Combinando o Ontem com o Hoje

Combinando o Ontem com o Hoje

Silas Pechim de Oliveira, Araçuaí/MG

Sou de Araçuaí, uma pequena e modesta cidade do norte de Minas Gerais, lugar que ficou conhecido como Vale da Miséria e hoje é mundialmente conhecido como o Vale do Lítio do nosso país. Meus primeiros contatos com a leitura e a escrita na escola foram bem modestos por falta de incentivo; porém, em casa, recebi bons estímulos.

Sobre minha infância, tenho uma vaga lembrança de ir à missa dominical com os meus pais e ficar curioso com o que havia de informação nos folhetos das celebrações religiosas. Ficava ansioso para entrar na escola, aprender a ler e, finalmente, acompanhar os demais fiéis, que fixavam os olhos naquele emaranhado de letras dos hinos e preces. Foi na adolescência que comecei a me questionar sobre os significados e sentidos daquelas leituras. Me lembro de pegar pedaços de giz na escola para brincar de dar aulas para alunos imaginários em casa. Nas minhas aulas, utilizava o que era aprendido em sala de aula, principalmente temas relacionados à matemática. Usávamos uma das portas de casa como quadro.

Já na adolescência, conheci um dos meus autores preferidos: Sidney Sheldon. Até os dias atuais, perco-me em suas obras cheias de mistérios, cujas histórias povoam a mente do leitor com intensa imaginação. Naquele momento, meus primeiros contatos com o texto informativo foram com a leitura mensal das revistas Galileu. Como os temas relacionados à pesquisa e à ciência sempre me atraíam, ficava ansioso por finalmente receber cada edição em casa.

Com o passar do tempo e com a digitalização das informações, passei a ter o hábito de ler diariamente mini reportagens pelo celular, que acesso via páginas eletrônicas de notícias, principalmente da BBC News. Hoje, busco manter a leitura e escrita como rotinas diárias, combinando antigos livros com histórias nostálgicas, as quais me remetem aos tempos de escola, e leituras atuais de notícias.

Em meu primeiro ano na universidade, tenho lido mais. Somando-se à prática de leitura costumeira que adquiri ao longo do tempo, estou recebendo com bastante entusiasmo a diversa carga de possibilidades de conhecimento que os textos universitários me proporcionam. O tempo tornou-se mais escasso, porém não é nada que seja impossível de gerir. Quando estou no ônibus em direção ao trabalho, por exemplo, aproveito esse momento para mergulhar nas intrigas e mistérios dos livros de suspense, dos quais não abro mão.

Sinto-me empolgado com isso, pois vejo essa oportunidade única na minha vida como um desafio para o autoconhecimento, sem falar no prazeroso ato de abrir minha mente para um vasto mundo de coisas novas. Contudo, nem tudo são flores. Como faz bastante tempo que concluí o ensino básico (me formei em 2007!), tenho dificuldades para relembrar todo o conteúdo que aprendi na escola, o que de fato nos dá base para seguirmos com o curso de nível superior.

Por isso, estou tendo que fazer uma reciclagem, principalmente em matemática, através de videoaulas nas plataformas digitais gratuitas. Tenho certa dificuldade com as matérias muito abstratas, como Fundamentos Filosóficos e Sociológicos da Educação. Por outro lado, gosto bastante das matérias relacionadas ao cálculo, como Introdução ao Cálculo e Química Geral.



SOBRE O AUTOR:

Silas Pechim de Oliveira, de Araçuaí/MG, é acadêmico da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Uma Plataforma de Viagem Chamada Leitura

Uma Plataforma de Viagem Chamada Leitura

Silas Oliveira Silva, Itamarandiba/MG

Meu primeiro contato com a leitura foi em sala de aula, diferentemente de muitas crianças que, hoje em dia, têm acesso a recursos que estimulam a leitura devido ao grande avanço tecnológico. Na minha casa, não havia livros que pudessem despertar meu interesse pela leitura e, mesmo que houvesse, seria difícil me convencer a começar a praticar, pois, antes de entrar na escola, eu só pensava em brincar.

Algum tempo se passou e lá estava eu, matriculado na escola. Lembro que um dos meus primeiros desafios foi escrever meu nome completo. Foi uma tarefa difícil, mas, depois que consegui, fiquei admirado comigo mesmo por tal proeza. Logo depois, o desafio era aprender a ler, o que, a princípio, me pareceu impossível, pois tive muita dificuldade. A situação piorou quando via meus colegas se desenvolvendo melhor que eu, o que me levou a crer que não era inteligente o suficiente para aprender a ler.

