
Vanessa Cristina Dias de Oliveira é acadêmica do curso Licenciatura em Educação do Campo (LEC), da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Vanessa é de Cristália, Minas Gerais.
Meu primeiro contato com alguma tecnologia digital ocorreu em 2012, quando eu tinha 11 anos e encontrei um celular seminovo no vestiário de uma feira municipal na minha cidade. Fiquei surpresa e não sabia como ligar a tela. Sabia que era um celular porque havia visto outras pessoas com aparelhos parecidos. Decidi chamar minha tia, que me acompanhava, para verificar o celular. O aparelho estava descarregado, então ela saiu do vestiário e perguntou às pessoas por perto se sabiam quem era o dono.
Ninguém sabia, então ela resolveu levar o telefone para casa para tentar descobrir quem havia esquecido. Em casa, ela encontrou um carregador compatível e conseguiu carregar o celular. Toda a minha família ficou surpresa por termos encontrado um celular seminovo, lançamento do ano. Assim que o telefone carregou, tivemos outra surpresa: ele não tinha senha, fotos, nem chip, e não havia pistas para encontrar o dono. Com isso, minha mãe decidiu que eu poderia ficar com o celular, embora ela também quisesse usá-lo, pois não tinha celular. Ela comprou um chip e o celular passou a ser mais dela do que o meu.
A primeira coisa que usei nesse aparelho foi um joguinho que já estava instalado com a ajuda dos meus primos. Lembro também que uma amiga que morava na cidade e já tinha um telefone. Foi ela que criou um Facebook para mim, usando o e-mail dela. Com sua ajuda, aprendi a usar a rede social escondido da minha mãe.
Como morava na roça e não havia internet, minha amiga monitorava meu Facebook pelo celular dela. As pessoas mandavam mensagens e ela respondia se passando por mim, geralmente meninos. Demorei muito tempo para ter mais acesso. Apenas aos 15 anos passei a usar eu mesma minhas redes sociais.
Antes disso, minhas interações com tecnologias analógicas também eram bastante limitadas. Em casa, tínhamos TV apenas quando morávamos em uma comunidade mais próxima da cidade. Perdemos o acesso à TV quando nos mudamos para uma localidade mais remota, sem sinal dos canais. Passei a ter acesso à TV novamente quando visitava a casa de um tio, que tinha uma boa antena que permitia acesso a alguns canais. Assistia novelas e desenhos animados com meus primos.
Já o rádio sempre esteve presente, proporcionando entretenimento e informação, transmitindo música, cultos evangélicos e missas que marcaram minha infância. Outras tecnologias analógicas, como máquinas de escrever, telefone fixo, papel e caneta, faziam parte do meu cotidiano de maneira esporádica, principalmente na escola.
Com o avanço das tecnologias digitais, muitas coisas mudaram. Por exemplo, eu costumava usar o Facebook regularmente, mas hoje em dia já não o utilizo mais. Aos 15 anos, ganhei de aniversário um celular Samsung J5 DS, que era bem mais evoluído que o primeiro celular que encontrei. Passei a explorar outras redes sociais, como Instagram e WhatsApp, deixando o Facebook de lado.
Meu primeiro uso de um mouse e computador foi uma única vez na escola, mas não consegui aprender a usar, pois a professora levou a turma à sala de informática apenas uma vez. Não havia computadores suficientes para todos, então duas pessoas tinham que compartilhar um único computador, o que limitou meu aprendizado. Fui aprender a usar computador e mouse no meu primeiro emprego em um supermercado.
Essa experiência foi marcante, pois representou um passo importante na minha adaptação ao mundo digital. No início, tive muita dificuldade com os aplicativos de compras, mas um colega de trabalho, muito habilidoso, me ajudou bastante nesse sentido. Esse aprendizado foi crucial quando ingressei no curso da LEC durante a pandemia.
