Alice no País das Maravilhas, O Pequeno Príncipe, Rei Arthur, Chapeuzinho Vermelho, crônicas, folclore, enciclopédias, romances e muitos outros que ainda fazem parte da minha história de vida.

A escola, sem dúvida, teve um papel de suma importância na minha vida, pois foi através dela que aprendi desde a escrita até a leitura e pude ensinar meu avô a escrever o seu primeiro nome. Ajudei meus irmãos na escola. Foram muitos incentivos e dificuldades, mas olhando para trás, tudo valeu a pena. Aqui estou eu, fazendo a minha segunda graduação e contando um pouco da minha trajetória de vida. Foi muita coisa que vivi, daria um livro de tantas histórias, pois foram muitas vivências, ensinamentos e aprendizados.

Aprendi a fazer uma redação de forma correta, mais abrangente, no Ensino Médio, pois os professores começavam a preparar os alunos para um concurso de redação que tinha nas escolas. Hoje, vejo que os meus maiores conhecimentos foram no Ensino Fundamental. O Ensino Médio deixou muito a desejar. Muitos alunos, sala barulhenta, jovens que, na maioria das vezes, levavam tudo na brincadeira. Fui dar valor quando iniciei meu primeiro curso de Assistente Jurídico, pois tinha que elaborar textos para o professor. Logo depois, em 2018, iniciei minha primeira graduação em Administração de Empresas. Não sou perfeita em tudo, mas tudo que aprendi levo até hoje para a vida como ensinamento. O que não sei, busco aprender. Foi isso que me motivou a fazer matemática após fazer o curso de Magistério: a vontade de poder fazer à diferença na vida de outros estudantes, ser formadora de opinião, e, sobretudo, ensinar da melhor forma aquilo que hoje estou aprendendo.



[1] Camila Geissa Cardoso da Silva é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

 A recâmara da leitura

 A recâmara da leitura

Por Bárbara Paola Soares Oliveira [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.



 

O meu primeiro encontro com as letras foi nos momentos de culto, sempre levava caneta e caderno para ficar desenhando enquanto o culto acontecia, era uma das melhores distrações para eu ficar quieta na igreja. Sempre fui muito de ouvir, me lembro que desde muito pequena me sentava e prestava atenção em todas as histórias bíblicas que eram contadas na salinha das crianças, que foi a minha primeira escola, a EBD (Escola Bíblica dominical).

Aos quatro anos entrei para creche, ali eu fiz o primeiro período, aprendi a escrever o meu nome completo, a contar, descobrir as cores e os personagens mais famosos da infância. E quando fiz cinco anos comecei a ler, até hoje me lembro da primeira palavra que li: “café.” Depois da minha primeira palavra eu me apaixonei pela leitura, lembro que sempre iam vender kits de livros na escola, e eu sempre comprava, tinha muitos livros e eu cheguei a lê-los diversas vezes ao ponto de decorar as histórias.

Com o passar dos anos escolares, fui me formando de opiniões, era sempre a primeira que levantava a mão para o momento de leitura, amava produzir frases e o meu momento favorito era as sextas-feiras em que fazia a ficha de leitura do livro que pegávamos na biblioteca da escola. Em cada fase escolar era uma descoberta diferente, vários gêneros textuais novos, e aquilo me deixava cada vez mais apaixonada por este mundo literário.

Quando estava no oitavo ano do ensino fundamental, participei de um concurso de poesia, com mais duas colegas de escola, e neste concurso ganhamos com o poema “Águas Cristalinas”. Cheguei a ir para cidade vizinha participar de um Psiu Poético, que publicou o nosso poema em seu livro de poesia daquele ano. Nesse período também comecei a me desafiar, e consegui ler toda a Bíblia no período de um ano.

Porém, após esse período de grande apreciação pela leitura, comecei a diminuir meu ritmo, e neste momento ler não era meu hobby, o único livro que lia constantemente era a Bíblia. Comecei a gostar de experimentos, cálculos e muita ciência do corpo humano. Preferia a prática ao teórico, e lê me causava muita preguiça. Neste tempo eu não lia mais livros seculares, mas, não abri mão da escrita, sempre escrevia textos e histórias melancólicas quando queria me distrair. O que me ajudou muito num período de crises de ansiedade que passei.

E na pandemia nasceu de novo um amor pelos livros, voltei a ler, e hoje tenho uma grande coleção de bíblia e estou fazendo minha coleção de livros. Claro, tenho meus gêneros favoritos, mas só de ver um amontoado de letras em uma folha já me desperta a vontade de querer descobrir o que há escrito ali.

Essa é a minha recâmara da leitura, espero que nesse novo ciclo universitário eu possa estender o meu conhecimento com a ajuda da leitura.



[1] Bárbara Paola Soares Oliveira é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Crescimento e conhecimento

Crescimento e conhecimento

Por Andréia Martins Ferreira [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.

Comecei a ter uma noção de leitura antes mesmo de começar a frequentar a escola, pois eu ia sempre à igreja com meus pais e tinha acesso aos jornaizinhos e bíblias. Sempre fui muito curiosa e procurava aprender as coisas por vontade própria. Ainda criança comecei a ter um interesse muito grande pela música. Sendo assim, meu pai comprava DVDs para que eu pudesse cada vez mais aprimorar meus conhecimentos sobre isso. Com dois irmãos mais velhos, de certa maneira, eles me conectaram aos conhecimentos escolares antes mesmo de começar a estudar.