O que me ajudou foi a grande paciência que minha professora, Maria Luiza, teve comigo, e até hoje sou grato a isso. Aos poucos, consegui juntar uma letra à outra, formar sílabas e, quando menos esperava, já estava lendo. Vibrei muito ao conseguir ler toda uma frase sozinha. A emoção foi ainda maior quando li um livro inteiro. A partir daí, fiquei maravilhado com o poder da leitura e comecei a ler tudo o que podia: placas e anúncios na rua, bulas de remédio, revistas, embalagens de produtos etc.

Até um certo período do Ensino Fundamental I, éramos incentivados a ler. Os professores reservavam um horário para levar a turma à biblioteca, onde cada um escolhia um livro. Líamos no jardim ou em lugares reservados, mergulhando no universo de cada história. Com o tempo, no entanto, fui deixando a leitura de lado. Voltei a ter contato com a leitura no Fundamental II, por forte influência da minha professora de Português, Rita, que nos estimulava a ler por meio de uma dinâmica muito interessante.

A dinâmica funcionava assim: ela escolhia um determinado livro para toda a turma ler em um prazo determinado. Depois de concluirmos a leitura, devíamos elaborar algumas perguntas sobre o livro, e, em uma data marcada, organizávamos a sala em círculo, onde os, alunos, fazíamos perguntas uns aos outros, sendo avaliados tanto pela elaboração das perguntas quanto pelas respostas dadas.

Outra dinâmica que ela criou consistia em cada aluno ler um livro da biblioteca escolhido a livre arbítrio e, em um dia determinado, contar a história para toda a turma.

Foi através dessas dinâmicas que conheci muitos clássicos da literatura brasileira, tais como “Dom Quixote”, “A Droga da Obediência”, “O Cortiço”, “Dom Casmurro” (Capitu traiu ou não traiu Bentinho?), “Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda”, “Meu Pé de Laranja Lima”, “Depois Daquela Viagem”, entre outros. A partir disso, relembrei o quão bom é se dedicar à leitura e voltei a explorar outros livros que estavam disponíveis na biblioteca da minha escola.

Nesse período, comecei a frequentar a igreja, e a leitura da Bíblia tornou-se tornou um hábito. Ficava maravilhado ao ler cada história da Sagrada Escritura, desde os milagres e maravilhas do Velho Testamento até os milagres que Jesus operou, sem contar todas as histórias vividas pelos apóstolos após a partida do Mestre. Tudo isso contribuiu para alicerçar ainda mais minha fé em Deus.

Hoje, continuo a praticar a leitura, mas de uma forma um pouco não convencional. Isso porque sou concurseiro e parte do meu tempo se baseia em ler materiais em PDF ou até mesmo a “lei seca”. Confesso que já faz tempo que não leio romances como aqueles que lia na época da escola, mas pretendo voltar a embarcar em viagens que me levem a outros mundos, se é que me entendem.



SOBRE O AUTOR:

Silas Oliveira Silva, de Itamarandiba/MG, é acadêmico da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Perspectivas Pessoais Sobre Letras e Números

Perspectivas Pessoais Sobre Letras e Números

Mateus Câmara Andrade, Montes Claros/MG

A religião sempre esteve muito presente no ambiente onde cresci. A família do meu pai é evangélica, enquanto a da minha mãe é majoritariamente católica. Essa influência fez com que textos religiosos fossem meu primeiro contato com as letras.

Logo nos primeiros anos de vida, aprendi que meu nome, com essa grafia específica, foi escolhido por ser a forma usada na Bíblia. Inúmeras vezes, em situações como:

— “O nome dele tem H?”

— “Não, é a forma bíblica”, respondia minha mãe.

Ao abrir a Bíblia, hinários e outros livros cristãos, eu não entendia nada do que estava vendo, mas, ainda assim, ali começava a se desenvolver minha curiosidade pela leitura. Aprendi a ler, escrever e fazer contas na escola, e ainda tenho lembranças vívidas dessa época. O processo começou no 2º período da educação infantil. Tia Ção, minha primeira professora, escrevia no quadro uma letra de cada vez e nos ensinava os movimentos que nossas mãos deveriam replicar para que cada traço fosse corretamente colocado no papel.

Entre as várias letras do alfabeto, meu ponto fraco era a letra “S”. Até hoje, lembro-me nitidamente, aos cinco anos, sendo o único da sala a receber uma folha completamente em branco, com a orientação de escrever quantos “S” fossem necessários até alcançar uma forma visualmente adequada.

