Alguns números sobre o ensino remoto na comunidade de Milho Verde – Parte 1

Por Adelaine Aparecida Santos [1]

Este texto analisa o resultado de uma pesquisa quantitativa, cujo objetivo principal foi levantamento de informações e dados sobre as percepções de 13 estudantes sobre o ensino remoto. Os entrevistados estudam na Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira, situada em Milho Verde, distrito de Serro – MG. O método adotado para o levantamento dos dados foi a aplicação de um questionário com 37 perguntas fechadas e um comentário aberto opcional, enviado em um formulário do Google.

Avisados da confidencialidade da pesquisa, participaram, no total, 13 alunos do ensino médio, todos residentes de Milho Verde.  Sendo que no primeiro e terceiro ano estudam 30% em cada e no segundo ano, 40%. Dos alunos que responderam, 30% eram do sexo masculino e 70 % do feminino, na faixa etária de 15 a 19 anos, sendo que a maior parte, 60%, possui 17 anos.

Desses alunos, 90 % moram com seus pais. Sobre anos de estudos, 50% dos pais não têm ensino fundamental completo, 30% possuem o ensino médio incompleto e 20% finalizaram o ensino médio. Poucos conseguiram estudar até o ensino superior, 20% das mães. Ainda entre alas, 40% não finalizaram o ensino fundamental e 30% finalizaram o ensino médio. Embora o grau de escolaridade das mães seja maior que dos pais, nota-se pelos dados que ambos possuem baixo grau de escolaridade, com poucas exceções. O número de membros da família que moram numa mesma casa varia entre 4 e 7 pessoas, sendo que entre os alunos que responderam 30% possuem 5 a 6 pessoas em casa. Para o sustento da família, além de algum membro familiar trabalhar, 80 % recebem benefício social, sendo: 50% das famílias recebem Bolsa Família, 10% recebem Bolsa Escola, 20% conseguiram o Auxílio Emergencial do governo federal durante este tempo de pandemia. 20% não recebem nenhum tipo de benefício do governo e a pesquisa não teve alcance para elucidar as razões.

Todos os estudantes possuem em casa acesso a pelo menos 1 celular para os estudos e a interação em tempos de distanciamento social, sendo eu muitas vezes o equipamento é dividido com outro(s) familiar(es). Apenas 30% dos estudantes possuem notebook. Quanto à internet na residência, parte dos entrevistados, 50%, possuem internet via antena, 25% a cabo e 25% apenas no 4G. 50% possuem internet pré-paga nos celulares, que descrevem com qualidade limitada, já que normalmente a velocidade não passa de 3G.

Neste momento de pandemia, com o ensino remoto, todos sabemos que estar conectados à internet é essencial. No entanto, a minoria dos alunos tem acessado às videoaulas produzidas, sendo que 30 % dos estudantes afirmam fazer pesquisas de conteúdos como videoaulas no Youtube. Para a interação, um aplicativo chamado Conexão Escola 2.0, que funciona como um chat, também foi criado; mas apenas 40% dos estudantes declaram utilizá-lo. Já o aplicativo WhatsApp, opção “não” oficial para as interações, é usado por 80% dos estudantes que responderam à pesquisa. Já o Google Sala de Aula, um aplicativo onde é possível disponibilizar materiais diversos, é acessado por apenas 10 % os respondentes.

Quando perguntados sobre a disponibilidade de acesso à internet no celular ao longo do mês, 50% de estudantes utilizam planos pré-pagos, sendo que 90% responderam que a internet tem duração de 21 a 30 dias e os outros 10% de que a internet dura entre 11 e 20 dias. No entanto, 75% do total têm acesso a outro tipo de internet: cabo ou antena. Sobre a qualidade da internet, 80% responderam que é estável. Atualmente 80% dos alunos afirmam que realizam suas recargas de crédito no celular sem ajuda dos pais e 20% dependem dessa ajuda. 50% dos alunos declararam que estudam de 1 a 3 horas por semana, enquanto 30% estudam de 4 a 6 horas e 20%, de 7 a 11 horas. Vemos que o tempo destinado aos estudos é baixo se comparado com o tempo das aulas presenciais.

Em 2021, segundo ano do ensino remoto imposto pela pandemia, 100% dos alunos afirmaram que a escola tem utilizado mais ferramentas de ensino remoto e de comunicação que no ano passado, o que mostra maior emprenho e, provavelmente, maiores conhecimentos sobre as tecnologias e as práticas novas. Os grupos de WhatsApp têm sido um importante meio de comunicação ultrapassando ainda o aplicativo Conexão Escola. Entre os entrevistados 80% utilizam mais o WhatsApp, sendo que a escola instituiu um grupo de WhatsApp para cada turma.

Conclui-se que na maioria das vezes o que implica em um resultado negativo não é somente a falta de acesso a rede de internet de qualidade, mas também o baixo grau de escolaridade dos pais que muito influenciam neste processo, tal como os números mostram. Os alunos ainda declararam que este ano 95% dos professores têm interagido mais e que, apesar das dificuldades, o que se nota é que a escola tem fornecido mais apoio aos estudantes com diversas ferramentas. 

[1] Adelaine é estudante da Licenciatura em Educação do Campo (LEC), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Esta pesquisa foi supervisionada pelo professor Vítor Sousa Dittz, da Escola Estadual Professor Leopoldo Pereira, e orientada pelo professor Carlos Henrique Silva de Castro, da UFVJM, no âmbito do PIBID-UFVJM.

Agradecimentos aos estudantes-sujeitos e suas famílias, bem como ao diretor da E. E. Professor Leopoldo Pereira, o professor Maycon Souza.

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