Antes, eu sempre ficava “de cima”, com muita curiosidade, da lição de casa dos meus irmãos para tentar entender do que se tratavam todos aqueles livros e cadernos. Tudo que eles falavam e faziam eu procurava repetir, como meio de aprendizado. Quando chegou a idade em que eu podia me matricular (fase introdutória na época), como eu já havia aprendido bastante coisa, como ler, escrever, fiz uma avaliação que me permitiu avançar uma série. Sempre ganhava moedas dos meus pais para que eu pudesse comprar algum lanche a caminho da escola. Assim, já fui começando a ter uma noção básica do que eu podia ou não gastar. A matemática sempre foi uma das matérias que eu mais gostava, e que eu tinha grande facilidade em aprender. Meus pais e professores sempre estiveram ao meu lado, com muita paciência, buscando sempre me incentivar cada vez mais.

Aos 5 anos de idade, eu já sabia escrever meu nome e juntar letrinhas para formar palavrinhas. Logo a seguir, com o passar dos anos, fui aprimorando cada vez mais e, aos 7 anos, já escrevia cartinhas para os “namoradinhos”. Na escola, sempre eram dadas produções de textos, e eu sempre tinha muita criatividade para criar histórias. Sempre, ao final de cada aula, eu amava ir à biblioteca da escola e pegar gibis para levar para casa, e passava horas e horas vendo figuras e juntando palavrinhas. Sempre que faziam eventos, eu amava participar, pois para mim era um meio de aprofundar e aprimorar o meu conhecimento. Ao longo dos anos, esse conhecimento foi aumentando cada vez mais, e eu sempre tirava notas boas.

Apesar de sempre tirar notas boas, eu sempre tive maior facilidade com os números, em vez das leituras. Mas, sem dúvida, a escola foi para mim um marco de extrema importância, da qual guardo grandes lembranças. Formei no Ensino Médio, aos 16 anos, e, aos 18, já havia concluído um curso técnico em multimeios didáticos.

Hoje, mãe de um menino de 4 anos, que também já iniciou sua vida escolar, procuro incentivar e dar total apoio, assim como eu tive oportunidade de ter esse suporte na minha infância. Ainda tenho certas dificuldades com algumas coisas, mas procuro sempre buscar meios de tirar minhas dúvidas.

[1] Andréia Martins Ferreira é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

O letramento e minha infância

O letramento e minha infância

Por Ana Adilza Lemes Martins Soier [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.

Fonte:

Na minha infância não tive acesso a textos escritos antes de ingressar na escola. Meus pais eram analfabetos, não entendiam a importância dos livros na vida da criança. Mesmo se entendessem, não tinham condições financeiras para arcar com mais gastos. Mas de uma coisa me lembro bem: foi quando minha mãe, depois de concluir seus afazeres, depois de tomarmos banho e deitarmos (falo todos, pois éramos quatro irmãos), começava a contar histórias, e as histórias eram coloridas, cheias de detalhes, suspenses e todas com lição de moral no final.

Meu primeiro acesso aos livros e aos números foi na escola. Nela aprendi o alfabeto, a somar, a diminuir, aprendi sobre o valor do dinheiro nos livros de matemática. Os problemas matemáticos envolviam compras, dinheiro, coisas do meu cotidiano. Gostava muito.
Aprendi a ler e a escrever aos oito anos. Transcrevia uma ficha que continha os alfabetos maiúsculos e minúsculos, nome do aluno, da escola. Não gostava muito de aprender por repetição. Usava o livro “O Barquinho Amarelo”.
Nos anos iniciais do Ensino Fundamental consegui absorver tudo que foi ensinado, e quando tinha dificuldade em algum conteúdo, era aprendido em aulas de reforço. Já nos anos finais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio não fui muito bem na escola, pois perdi minha mãe e não tinha contato com meu pai e parentes. Éramos todas crianças. Ao invés de estudar, estávamos focados em sobreviver. Mas sair da escola nunca foi uma opção. Mesmo com todos os desafios, consegui concluir o Ensino Médio.

Minha experiência em quase um mês de faculdade está sendo muito boa. Há várias formas de aprender no ambiente virtual: por textos, vídeos, webconferências, fórum, chat etc. Meus hábitos de leitura mudaram. Passei a ler mais (o que é positivo), pois assim terei um melhor desenvolvimento na interpretação e compreensão de textos, terei mais argumentos e referências. Ainda estou me organizando com os estudos, mas pretendo inserir mais livros na minha rotina.
Nesses doze anos de vida escolar, o que sinto falta, e não foi ensinado na escola, foi sobre educação financeira. Não aprendi a declarar imposto de renda, a economizar, não aprendi coisas do dia a dia, que hoje preciso, mas não sei fazer.

[1] Ana Adilza é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Minha jornada de letramento

Minha jornada de letramento

Por Amanda Oliveira Mourão [1]

Ouça o texto lido pela própria autora a seguir. O texto completo, em formato escrito, segue logo abaixo.

Fonte:

Não me recordo do primeiro contato que tive com a escrita, mas me lembro de ter sempre em casa papel sulfite e giz de cera, os quais utilizava para desenhar e me divertir. Outra forma de me entreter era com as cantigas de roda que meus pais cantavam para meu irmão e eu, além das histórias de vida vque adorávamos escutar. Havia muitos livros em casa, didáticos e literários, pois meus pais apreciam a leitura e sempre foram muito estudiosos. Apesar de ambos virem de uma família humilde, meus avós sabiam da importância do conhecimento e passaram esses valores aos meus pais, que me repassaram.