Algo semelhante aconteceu nas aulas de Matemática: tia Ção não gostava que construíssemos o número “8” com uma bolinha em cima da outra. Pelo menos dessa vez, eu não estava sozinho; muitos colegas também receberam uma folha em branco para praticar a forma que ela desejava.

De maneira geral, a escola sempre me auxiliou muito, oferecendo um ambiente de aprendizagem que incluía o ensino de regras e padrões, avaliação do progresso, incentivo, apoio e intervenções. No meu entendimento, a escola cumpriu bem seu papel.

Com a evolução das habilidades de leitura, surgiu meu primeiro hobby: ler revistas em quadrinhos. Muitas vezes, meu pai chegava do trabalho trazendo um gibi do Pato Donald ou do Pateta. Eu o agradecia e recebia as revistas com um sorriso de orelha a orelha, pois eram minhas favoritas, graças ao estilo atrapalhado, aventureiro e de grande coração dos protagonistas.

De tempos em tempos, eu era levado a uma banca de jornais para escolher a próxima aventura literária e, em certa ocasião, descobri uma revista que marcou minha juventude: a Recreio. Incentivado pela minha mãe, que assinou a revista, eu mergulhava quinzenalmente em uma nova edição.

Durante esse período, comecei a me familiarizar com mais gêneros textuais, já que, além dos quadrinhos, a revista trazia reportagens, entrevistas, contos, propagandas e cartas. Por outro lado, o gosto pela escrita não acompanhou a intensidade do gosto pela leitura. Com o passar dos anos, percebi uma maior facilidade para construir textos objetivos e concisos, e uma dificuldade nos que exigem um estilo mais criativo, algo que atribuo à afinidade pessoal.

Curiosamente, meu interesse pela Matemática não se manifestou durante o Ensino Fundamental e Médio. Nessas etapas, era apenas mais uma das várias disciplinas que eu precisava estudar para ser aprovado.

Após fazer o ENEM, em uma época de muitas dúvidas sobre qual caminho seguir, escolhi e fui aprovado no curso de Engenharia Química, no qual estudei por alguns anos, mas não finalizei. Ainda assim, foi nessa fase da vida que despertei meu interesse pela Matemática, uma vez que todo o ferramental para a resolução de problemas, o pensamento lógico, a estrutura e as aplicações práticas me fascinaram.

Após um tempo fora do ambiente acadêmico, descobri, navegando pela internet, o processo seletivo da UFVJM para licenciatura em Matemática no formato EAD. Não pensei duas vezes e me inscrevi.

Meses se passaram, e foi com muita alegria que recebi a notícia da aprovação, vendo nisso uma grande oportunidade de aprofundar meus conhecimentos, desenvolver-me e me capacitar na área de meu interesse. Em certo momento do curso anterior, também fui motivado a aprender línguas estrangeiras. O que começou como uma busca por uma possível vantagem competitiva no mercado de trabalho se tornou um hobby que mantenho até hoje, com o inglês e o francês.

Nesse processo, adquiri o hábito de praticar imersão nessas línguas através da leitura, o que ajudou a internalizar estruturas e vocabulário. Além disso, escuto podcasts e assisto a vídeos produzidos por falantes nativos diariamente.

Como resultado, adquiri não só novos conhecimentos linguísticos, mas também aprendizados sobre culturas até então desconhecidas para mim. Isso me proporcionou uma nova forma de enxergar o mundo, mais compreensiva e tolerante. A sensação indescritível de poder me comunicar em outro idioma foi um marco significativo nesse processo.

Minha interação com letras e números, seja no aprendizado escolar, no trabalho, nas atividades cotidianas ou nos momentos de lazer, revela como esses símbolos são mais do que simples ferramentas de comunicação e cálculo. Eles moldam a maneira como penso, resolvo problemas e compreendo o mundo, sendo um aspecto fundamental da minha jornada pessoal e intelectual.



SOBRE O AUTOR:

Mateus Câmara Andrade, de Montes Claros/MG, é acadêmico da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Influência do Letramento na Matemática

Influência do Letramento na Matemática

Maria da Conceição Braz, Senador Modestino Gonçalves/MG

A convivência com a matemática, através do contexto das letras, só começou após minha entrada no primário. As condições eram limitadas, e o aprendizado se restringia quase exclusivamente ao ambiente escolar e aos materiais provenientes dele, como livros e revistas. A lembrança exata do início dessa convivência não é clara, mas o gosto pelos números é inconfundível. Minhas maiores notas e o empenho que mais se destacava eram sempre nas disciplinas de exatas!

