Alguns números sobre o ensino remoto na comunidade de Três Barras

 

Por Taliele Santana Higino [1]

 

O presente texto tem como objetivo analisar as metodologias e tecnologias de estudo utilizadas pelos alunos no REANP-MG (Regime Especial de Atividades Não Presenciais – Minas Gerais), a partir de uma pesquisa sobre a percepção de estudantes do Ensino Médio da Escola Estadual Leopoldo Pereira, distrito de Milho Verde, município Serro – MG.

A metodologia utilizada para a realização desta pesquisa foi a aplicação de um questionário eletrônico para os alunos que cursam o ensino médio na Escola Estadual Leopoldo Pereira, e que residem no distrito de Três Barras. Ao todo foram realizadas cinco entrevistas por meio do Google formulários no período de maio/2021, com autorização e nomes omitidos, contendo 37 perguntas fechadas e 1 pergunta aberta.

Segundo os resultados obtidos com os questionários, 60% dos alunos são homens e 40% são mulheres, e possuem de 16 a 18 anos de idade. No total, 20% dos alunos estão no primeiro ano do Ensino Médio, 60% no segundo ano e 20% no terceiro. As famílias dos estudantes são compostas por 2, 5, 6, 7 ou mais pessoas. O que demonstra um número alto de filhos por família. Nesse período de pandemia, 40% das famílias não receberam nenhum tipo de auxílio do governo. É importante citar que 80% dos pais possuem o ensino fundamental incompleto.

Nas casas das famílias entrevistadas, os aparelhos eletrônicos mais utilizados são os celulares por 100%, TV por 80% e Notebook por 40%. O Canal TV Rede de Minas, responsável pelo programa Se Liga na Educação, disponibilizado pelo REANP, pega em 80% das casas. Já a maioria dos alunos, 60%, não têm notebook ou computadores em suas casas, o que dificulta os trabalhos de digitação. 60% dos alunos têm acesso a internet 4G e 40% a cabo.

Das famílias, 40% possuem internet ilimitada e os demais via dados 4G. Desses que usam 4G, 20% afirmam que os dados não duram de 21 dias – 80% dura de 21 a 30 dias – com estabilidade para assistir os vídeos escolares. Predomina o uso de um celular por pessoa para os estudos. A maioria, 60%, não possui auxílio dos pais para realizar as tarefas da escola, pois ou trabalham ou não sabem o conteúdo. Todos os alunos possuem seu próprio celular, assim não precisam compartilhar com outro membro da família. As recargas dos créditos dos celulares são feitas pelos próprios alunos, 60%; os outros 40% são feitas por pais ou avós.

As ferramentas mais utilizadas pelos alunos e professores são o WhatsApp (60%) e o Youtube (20%). O Google Sala é menos usado, apenas 40% dos alunos. Os alunos afirmaram gastar de 1 a 3 horas por dia para realizar as atividades escolares. Entre as ferramentas disponíveis, a menos utilizada é a Conexão Escola 2.0, por 20% dos respondentes.

Sobre a última questão do questionário, aberta solicitando depoimentos sobre os principais problemas enfrentados, trago dois depoimentos a seguir para melhor contextualizam a realidade dos alunos entrevistados e alguns anseios diante da nova situação.

  • Bom… minha dificuldade é entender o que os professores mandam acho meio desorganizado, às vezes os vídeos que têm no Se Liga na Educação não explicam exatamente o que está na apostila, aí acaba que muita gente pega resposta da internet porque ninguém vai adivinhar as matérias. Por isso eu opto por outras videoaulas, mas o que seria bom mesmo se os professores fizessem um vídeo explicando sua matéria.”
  •  
  • “Minha principal dificuldade está sendo conciliar as atividades da escola com o meu cursinho para o Enem. Também não consigo entender as matérias de química, física e matemática.”

A partir dos resultados dessa pesquisa, concluímos que à internet vem sendo o meio de comunicação mais importante e a principal barreira para o contato entre professor e aluno, permitindo aos alunos o acesso as ferramentas de ensino e aos recursos tecnológicos que permitem a concretização do processo de ensino-aprendizagem. Além disso, o grau de escolaridade dos pais para o auxílio nas atividades dos filhos interfere muito neste processo. Por último, os entrevistados também citam como problema o acompanhamento dos professores e a explicação dos conteúdos, o que pode estar ligado às tecnologias também, já que tudo isso, no REANP, é feito à distância e padronizado para todo o estado.

[1] Taliele é estudante da Licenciatura em Educação do Campo (LEC), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Esta pesquisa foi supervisionada pelo professor Vítor Sousa Dittz, da Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira, e orientada pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, da UFVJM, no âmbito do PIBID-UFVJM.

Agradecimentos aos estudantes-sujeitos e suas famílias, bem como ao diretor da E. E. Professor Leopoldo Pereira, o professor Maycon Souza.

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