Não me recordo do primeiro contato que tive com a escrita na infância, mas lembro-me de ter sempre em casa papel sulfite e giz de cera, os quais utilizava para desenhar e me divertir. Outra forma de me entreter era através das cantigas de roda que meus pais cantavam para meu irmão e eu, além das histórias de vida deles e dos nossos avós, que adorávamos escutar. Havia muitos livros em casa, didáticos e literários, pois meus pais apreciam a leitura e sempre foram muito estudiosos. Apesar de ambos virem de uma família muito humilde e de todas as dificuldades que enfrentaram na vida, meus avós sabiam da importância do conhecimento, do letramento e passaram esses valores aos meus pais, que me repassaram.

Quando ingressei na educação infantil, não me adaptei bem aquele novo ambiente, não me recordo de nenhum aprendizado na primeira escola que frequentei. Naquela época a maioria das minhas tias eram professoras, algumas em uma determinada escola, na qual meus pais decidiram me matricular. Nessa outra escola, lembro-me de ter o meu primeiro contato com as letras e números, de treinar a caligrafia. A minha professora do primário, Estela, nos ensinava de uma forma muito leve e lúdica, o que nos motivava a aprender. Em relação aos letramentos matemáticos, me recordo de levar embalagens vazias de produtos para montarmos um mercadinho fictício e recebíamos uma certa quantia para fazermos compras de brinquedos, para que começássemos a atribuir valor as coisas.

Após aprender a ler, comecei a ganhar livros dos meus pais e tias, com histórias bíblicas, contos de fadas, gibis da turma da Mônica, dentre outros. Durante o meu ensino fundamental, meu pai começou a assinar algumas revistas, que tratavam sobre política, economia e cultura, para me incentivar a ler e adquirir conhecimentos sobre os acontecimentos no Brasil e no mundo. Também tínhamos um Atlas em casa, que utilizava para alguns trabalhos da escola. Além disso, tinha acesso a biblioteca da escola, tanto no ensino fundamental, como no ensino médio e tínhamos um momento específico para leitura de livros literários durante algumas aulas de português.

Ao ingressar na universidade, meu hábito de leitura passou a estar mais relacionado aos materiais didáticos referentes as disciplinas que cursava. Aprendi que era necessário buscar além daquilo que o professor oferecia para aprender de uma maneira mais efetiva, principalmente durante a pós-graduação, em que a aprendizagem se torna mais autônoma. A leitura me proporcionou diversos benefícios ao longo da minha vida, como a melhora da escrita e da capacidade de comunicação, uma melhor compreensão do mundo e o meu desenvolvimento pessoal.

[1] Amanda é graduanda da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Prática de Leitura e Produção de Textos, ofertada no primeiro semestre de 2023. A organização e edição do material foi feita pelo Projeto de Extensão Aula Digital.

Este trabalho foi orientado pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, com as ricas contribuições na revisão e organização do tutor Marcos Roberto Rocha.

Condições para garantia do direito a estudar dos povos do campo

Condições para garantia do direito a estudar dos povos do campo

Reflexões da disciplina de práticas de ensino do núcleo Médio/Baixo Jequitinhonha

Este texto tem como objetivo relatar a experiência da disciplina de Prática de Ensino do curso de Licenciatura em Educação do Campo da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (LEC-UFVJM) do Núcleo de Alternância Médio e Baixo Jequitinhonha. A partir do tema integrador: “Organizações das bases em comunidades do campo e quilombolas em tempo de pandemia, importância das mobilizações e militâncias, dos movimentos sociais na Educação do Campo”, os estudantes, junto à professora responsável, concentraram-se em trabalhar na disciplina com as condições de acesso à educação dos povos do campo da região. 

Para isso, utilizou-se como ferramenta para levantamento de dados um formulário eletrônico (Google Forms) enviado via WhatsApp para representantes de várias instituições do Médio e Baixo Jequitinhonha, como movimentos sociais, instituições de ensino, sindicatos, lideranças comunitárias etc., com o intuito de se entender quais melhorias se fazem necessárias para que os estudantes do campo da região tenham acesso a um ensino de qualidade. O questionário continha seis perguntas sobre as condições educacionais dos estudantes ligadas aos seguintes temas: estratégias, incentivos, obstáculos, mobilizações, condições políticas/ estruturais/ pedagógicas/ didáticas, atuais e as necessárias nas instituições de ensino de educação básica, técnica e ensino superior.

Obtivemos retorno de 16 representantes cujas respostas são analisadas neste trabalho. Para um melhor resultado foi subdividido o grupo de estudantes em duplas e temas a partir dos dados obtidos. Essa pesquisa pode ser representada pelo mapa abaixo:

Na primeira pergunta (Quais os principais obstáculos (pedagógicos e estruturais) estão sendo enfrentados pelos estudantes do campo na adaptação da atual modalidade de ensino na pandemia?), o que se mais se repetiu foram a falta de acesso à internet, transporte e equipamentos digitais que, direta ou indiretamente, afetam todos as demais questões.

Já nas respostas à segunda questão (Quais as condições [didáticas, pedagógicas, políticas e estruturais] seriam apropriadas para o atendimento aos estudantes do campo de maneira satisfatória?), o acesso à internet e a equipamentos digitais continua sendo o forte da discussão, como também a capacitação de professores na área, carga horária excessiva dos docentes e a necessidade de uma visibilidade maior por parte do estado em relação às Escolas Família Agrícola/Agroecológica (EFAs), que passa uma quantia insignificante de recursos a essas escolas.