Em casa, após aprender e absorver o conteúdo escolar, eu o aplicava nas coisas mais simples, como contar as laranjas, as dúzias de ovos, as galinhas no terreiro, e conferir o troco para minha mãe, entre outras tarefas. É importante ressaltar que, naquela época, principalmente na zona rural, a vida era muito mais difícil. Ter pais letrados era raro, e poder frequentar a escola era uma dádiva, já que essa oportunidade não estava disponível para a geração anterior.

A matemática vai além, muito além do ambiente escolar. Um exemplo disso é a venda de animais por peso, como o quilo ou arroba, entre outras formas de medição. As tarefas no meio rural exigem bastante conhecimento matemático: a proporção correta de fertilizante, a distância entre as covas de milho ou qualquer outra plantação, a quantidade exata de sementes a ser plantada, o tempo necessário para capina e colheita. Assim, a matemática sempre esteve presente em nossas vidas, mesmo que de forma inconsciente.

Pensando de uma maneira mais ampla, a escola exerce um papel fundamental como norteadora do aprendizado. Não faltavam esforços para incentivar o estudo, desde o Pré-escolar, com letras e frases curtas, até o Ensino Fundamental, com histórias em quadrinhos e poesias, e o Ensino Médio, com dissertações preparatórias para o ENEM e vestibulares.

Na escola onde cursei o Fundamental II e o Ensino Médio, a presença da biblioteca era constante no nosso cotidiano. A professora de português sempre nos incumbia de fazer fichas literárias e nos dava um prazo para ler um livro. Além disso, havia concursos de leitura que aconteciam na Educação Integral, da qual eu fazia parte.

É notável a perda do hábito de leitura após o Ensino Médio, especialmente para quem não ingressa imediatamente na faculdade. Depois que me formei, passei algum tempo sem ler, retomando esse hábito somente quando comecei a fazer cursos e, mais tarde, ingressei no Ensino Superior.

Os números, além de seu uso cotidiano e necessário, sempre estiveram presentes na minha vida. Eu os encontrava nas aulas de reforço que ministrava e nos trabalhos que tive, como na sorveteria e na loja de eletrodomésticos e roupas.

Com o trabalho e as tarefas diárias, acabo lendo apenas o que é necessário no momento, algo que quero melhorar, pois gosto muito de leitura, especialmente romances.

Em relação às finanças, sempre prestei atenção especial nas compras, especialmente quando se trata de juros e da análise do que vale a pena. Sempre controlo o quanto ganho e o quanto preciso gastar, principalmente quando falamos de parcelamento no cartão de crédito. Assim, podemos perceber o entrelaçamento entre o português e a matemática, afinal, a matemática não se resume apenas a números, mas também aos “produtos notáveis”.



SOBRE A AUTORA:

Maria da Conceição Braz, de Senador Modestino Gonçalves/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

As Letras Que Não Entendi

As Letras Que Não Entendi

Márcio Fernandes Rodrigues Júnior, Águas Formosas/MG

Desde pequeno, o mundo ao meu redor parecia um mistério vasto e impenetrável. Me lembro bem dos meus primeiros encontros com as letras, mas o entendimento sempre estava fora do meu alcance.

Quando criança, era comum ver bulas de medicamentos espalhadas pela casa, especialmente as da dipirona que minha mãe usava para nossas febres e as dores de cabeça do meu irmão. Eu as observava com curiosidade e frustração, sabendo que havia algo importante ali, mas as palavras pareciam um emaranhado de símbolos sem sentido, pois ainda não sabia ler.

Uma lembrança clara dessa época é a do meu irmão mais velho, sentado à mesa da cozinha com seus cadernos da escolinha. Ele parecia sempre tão imerso nas atividades, desenhando letras e formando palavras que eu não conseguia reconhecer ou decifrar. Observava-o com uma espécie de admiração silenciosa, desejando entender o que ele fazia. As letras eram como uma chave para um mundo que eu ainda não conseguia acessar.

Era tudo um grande mistério. A cada vez que via meu irmão fazendo suas atividades, sentia um anseio crescente dentro de mim para entender aquele código secreto que ele dominava. As letras pareciam dançar de forma confusa e evasiva, como se estivessem escondendo algo que eu estava desesperado para descobrir, e ao mesmo tempo me pareciam apenas um monte de rabiscos, círculos, espaços e números.

Essa sensação de impotência, no entanto, não me desmotivou. Pelo contrário, aumentou ainda mais meu desejo de aprender. Cada escrita que eu observava se tornava uma peça de um quebra-cabeça que eu precisava resolver.