Entrei no Facebook pela primeira vez em 2012, minha primeira vivência com redes sociais. No Instagram, entrei em 2018 por indicação de amigos da escola, que alegavam que era melhor que o Facebook. Hoje, o Instagram e outras plataformas fazem parte do meu dia a dia. A aprendizagem dessas novas tecnologias foi facilitada por várias pessoas importantes em minha vida, incluindo amigas, primos e colegas de trabalho, que tiveram as maiores influências. Essas interações me ajudaram a compreender e me adaptar às mudanças tecnológicas.
Atualmente, as páginas web e redes sociais que mais visito são Instagram, Facebook e Google Classroom, esse último no contexto universitário. Meu uso de tecnologia varia conforme o contexto: como estudante, profissional, em atividades de ativismo político, religiosas, culturais e esportivas. Cada área tem sua própria maneira de utilizar a tecnologia de forma eficaz e apropriada.
Houve momentos em que o uso de certas tecnologias foi proibido para mim. Por exemplo, quando eu era adolescente, minha mãe não permitia que eu levasse o celular para a escola. Participar de redes sociais é uma parte significativa do meu cotidiano, especialmente publicando fotos pessoais no Instagram e participando de grupos no WhatsApp relacionados à família, trabalho, igreja e faculdade.
No entanto, não costumo postar comentários em notícias ou anúncios de produtos, nem participar de votações na web. As redes sociais são muito importantes, pois me permitem manter contato diário com familiares e amigos que estão distantes.
Já fiz uploads de imagens e vídeos no Instagram para receber comentários, e algumas das minhas atividades laborais envolvem produção para a internet, especialmente em tarefas relacionadas à faculdade. As tecnologias que mais uso ao longo do dia incluem TV, YouTube para música, e celular, além do notebook, que usei recentemente.
A tecnologia mudou muitas de minhas práticas sociais, como estudar, marcar encontros, conversar, pagar contas e fazer compras, facilitando muito a correria do dia a dia. No futuro, pretendo aprimorar ainda mais meus conhecimentos na realização de trabalhos acadêmicos e desenvolver mais habilidades no uso do computador, pois ainda tenho dificuldade em utilizá-lo.
Ao observar as diferenças no uso da tecnologia entre gerações, percebo que tanto as gerações mais velhas quanto as mais novas utilizam as tecnologias digitais frequentemente. No entanto, não identifico diferenças significativas entre amigos de diferentes gêneros e idades em relação ao uso da tecnologia.
Meu sentimento em relação às novas tecnologias é de gratidão, pois elas nos aproximam do mundo e facilitam nossa vida de muitas maneiras. As experiências mais positivas incluem a praticidade e facilidade proporcionadas pelas tecnologias digitais. Por outro lado, as experiências negativas envolvem a dependência, o vício e, em alguns casos, a solidão que elas podem causar, pois não aproveitamos o tempo com as pessoas que estão presentes em nossas vidas.
Minha jornada com as tecnologias, tanto digitais quanto analógicas, tem sido repleta de aprendizados, adaptações e transformações significativas em diversas áreas da minha vida.
Como futura professora, as tecnologias digitais que uso ou usaria incluem notebook, celular e TV, pela sua eficácia em tornar o ensino mais dinâmico e interativo, no desenvolvimento de habilidades de leitura , escrita e oralidade, usaria algumas ferramentas digitais para desenvolver várias atividades práticas e interativas como produção de texto digitais, leitura em sites que promoveria a interação de todos os estudantes, uso de sites e páginas na web no qual os estudantes poderia usar seu próprio celular fazendo como que as aulas torna mais participativa.
Deixo a indicação de um filme que marcou muito a minha infância, “Os Dois Filhos de Francisco”, baseado nos fatos reais da vida dos cantores sertanejos Zezé di Camargo e Luciano. Este filme costuma passar na Rede Globo, na Sessão da Tarde ou aos domingos, o que traz muita nostalgia. As músicas do filme também tocavam diariamente no rádio que tinha em casa, o que contribuiu para a forte representatividade e emoção que o filme retrata.