Dando continuidade, a terceira pergunta (Quais são as estratégias adotadas para pressionar os órgãos de governos para enfrentar as desigualdades e as dificuldades do sujeito do campo no acesso à educação?)  também trouxe resposta com um enfoque bastante realista do cotidiano dos estudantes. Nesse sentido, foram mencionadas algumas ferramentas a serem utilizadas para mobilização como audiências públicas que podem ser promovidas pelos representantes dos movimentos ligados à educação do campo, onde a participação campesina deve ser bastante presente. Ressaltaram em suas respostas a necessidade de se pressionar o estado para criar políticas públicas permanentes.

Com os dados da resposta da quarta pergunta, (Frente a uma possível desmotivação dos sujeitos do campo para ingressar/permanecer nos estudos, qual (is) incentivo (s) poderia(m) ser adotados para despertar o interesse novamente?), foi possível constatar que é imprescindível que haja incentivos que contribuam para o interesse dos estudantes no ingresso, permanência e continuação nos estudos. É necessário que esses educandos possam entender a importância da educação para o desenvolvimento pessoal e coletivo, especialmente para os povos campesinos. É preciso que compreendam a educação como uma ferramenta essencial no entendimento, na busca e na luta por direitos, fazendo-se necessário que haja uma implementação e ampliação de políticas públicas que possibilitem aos estudantes acesso a uma educação de qualidade em que as instituições de ensino sejam lugar de produção do verdadeiro conhecimento, um espaço educacional que faça sentido e diferença na vida dos educandos. Para isso, é preciso que as escolas tenham estrutura (física, pedagógica, didática etc.) de qualidade, professores com boa remuneração, boa formação e valorização do seu trabalho. Ademais, é importante que haja iniciativas públicas que ampliem e implementem políticas de apoio rural, que os projetos e iniciativas dos jovens do campo sejam valorizados e apoiados, pelos órgãos governamentais e não governamentais.

Com base nas respostas à quinta pergunta (O que a comunidade, professores, associações, sindicatos, movimentos sociais e secretarias de educação, têm feito para melhorar e mudar esse cenário de precarização da infraestrutura e ou fechamento das escolas do campo e perda de outros direitos para acesso e permanência do sujeito do campo nas instituições de educação básica, técnica e superior?), foi possível perceber que um caminho fundamental para incentivar os estudantes é trazer representatividade para o ambiente educacional, bem como apoio profissional. Isso pode ser possível ao levar para esses ambientes experiências comunitárias por meio de relatos de pessoas do contexto do educando para o compartilhamento dos saberes. Além disso, é importante levar profissionais da saúde, como psicólogos, terapeutas, enfermeiros, e de outras áreas de conhecimento como pedagogos, engenheiros, agricultores etc., para apoiarem as inciativas e, ainda, para que os estudantes possam se imaginar como profissionais nessas carreiras.

No que se refere à luta em prol da educação do campo, percebe-se de acordo com as respostas, que há muito que o fazer e muito o que movimentar. A maior parte das mobilizações é feita pelos movimentos sociais que, muitas vezes, sofrem ataques pelas reivindicações. A sociedade ainda não se conscientizou da necessidade e da importância da educação do campo. Muitas pessoas, inclusive algumas campesinas, se deixam levar pela desinformação e pela politicagem. E no que tange aos órgãos públicos, a maioria não apoia com medidas efetivas os direitos dos povos do campo como deveriam. 

Fundamentados nos dados da sexta pergunta (Quais condições seriam necessárias para garantir acesso e permanência aos estudantes do campo nas instituições de ensino básico, técnico e superior?), é possível afirmar que, no cenário atual, muitas condições básicas ainda precisam ser efetivadas para garantir acesso e permanência aos estudantes do campo nas instituições de ensino. Há necessidade explícita de infraestrutura de qualidade como: moradia estudantil ou alojamentos, salas de aula, bibliotecas, laboratórios, espaços para educação física e artística, transporte, bolsas, alimentação e internet, escolas localizadas no campo, creches e educação infantil para as crianças do campo, formação docente específica e continuada, dentre vários outros.

A educação do campo é um direito e como tal deve ser respeitado. Quando isso não ocorre é preciso ficar atento e se movimentar, por meio de denúncias do poder público, mas também de ações efetivas dos próprios povos do campo.

Embasados nos resultados da pesquisa, o núcleo criou uma série de áudios que anuncia, denuncia e reage às questões levantadas. Ficou curioso? Venha conferir clicando nos links disponibilizados abaixo.

Participantes do Núcleo Baixo e Médio Jequitinhonha no semestre 2021/01:

Ângela Gomes Freire;

Anielli Fabiula Gavioli Lemes;

Carla Batista Dias;

Denilson da Silva Pereira;

Eliene de Souza Silva;

Fabíola Pereira Borges;

Ingred Pereira da Silva;

Karina Mendes Luiz;

Lauane da Silva Lemes;

Madilene Geni Ferreira;

Maria Amélia Martins de Matos;

Maria Rosa Marques de Matos;

Marília Gabriela Rodrigues da Silva;

Rozilene Pereira da Silva; 

Sabrina Santos Esteves;

Silmara da Silva Pereira e

Solange Pereira dos Santos.

A Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira e a pandemia: a voz da direção

A Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira e a pandemia: a voz da direção

Por Izabela Pilar Alves Ferreira [1]

Este é um relato produzido a partir de um questionário semiestruturado respondido pelo diretor responsável pela Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira, situada no município de Milho Verde, o Professor Maycon de Souza Ferreira. O questionário teve como objetivo obter algumas informações sobre o funcionamento da escola na pandemia. 