A verdadeira virada aconteceu na pré-escola, quando tive minha primeira experiência prática com as letras e números. Com a ajuda da minha professora, usei o teclado do computador da escola e, pela primeira vez, consegui formar uma palavra. Essa palavra era o meu nome. Foi uma conquista grandiosa para mim, não apenas porque estava formando letras, mas porque estava criando algo com elas, algo que me pertencia.

A partir daí, entrei em uma fase de exploração e criação. Comecei a formar palavras com a ajuda da minha mãe, da professora e do meu irmão, desenhando letras com um entusiasmo renovado. No entanto, essa etapa trouxe novos desafios.

A maior dificuldade foi aprender a segurar o lápis corretamente. Minha coordenação motora, ainda em desenvolvimento, tornava essa tarefa bastante difícil. As letras que eu desenhava saíam tortas e desajeitadas, mas a frustração só me fazia tentar mais.

Minha mãe desempenhou um papel fundamental nesse processo. Em casa, ela me ajudou a aprender a segurar o lápis corretamente, com paciência e orientação. Essa prática constante, tanto em casa quanto na escola, foi necessária para aperfeiçoar minha caligrafia.

No entanto, havia um desafio adicional: enquanto eu me concentrava em melhorar minha escrita, também estava aprendendo a ler simultaneamente. Não me lembro se eu estava aprendendo cálculos nessa época, pois não tenho recordações claras disso.

A leitura, no início, era um campo particularmente complexo. Dividir sílabas, memorizar as letras do alfabeto, distinguir vogais de consoantes, tudo parecia um labirinto de dificuldades. Cada pequena tarefa exigia um esforço gigantesco.

A complexidade da leitura muitas vezes me fazia sentir como se eu estivesse lutando contra um mar de letras e sons que nunca se acalmava. Às vezes, eu não conseguia me concentrar e acabava fingindo que estava lendo e entendendo. Mas, pouco a pouco, o processo foi se tornando mais fácil. Logo, eu estava lendo tudo o que via na rua: placas, nomes de carros e motos. Em casa, lia os rodapés das notícias de jornal na TV, as caixas de medicamentos e as capas dos filmes que tínhamos.

A capacidade de ler o que estava ao meu redor trouxe uma nova dimensão ao meu cotidiano. Cada palavra, frase e título se tornava uma nova descoberta, uma pequena vitória na minha jornada de aprendizado.

Quando entrei no Ensino Fundamental, me senti confiante de que sabia ler. No entanto, essa confiança rapidamente foi substituída por novos desafios. Acentuar palavras e colocar pontuação nas frases pareciam tarefas ainda mais complicadas.

Eu tinha muita dificuldade em lembrar de algumas letras. Os acentos e as regras de pontuação, que eu pensava serem simples, se tornaram uma atividade chata e complexa. Cada texto parecia uma nova batalha, e a complexidade das regras gramaticais me fazia sentir como se estivesse começando tudo de novo.

Um momento particularmente marcante foi quando participei de um programa de incentivo à leitura e escrita na escola. Embora não me lembre do nome exato, recordo como funcionava: toda semana, um aluno era sorteado para levar um livro para casa, ler e fazer um resumo dos principais pontos das histórias, que eram contos infantis.

Junto com o livro, havia um caderno para registrar o resumo e um boneco de pano que acompanhava o livro de aluno para aluno, semana após semana. Um dos livros que li e resumi foi “A Raposa e as Uvas”. Esse programa foi uma forma divertida e envolvente de praticar minha leitura e escrita, e cada resumo feito era uma vitória especial.

A educação foi extremamente fundamental na minha vida. O conhecimento que obtive vale ouro, e, embora eu não consiga agradecer a todos os meus professores pessoalmente, sou imensamente grato. A cobrança, os “sermões” dos professores sobre ser responsável com as atividades, tudo isso foi fundamental para o meu desenvolvimento. Graças a eles, à minha mãe e ao meu irmão, estou aqui, cursando o Ensino Superior.

Para quem estiver lendo este texto, deixo um conselho: se você tiver a mesma oportunidade, através do seu esforço, não desista no meio do caminho. Boa sorte a você que está estudando na UFVJM. Eu acredito em você!

Esses momentos de dificuldade e conquista moldaram meu desenvolvimento. As letras, que antes me pareciam confusas e inatingíveis, começaram a ganhar forma e significado. A jornada de aprender a ler e escrever, com todos os desafios e triunfos, tornou-se uma das maiores aventuras da minha vida.

Esses primeiros passos me ensinaram que a perseverança e a curiosidade podem transformar qualquer dificuldade em uma oportunidade de crescimento. E, assim, as letras que antes eram um mistério se tornaram ferramentas com as quais posso explorar novas ideias e histórias.



