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Giovana Fernandes Lopes Silva, Grão Mogol/MG
Desde pequena, sempre tive muito interesse pelos estudos. Mesmo antes de ir à escola, já tinha contato com livros e cadernos dos irmãos mais velhos que já estudavam. Mesmo sem saber ler, folheava livros e observava as imagens, imaginando o que estaria escrito ali.
Quando pisei na escola pela primeira vez, não imaginava que aquele interesse aumentaria. A Escola Municipal Juvenal Andrade, uma escola pública localizada na zona rural, foi onde comecei a adquirir mais conhecimentos sobre leitura e escrita.
No primeiro dia de aula, estava um pouco ansiosa e comecei a chorar para voltar para casa, mas a professora da minha turma era como uma mãe; me acolheu e me convenceu a ficar. Daí em diante, não tive problemas com a adaptação. Lembro-me das folhas de desenhos impressas, com cheiro de álcool, dos recreios longos e até da merenda escolar. Estudava no turno da tarde e permaneci nessa escola até a quinta série. Logo depois, mudei para outra escola para continuar o ensino fundamental II.
Quando iniciei na nova escola, notei imediatamente as diferenças: era uma escola maior, com pessoas diferentes, disciplinas e regras distintas. O letramento já havia iniciado e começava a ser mais lapidado. A professora de Língua Portuguesa era exigente e determinada a nos ensinar para tirarmos as melhores notas nas produções de texto. Lembro-me também das viagens, gincanas e projetos educativos que complementavam o ensino. Ainda no ensino fundamental, havia projetos desenvolvidos pelos professores, que determinavam um tempo para lermos um livro e contarmos o que tínhamos entendido ou escrever um resumo das histórias.
Minhas notas sempre foram boas; sempre gostei de Biologia e de Língua Portuguesa. Minha dificuldade se concentrava em Matemática, mas não era algo que me reprovasse. Apresentar trabalhos à frente e falar ao microfone também eram meus pontos fracos. Apresentações de danças e teatros eram comuns em algumas datas.
A sala de informática era pouco usada, pois grande parte dos alunos tinha celular e acesso à internet, o que facilitava as pesquisas. Já a biblioteca era mais frequentada, pois os livros didáticos e de histórias eram utilizados em sala de aula. A televisão para ver filmes também estava na biblioteca da escola.
Ao longo do ensino fundamental, foram muitos aprendizados, e no Ensino Médio não foi diferente. Continuamos a jornada, porém com mais responsabilidade e maturidade, levando os ensinamentos mais a sério. As turmas eram divididas em primeiro, segundo e terceiro ano. Consegui fazer os dois primeiros anos presencialmente, mas o último não foi muito proveitoso, pois foi a época da pandemia de COVID-19 e tive que continuar os estudos em EaD.
Sem experiência em estudar praticamente sozinha, surgiram dificuldades, desde o uso da internet até entender e resolver as questões em casa, tópicos que ainda não haviam sido estudados em sala de aula. A conexão difícil também era um desafio. Tudo era visto com dificuldade, mas como novos desafios também.
Acredito que isso tenha diminuído não só o meu aprendizado, como o de muitos alunos da época, pois o estudo presencial e o EaD são, de certa forma, diferentes. Principalmente naquela situação, demorei a me adaptar a ter disciplina com os horários de estudos e a organizar minha rotina. Mesmo assim, terminamos o ano escolar; deu tudo certo, porém sem formatura.
SOBRE A AUTORA:
Giovana Fernandes Lopes Silva, de Grão Mogol/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), onde cursa Pedagogia. Produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.
A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas por Carlos Henrique Silva de Castro, Kátia Lepesqueur e Virgínia Batista.