O Professor Maycon atua há 1 ano e 6 meses como diretor da escola e, antes de exercer a função, foi docente. Maycon é licenciado em geografia e mestre em Estudos Rurais pela UFVJM. O quadro de funcionários de sua escola é composto por 25 professores, 1 secretário, 1 supervisor, 7 auxiliares de limpeza, 1 diretor e 1 vice-diretor, com o número total de 345 alunos matriculados.

Milho Verde, distrito pertencente à cidade de Serro-MG, é um vilarejo que conta com uma população com menos de 3.000 mil habitantes. A referida escola funciona no modelo rural/campo nucleada e atende comunidades que chegam a um raio de quase 30 km da sede da escola, onde existe uma grande diversidade cultural, econômica e social. A escola recebe estudantes de aproximadamente 14 comunidades rurais que são: Milho Verde, Barra da Cega, Boqueirão, Macacos, Ausente de Baixo, Ausente de Cima, Três Barras, Lavoura, Chico Prata, Capivari, Amaral, Serra Da Bicha, Jacutinga e Vargem Do Breu.

Segundo o diretor, o Regime Especial de Atividades Não Presenciais (REANP) foi uma estratégia da Secretaria Estadual de Educação (SEE) – MG de mitigar os impactos pedagógicos e sociais provocados pela pandemia da Covid 19. Nesse sentido, o REANP cumpriu em partes sua proposta. Para Maycon, o maior desafio foi se adequar a um novo modelo o qual não estávamos preparados, com problemas como o acesso aos meios virtuais e outros. Contudo a escola se viu na necessidade de criar meios e estratégias para atender as demandas que surgiram. Os professores, então, tomaram como ponto de partida a leitura e estudo das orientações da SEE-MG e da Secretaria Escolar Digital (SED) – Diamantina. Desde então, o trabalho em equipe tem sido feito através de reuniões virtuais, com intuito de alinhar as estratégias semanalmente.

O diretor ainda diz que sua percepção final sobre o REANP-MG teve sim muitas falhas, mas foi a solução para que os estudantes não ficassem ainda mais prejudicados com toda essa situação que estamos vivendo. Sobre a merenda escolar, o diretor informa que, no início, não tinha muita informação de como proceder. No entanto, o governo de Minas Gerais providenciou a distribuição de kits de merenda, quando a escola trabalhou em parceria com a Secretaria Municipal de Educação da cidade de Serro.

O diretor destacou o cuidado das políticas públicas no processo de aquisição de merenda, com produtos alimentícios da agricultura familiar local, de acordo com as estratégias PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar). Os alimentos que compuseram os kits entregues foram farinha, fubá, rapadura, tempero, colorau, entre outros. 

O diretor finaliza dizendo “Agora que a vacina está sendo liberada, temos uma pequena parcela de esperança que um dia as aulas possam voltar para o seu modo presencial, e que as aulas remotas possam ficar em segundo plano, ou até mesmo paralela a realidade rural, pois está sendo um grande desafio. Vamos continuar fazendo o nosso dever como cidadãos, contribuindo para uma educação e uma sociedade melhor no futuro”.

[1] Izabela é estudante da Licenciatura em Educação do Campo (LEC), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Este relato foi produzido a partir de pesquisa supervisionada pelo professor Vítor Sousa Dittz, da Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira, e orientada pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, da UFVJM, no âmbito do PIBID-UFVJM.

Agradecimentos aos estudantes-sujeitos e suas famílias, bem como ao diretor da E. E. Professor Leopoldo Pereira, o professor Maycon Souza.

Universidade, letramentos e novas tecnologias no contexto da Educação do Campo

Universidade, letramentos e novas tecnologias no contexto da Educação do Campo

Hoje, 12/07/2021, a partir das 18hs, no programa de Apoio Pedagógico da FALE/UFMG, a conversa é sobre “Universidade, letramentos e novas tecnologias no contexto da Educação do Campo”

Carlos Henrique Silva de Castro (UFVJM) é o convidado que trará resultados do seu estágio pós-doutoral na FALE/UFMG.

Acesso: https://youtu.be/26lzX7q_7oM

Certificados: fique de olho na lista/formulário no chat ao vivo, ao final da live. A carga horária total das participações serão somadas em um único certificado a ser entregue ao final da temporada.

Carlos Castro é doutor em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG / 2011-2015) com período sanduíche na University of California, Santa Barbara (UCSB / 2013-2014). Fez estágio pós-doutoral também na UFMG (2018-2019) com pesquisa acerca de letramentos digitais e educação do campo. Atua no Ensino Superior pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) no curso Licenciatura em Educação no Campo, habilitação em Linguagens e Códigos. Na mesma instituição, é professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas (PPG-CH), Linha de Pesquisa Estudos da Linguagem e Cultura.

A mediação será da Professora Andreza Carvalho (FALE-UFMG) e a coordenação fica por conta da Professora Heloísa Penna (FALE-UFMG). 

Relembrando meu passado

Relembrando meu passado

Por Adilson Gomes Santos [1]

Durante minha infância, o acesso a textos escritos não era comum, visto que poucas pessoas de meu convívio tinham acesso à educação formal e, consequentemente, à escrita. Eu tinha acesso a áudios da rádio comunitária ou de fitas gravadas. Naquela época, tinha contato também com a Bíblia Sagrada. Por sermos crianças, e porque meus pais a consideravam um livro sagrado, apenas um adulto poderia ter contato direto com a Bíblia. Mesmo assim, eu ouvia a leitura do texto sagrado feita por minha mãe, com voz um pouco insegura em função de ela ter estudado apenas até a quarta série do Ensino Fundamental. As leituras da Bíblia eram reforçadas na igreja, principalmente nas ocasiões em que o padre estava presente nas missas. Além das escrituras, lia textos que circulavam no meio em que vivia, como bulas de medicamentos, listas de compras, listas de despesas de cada mês etc.