SOBRE O AUTOR:

Márcio Fernandes Rodrigues Júnior, de Águas Formosas/MG, é acadêmico da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Minha História com os Livros e com os Números

Minha História com os Livros e com os Números

Liliane Lopes Barroso, Senador Modestino Gonçalves/MG

Eu nasci e cresci em uma comunidade rural. Sempre gostei de ler e estudar, mas o acesso a livros e textos escritos era muito limitado. Livros eram raros e caros, e a maioria das pessoas era analfabeta. Na zona rural as informações eram transmitidas oralmente, através de histórias, lendas e canções contadas e cantadas pelos moradores da comunidade. Só tive acesso à internet já na adolescência e lia livros na biblioteca da escola onde estudava.

O contato com a leitura na minha infância era restrito à escola, onde os livros didáticos e algumas coleções da biblioteca eram as principais fontes de leitura. Apesar do acesso limitado a livros, revistas e gibis, tive uma professora de português que sempre me incentivava a ler e frequentemente me emprestava livros. Eu os levava para casa, lia e depois devolvia. 

Embora meu pai fosse analfabeto, ele sempre foi excelente com as contas e nos dizia que, para ser alguém, era essencial saber fazer cálculos. Ficava impressionada com o fato de ele conhecer tão bem os números, mesmo assinando mal o próprio nome. Com ele, tive meus primeiros contatos com números; aprendi a contar nos dedos e a entender o valor das coisas, como comprar e pagar.

Quando entrei na escola, ainda nos anos iniciais, não tive muita dificuldade com números. Sempre me dei bem com adição e subtração, mas, com o tempo, as contas se tornaram mais complexas. A escola oferece um ambiente social rico, onde as crianças podem discutir ideias, colaborar com os colegas e aprender umas com as outras. Pais e familiares servem como modelos, mostrando como a matemática está presente em diversas situações do dia a dia.

Comecei a frequentar a escola aos sete anos de idade, pois não havia creche onde eu morava e, como meu aniversário é em julho, só pude entrar na escola nessa idade. Aprendi as primeiras letras com minha primeira professora, a Sra. Lúcia, de quem gostava muito. Lembro que os textos de que mais gostava eram as fábulas, mas éramos pouco incentivados a escrever. Mesmo assim, a escola teve um papel essencial no meu letramento.

No Ensino Fundamental I, ainda na escola da zona rural, as fábulas sempre me chamavam a atenção, especialmente aquelas com personagens animais que deixavam uma moral ou lição de vida. Um livro que nunca esquecerei é “A Formiguinha e a Neve”, que ensinava que “não adianta pedir nada aos vivos se não houver moeda de troca”. No Ensino Fundamental II, já em outra escola, em Itamarandiba, tive mais acesso a livros, pois havia uma biblioteca com mais opções. Lá, éramos mais incentivados a ler. Lembro-me de que os professores nos davam tarefas para levar um livro para casa, ler e fazer um resumo. Também íamos à Biblioteca Municipal para fazer trabalhos em grupo, já que não tínhamos acesso à internet. No Ensino Médio, na mesma escola, uma coleção de livros que me marcou foi “Crepúsculo”. Li toda a série e me perdi na história.

Inicialmente, a leitura e a escrita eram atividades obrigatórias na escola. Com o tempo, descobri o prazer de me perder em uma boa história e de aprender coisas novas através dos livros. Minha relação com a leitura, a escrita e a matemática evoluíram ao longo do tempo, influenciada por diversos fatores, como a escola, a família, as experiências de vida e os interesses pessoais. A escola desempenhou um papel fundamental na minha formação, mas minha relação com o conhecimento também foi moldada por fatores externos ao ambiente escolar. Acredito que poderia ter aprendido mais sobre conteúdos matemáticos na escola básica, e isso será um grande desafio para mim. No entanto, sempre tive a vontade de me aprofundar e conhecer melhor esse universo.

A faculdade tem me desafiado a pensar de forma mais crítica e a me tornar uma leitora e escritora mais competente. Estou aprendendo a pesquisar, analisar informações e expressar minhas ideias. A carga de leitura é bem maior e exige mais tempo e dedicação. Às vezes, sinto dificuldade em encontrar tempo para tudo o que preciso ler e escrever.

Apesar de todos os desafios e limitações que enfrentei ao longo da minha trajetória, minha persistência e dedicação me permitiram superar obstáculos e aprender cada vez mais. A leitura, a escrita e os números se tornaram parte essencial da minha vida, moldando minha forma de pensar e agir. A busca pelo conhecimento e pela superação de limites é uma jornada constante, que me motiva a seguir em frente e continuar aprendendo, sempre em busca de novos desafios e horizontes.