Eu me lembro que entre seis e sete anos, fui presenteado com uma fita de áudio com músicas de lambada, ritmo rápido e contagiante que me interessava tanto que ficava ao lado do toca-fitas. Ouvia, também, na casa de minha avó, o áudio do Ofício da Imaculada Conceição, música religiosa, todas as tardes. Desses áudios, o que mais gostei foi o da fita de Ofício, porque naquela época precisávamos saber a rezar o Ofício, como estratégia utilizada por nossa comunidade quilombola para preservar a cultura afro-brasileira. Participava de encontros coletivos para ouvir as contações de causos ou para fazer a Oração do Terço, tradições orais ainda hoje preservadas em minha comunidade.

Antes de frequentar a escola, tive contato com a prática de escrita por intermédio das atividades diárias da minha mãe. Quando ela deixava folhas ou listas de compras em locais baixos, eu aproveitava a oportunidade para rabiscar as folhas. Percebendo minha curiosidade e vontade de escrever, minha família me presenteou com uma caixinha de canetinhas e um caderninho de arame. Confesso que usava mais a parede para tentar escrever do que o caderno. Ficava ali, tentando reproduzir o alfabeto ou desenhando os animais, como, por exemplo, minha cachorrinha Floresta. No início de minha alfabetização, nos primeiros anos escolares, tive uma professora muito dedicada, a tia Lúcia do Celin, que alfabetizava usando metodologias que prendiam nossa atenção. Uma delas consistia em usar imagens de objetos presentes em nosso dia a dia relacionadas às letras do alfabeto.

Minha motivação para escrever iniciou-se com as atividades propostas pela professora, que levava contos para serem trabalhados em sala de aula. Essas narrativas, que faziam parte de minha (de nossas) vivência(s), eram expostas em sequências de imagens para que pudéssemos, a partir delas, elaborar textos escritos nas aulas de português. A escola, portanto, teve uma função muito relevante em meu aprendizado, ou melhor, em meu processo de letramento, porém acredito que poderíamos ter tido contato com os livros que ficavam trancados nos armários do “Cantinho de Leitura”.

A leitura era mais cobrada nos anos finais do Fundamental I. Tínhamos responsabilidades ao pegar os livros literários chamados de “novos” pelos professores, mas não via um real incentivo à leitura. Queriam que tivéssemos acesso ao livro, e os textos produzidos eram a partir de sequências de imagens e dos relatos do sobre o período de férias.

No ensino Fundamental II continuei a ter contato com a literatura. A partir da quinta série, estudei em uma escola Estadual que possuía uma biblioteca com um grande acervo de livros, o que facilitou a diversificação de textos. Os professores, muitas vezes, escolhiam quais livros seriam lidos, mas a partir dessas escolhas surgiu em mim uma grande curiosidade pelos textos, no sentido de buscar saber o que estava por trás daquela escrita, algo que ia além daquilo que nossos olhos alcançam. Mais tarde, em função de minha curiosidade pela Bíblia Sagrada, participei de cursos para melhor compreendê-la.

Chegando ao ensino superior, tive a sensação de que sabia muito pouco. Precisei despertar o leitor e o escritor que estavam adormecidos dento em mim. Em minha trajetória de vida não tive contato com textos teóricos, por isso, tive uma grande dificuldade para ler e interpretar textos deste tipo. Entretanto, tenho superado os obstáculos. Percebo que, muitas vezes, o professor quer trabalhar de forma contextualizada, mas existe uma grade curricular que funciona como uma barreira que limita a atuação do educador. Assim, acredito que o docente nem sempre é culpado pela má formação de seus alunos.

[1] Este texto é parte do ebook Memórias de Letramentos II: Outras Vozes do Campo, disponível para download gratuito aqui: https://auladigital.net.br/ebooks

Visibilidade Trans: a força e a coragem de abraçar e de votar

Visibilidade Trans: a força e a coragem de abraçar e de votar
www.facebook.com/DudaSalabert/

 Por Ângela Gomes Freire

Em janeiro de 2019, a comunidade UFVJM teve oportunidade de conhecer Duda Salabert, vereadora eleita como mais votada em Belo Horizonte, em uma palestra promovida pelo curso de Medicina, no Campus da UFVJM. O título da palestra foi “Abraçar, fortalecer e dar visibilidade a coletivos e projetos sociais que transformam a realidade de Minas Gerais”.

Na ocasião, quando as turmas da Licenciatura em Educação do Campo (LEC) estavam em Tempo Universidade, período dedicado aos estudos propriamente na universidade, debatiam, na disciplina Diversidade e Educação, ofertada a todo o curso no quinto período pelo Prof. Dr. Carlos Henrique Silva de Castro, as nuances dos gêneros e das diversidades na sociedade brasileira. Na dinâmica dos trabalhos, um grupo de estudantes desenvolveu um breve artigo intitulado “Visibilidade Trans – Conhecer para Respeitar”, publicado no primeiro volume do Cadernos de Diversidades & Educação do Campo: opiniões de campesinos e quilombolas [1], ebook lançado pela Editora UFVJM.

Na publicação, Duda Salabert é citada como ativista em defesa da população trans e como primeira pessoa trans a disputar uma vaga ao senado por Minas Gerais, em 2018, pleito no qual recebeu mais de 300 mil votos. Dois anos depois, nas eleições municipais da capital do estado, um resultado histórico para a população trans motivou a rede de notícias da UOL, em 16 de novembro, a estampar a seguinte manchete: “Com recorde de candidaturas, 25 transexuais e travestis se elegem no Brasil.” [2] Entre essas pessoas está Duda Salabert, a mais votada de todos os tempos da capital mineira com mais de 37 mil votos. O recorde anterior era de pouco mais de 17 mil.

Esse resultado pode ser entendido de diferentes formas, mas para muitos é uma resposta ao presidente Jair Bolsonaro e correligionários, que comungam de valores, bem como propagam ataques, homofóbicos e racistas. O grupo, desde que assumiu o governo como é amplamente divulgado, não para de incitar ódio, a violência e o preconceito com as populações LGBTIQA+, como é amplamente debatido. Para eles, a questão LGBTIQA+ é entendida como “ideologia de gênero” e como algo contrário à fé cristã.

A partir desse entendimento, agem autoritariamente, chegando a ameaçar a vetar filmes LGBTIQA+ de editais de cultura, conforme notícia o jornal Le Monde Diplomatique Brasil em 19 de fevereiro de 2020 [3]. Segundo o periódico, em agosto de 2019, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) suspendeu um edital para séries que seriam exibidas na TV pública, cujos projetos pré-selecionados incluíam temáticas racial e LGBT. Durante uma live em sua rede social, Bolsonaro assumiu sua intervenção direta na agência e a censura praticada às obras. Dentre seus ataques, disse coisas como “livro didático com temática LGBT estimula crianças ao sexo”, conforme estampa a revista Carta Capital em 16 de agosto de 2019 [4]. 

Já o portal G1 [5] divulgou uma entrevista coletiva do presidente, no Palácio da Alvorada, em que um repórter lhe perguntou sobre os planos de transferir a embaixada brasileira em Israel, de Tel Aviv para Jerusalém, o presidente proferindo palavras de completa vulgaridade, diz ao jornalista: “Você tem uma cara de homossexual terrível. Nem por isso eu te acuso de ser homossexual. Se bem que não é crime ser homossexual”.

Entre estas e outros ataques de desrespeito, vulgaridades e abusos proferidos pelo presidente, a BBC News, em 11 de novembro/2020 [6], noticiou a suspensão de estudos envolvendo a descoberta de uma vacina a ser fabricada pelo Instituto Butantan, de São Paulo, contra o vírus da COVID-19. Na oportunidade, Jair Bolsonaro reitera, em alto e bom tom, que o Brasil deveria “deixar de ser um país de maricas” por causa da pandemia, causada pela COVID-19: “Não adianta fugir disso, fugir da realidade. Tem que deixar de ser um país de maricas. Olha que prato cheio para a imprensa. Prato cheio para a urubuzada que está ali atrás. Temos que enfrentar de peito aberto, lutar. Que geração é essa nossa?”.

Nesse contexto de ataques contra as minorias, as eleições municipais representaram bem a organização dessas populações, a exemplo da LGBTIQA+, em questão aqui, mas também da comunidade negra que elegeu outras duas vereadoras. No caso dos LGBTIQA+, em 2016, foram apenas 89 candidaturas, sendo eleitos somente 08. Dessa vez foram 323 candidaturas, com 25 eleitos em 22 diferentes cidades do Brasil, segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) [7]. Assim, as eleições municipais representaram bem a organização dessa população.

Duda Salabert, de Belo Horizonte, tem 39 anos de idade, é casada e tem uma filha, nascida em 19 de junho de 2019. É formada em Gestão Pública pela UEMG, exerce a profissão de professora de literatura em escola de rede privada. Sua história é de um trabalho incansável que a levou ao vitorioso resultado. Antes da já citada eleição ao senado, Duda fundou uma ONG chamada TRANSVEST, sem fins lucrativos, na qual atua assiduamente em defesa dos direitos transgêneros e com atividades para ajudar a pessoa trans a se inserirem no mercado de trabalho. No espaço ocorrem palestras, cursos de pré-ENEM, supletivo, libras, línguas e outros profissionalizantes.

Sua campanha intitulada “lixo zero” não usou nenhum “santinho”, adesivo ou panfleto; defendeu a causa animal e vegana e ainda pontuou questões que estão diretamente ligadas às mazelas das periferias como educação, emprego, áreas verdes e combate às enchentes. Como primeira medida como eleita, prometeu plantar uma árvore para cada voto alcançado, mas com a ajuda da população para essa ação e outras ligadas à questão ambiental, a exemplo de um “Plano Municipal de Crescimento Verde”. Segundo ela, o resultado nesta eleição é uma vitória da democracia, fruto de uma construção política feita ao longo de muitos anos. A nota completa de agradecimento aos eleitores, compartilhada em suas redes sociais [8] um dia após a eleição, pode ser conferida abaixo.

www.facebook.com/DudaSalabert/

O XIV CILTec Online agradece às quase 150 submissões de trabalhos recebidas

O XIV CILTec Online agradece às quase 150 submissões de trabalhos recebidas

Estamos trabalhando para dar todos os pareceres até 15/10/2020. Para isso, contamos com uma equipe de pareceristas de diversas instituições brasileiras, a quem agradecemos muitíssimo as contribuições.

As inscrições pra ouvintes continuam abertas até dia 04/11/20, 1º dia de evento.Para se inscrever, acesse nosso tutorial: https://eventos.textolivre.org/…/Tutorial%20para%20CADASTRO…

Para ir direto à nossa página, acesse bit.ly/3gx95LQ.