SOBRE A AUTORA:

Liliane Lopes Barroso, de Senador Modestino Gonçalves/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Meu Caderno do Menino Maluquinho

Meu Caderno do Menino Maluquinho

Kênia Lopes Almeida, Turmalina/MG

Vivemos em um mundo onde a correria do dia a dia nos leva a terceirizar algumas atividades rotineiras, e isso também se aplica ao acompanhamento de nossas crianças em tarefas simples. Na minha família não foi, e não é, diferente. Tenho 36 anos e venho de uma família humilde, com pouco conhecimento escolar. Sou filha de um pintor e de uma copeira, ambos com o ensino fundamental. Em casa, não havia muita didática de leitura; o máximo que eu tinha à disposição era um caderno e um lápis para rabiscar, o que, por sinal, era muito divertido.

Minha vivência na creche começou aos 6 meses de idade, no ano de 1988, em Belo Horizonte – MG, na Creche Comunitária Vila Piratininga, que foi o braço direito dos meus pais na minha educação e alfabetização. Lá, eu passava a maior parte do meu dia, na verdade, o dia todo. A creche me proporcionou meu primeiro contato com livros de historinhas infantis, cantigas de roda e brincadeiras. Sempre havia releituras de histórias, de várias formas, até mesmo com fantoches e teatros. A brinquedoteca era o melhor momento; lá, havia brinquedos educativos e livros, onde podíamos ser “livres” para escolher e expressar o que desejássemos.

As atividades em sala de aula envolviam trabalhinhos feitos com tintas, feijões, retalhos e bolinhas de papel crepom. Usávamos muita criatividade, papel e cola, mas o tão sonhado caderno ainda não fazia parte da rotina. As cuidadoras da creche eram muito carinhosas, e foi nesse ambiente de cuidado que eu cresci, criando vínculos, memórias afetivas e momentos importantes para a minha vida pessoal, educacional e profissional. Foi nesse ambiente que iniciei minha escrita.  Na creche, antes mesmo do “prezinho” (pré-escolar), fui apresentada às primeiras letras, especialmente o “K”, com o qual se inicia meu nome, que foi, inclusive, bem difícil de aprender.

Em 1993, na mesma creche, iniciei o prezinho e chegou o grande momento de receber meu primeiro caderno, doado pela instituição. Era um caderno brochura com a capa do Menino Maluquinho. Eu não o levava para casa, mas agora as atividades não eram mais feitas em folhas avulsas, e sim no meu caderno, que meu pai fez questão de guardar e que tenho até hoje.

Os desafios agora eram novos. Eu precisava aprender a escrever meu nome completo até o final do ano para assinar meu primeiro diploma. Comecei a aprender o alfabeto completo e os números. Ah, os números! Eles conquistaram meu coração desde o início, com as continhas básicas. O prezinho foi um período muito marcante para mim. A professora Elaine era muito paciente, e pude aprender bastante com ela durante todo o ano. Considero que tive um bom preparo para ingressar no Ensino Fundamental. Fiz amizades que perduram até hoje.

No final do ano do prezinho, recebi o tão sonhado diploma da Branca de Neve, que também tenho até hoje. No entanto, guardo certo ressentimento porque a secretaria insistiu para que eu acrescentasse o “de” ao meu sobrenome, e assim assinei o diploma de forma errada. Por outro lado, tenho uma linda lembrança da minha formatura e do desejo de frequentar a escola.

O ano era 1994: uniforme novo, escola nova. Agora, além de um caderno, eu tinha uma mochila, uma bolsinha e até uma lancheira. Quanta novidade! Ingressei na Escola Estadual Carmo Giffonni e fui acolhida pela professora Bernadete, uma mulher evangélica, muito carismática, mas rígida em suas cobranças.

Nesse período, comecei a gostar mais de matemática; o português nunca foi meu forte. Eu chegava em casa e, por diversão, escrevia os números até onde conseguia. Fazia competições com minhas primas, enchendo folhas e folhas com números. Quando o assunto era a escrita, eu precisava melhorar minha letra. Na tentativa de ajudar, meus pais compraram um caderno de caligrafia, mas foi em vão, pois minha letra continua um desastre.

A primeira série me trouxe experiências que, até hoje, ao lembrar, me remetem às emoções daquela época. Posso citar o tão temido “ditado”, que, quando anunciado pela professora, me fazia tremer e quase chorar, pois eu sabia que a escrita era meu ponto fraco. Porém, eu sentia uma alegria imensa quando a professora nos pedia para estudar a tabuada.