Em breve divulgaremos as conferências convidadas.

Cadernos DIVERSIDADES & EDUCAÇÃO DO CAMPO, v. 1

Cadernos DIVERSIDADES & EDUCAÇÃO DO CAMPO, v. 1

O projeto Olhares do Campo organizou o Cadernos Diversidades & Educação do Campo, v. 1, com opiniões de campesinos e quilombolas dos Vales sobre as temáticas.

Originalmente, os textos foram publicados semanalmente, de janeiro a abril de 2020.

O material completo pode ser acessado pelo site do programa Aula Digital, do qual o Olhares do Campo faz parte, nesta página que tem outros ebooks produzidos no âmbito da Licenciatura em Educação do Campo da UFVJM: https://auladigital.net.br/wp-content/uploads/2020/08/CADERNO-DIVERSIDADES-E-EDUCA%C3%87%C3%83O-vol1.pdf

Soberania Alimentar na Agricultura Familiar em Tempos de Pandemia Muda a Rotina de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Coração de Jesus-MG

Soberania Alimentar na Agricultura Familiar em Tempos de Pandemia Muda a Rotina de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Município de Coração de Jesus-MG

Em tempos obscuros, o caminho para ressignificação de mulheres trabalhadoras rurais no campo em Coração de Jesus tem sido a produção de hortaliças e verduras orgânicas.

 Por Mariana Soares e Rosiane Pereira

Arquivo pessoal das autoras

Nas comunidades rurais, a soberania alimentar dos  em pos de pandemia pos de Pandemiassinos tem se fortalecido no cultivo e produção de seus próprios alimentos, em hortas orgânicas feitas no quintal de suas casas. Essa produção ajuda na manutenção das famílias, contribui para renda familiar e fortalece o campesinato.

Em tempos de pandemia, essa prática tem sido mais constante e pode ser uma saída para o estresse ocasionado pelo isolamento social. O cultivo das hortas tem contribuído com melhoria da saúde mental dos agricultores familiares, principalmente das donas de casa. Com a pandemia, a saúde mental tem sido também umas das preocupações de profissionais da saúde como destaca uma pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS):  “O impacto da pandemia na saúde mental das pessoas já é extremamente preocupante” e a OMS ressalta que “[o]utros grupos que correm um risco particular são as mulheres, particularmente aquelas que estão fazendo malabarismos com a educação em casa e trabalhando em tarefas domésticas; pessoas idosas e quem possui condições de saúde mental preexistentes.”[1]

Contudo, o isolamento da sociedade tem sido necessário e atinge toda a população, impossibilitando muitos trabalhos, tanto em área urbana, quanto na área rural. Assim, manter a rotina tem se tornado um papel difícil para todos, bem como manter os ganhos. A saída     que o povo do campo tem se encontrado é a produção de hortas orgânicas, o que tem sido importante para as mulheres trabalhadoras rurais. Com a produção de hortaliças sem uso de agrotóxicos, essas mulheres contribuem com a soberania alimentar das suas famílias. Segundo Meirelles: “Soberania alimentar remete a um conjunto mais amplo de relações: ao direito dos povos de definir sua política agrária e alimentar, garantindo o abastecimento de suas populações e a preservação do meio ambiente”[2] [..] (p. 11, 2004)

Na comunidade rural de Passagem Funda, a produção agroecológica tem sobressaído.  A agricultura local é feita de forma menos coletiva e com formatos que mudam e ressignificam o trabalho em grupo, antes realizado por mutirões. As trabalhadoras, em entrevista a estas autoras, contam que encontram a distração dos problemas do dia -a- dia no cultivo da horta. Para elas, plantar a semente e ver o crescimento das plantas com a consciência que terão uma alimentação saudável, livre de agrotóxico, é de grande valia.

Com o isolamento social, a rotina das pessoas da comunidade mudou completamente. Os cultos religiosos, tradição da comunidade, por exemplo, tiveram que ser pausados e, atualmente assumem um novo formato, onde cada família faz suas preces em casa. Com o tempo extra, as famílias da comunidade dedicam-se mais à produção de alimentos para o sustento.

Outro fator que atinge a agricultura familiar nas comunidades camponesas da região é a falta de mercado. As famílias, em sua maioria, produzem muitos alimentos, mas não têm escoamento da produção; pois com a pandemia tornou-se difícil para essas pessoas se deslocarem e venderem seus produtos no distrito e na cidade. Dessa forma, a produção acaba perdendo e enfraquece a geração de renda, tão necessária para os povos do campo, sobretudo para as mulheres camponesas.

De toda forma, neste novo modo de viver com menos envolvimento entre as pessoas até e com a maior parte do tempo em casa, as hortas orgânicas têm ganhado destaque e fortalecimento no campo. Lembramos que a prática tem melhores resultados nos meses que vão de abril a setembro. As hortas, assim, têm colaborado com a manutenção das famílias, pela produção de alimentos saudáveis, e também no desempenho psicológico, sendo um modo de escape de tudo que estamos passando neste momento. Contribuem, então, com a saúde física e mental das populações camponesas.

 

[1] <https://nacoesunidas.org/oms-o-impacto-da-pandemia-na-saude-mental-das-pessoas-ja-e-extremamente-preocupante/>. Acessado em 06 de julho de 2020.

[2] MEIRELLES. Laercio. Soberania alimentar, agroecologia e mercados locais. Agriculturas. v. 1, n. 0, setembro de 2004.

Horta em Coração de Jesus – Arquivo pessoal das autoras