Na escola em que estudava, só passava de ano quem fizesse uma boa leitura na secretaria. Apesar de minha escrita não ser das melhores, minha leitura sempre foi considerada boa, e minhas notas também eram boas. Assim, passar de ano nunca foi difícil para mim. Durante quatro anos, estive na mesma escola, estudando de manhã e frequentando a creche à tarde, onde havia apoio para as tarefas de casa e outras atividades para reforçar o aprendizado.

As séries iniciais me proporcionaram uma base escolar muito rica. Lembro-me das pesquisas feitas em bibliotecas, das reuniões com colegas para montar cartazes que seriam apresentados em sala de aula e dos trabalhos escritos, que geralmente eram feitos com a enciclopédia da Barsa.

Com o fim da quarta série (atual quinto ano), uma nova mudança se aproximava: o ingresso na quinta série, em outra escola, com mais disciplinas e mais professores. Nesse período, também fui informada de que teria que deixar a creche, pois não havia mais verba para manter os alunos até os 18 anos, como antes. Isso me abalou bastante, pois a creche havia sido meu apoio durante toda a minha vida escolar.

A escola em que comecei a quinta série não era a melhor da região, e não tenho muitas lembranças desse período, pois minha família se mudou para Montes Claros – MG, onde concluí a quinta série. Devido à mudança, foi um ano em que, apesar de tirar boas notas e ser aprovada para a sexta série, não adquiri muito conhecimento.

Ao retornar para Belo Horizonte – MG, fui matriculada em outra escola, onde cursei a sexta e a sétima séries. Reencontrei colegas da creche e conheci o professor de matemática, Ercílio, que foi mais um dos responsáveis por me apaixonar pela matéria. Era encantador como ele apresentava os conteúdos e fazia com que toda a turma os absorvesse.

Com o Ensino Fundamental concluído, ingressei no Ensino Médio. A imaturidade da adolescência fez com que eu não me preocupasse tanto em aprender, e sim em apenas passar de ano. Embora eu tenha tido boas notas e um bom desempenho, não considero que tenha absorvido muito conteúdo, especialmente em matérias como química, biologia e física.

O último ano do Ensino Médio foi um período muito difícil, em que tive que lidar com a depressão. Cheguei a um ponto crítico, ficando de cama, sem conseguir tomar banho e até tentando contra minha própria vida. Em meio a esse caos da depressão, consegui concluir os estudos, mas me vi sem rumo e sem expectativas. Diante da situação, meus pais sugeriram que eu fosse morar em Montes Claros – MG para tentar o vestibular.

Ao me mudar, comecei a fazer cursinho e me deparei com a decisão mais difícil: qual curso escolher? Após muitas pesquisas, decidi tentar o vestibular para Economia e Administração na Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), mas não passei.

Isso me desmotivou, mas resolvi tentar novamente, e a vitória veio; fui aprovada em Economia, com 17 anos, para ingressar no início de 2007. A aprovação significava muito para mim e para minha família, pois eu seria a primeira da família da minha mãe a entrar em uma faculdade, o que era um peso imensurável.

O ingresso na faculdade, além de me tirar da depressão, ampliou meus horizontes de conhecimento. Aprendi a estudar com seriedade e a desenvolver leituras críticas. Tive a oportunidade de participar da iniciação científica, o que ampliou ainda mais minha compreensão de textos acadêmicos e me permitiu publicar artigos.

Formei-me em Economia em 2010, aos 21 anos, e entrei no mercado de trabalho, embora não diretamente na minha área. Há dois anos, aos 34 anos, tornei-me mãe de gêmeos e tenho um enteado de 9 anos, o que me demanda muito tempo.

Afastei-me do mercado de trabalho e atualmente estou cursando Matemática pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM), buscando me reencontrar, pois estudar é algo que me satisfaz e me faz sentir viva.

Hoje, ao olhar para o meu caderno do Menino Maluquinho, vejo que ali foi apenas o começo, um começo que não precisa ter fim enquanto eu existir.



SOBRE A AUTORA:

Kênia Lopes Almeida, de Turmalina/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

História da Minha Vida: Memórias e Lembranças

História da Minha Vida: Memórias e Lembranças

Isaias Teixeira dos Santos, Salinas/MG

Para contar a minha história, alguns momentos precisam ser destacados. Sempre fui e continuo sendo uma pessoa muito feliz, e todos os ensinamentos que recebi ao longo da minha jornada me moldaram ao que sou hoje. Me lembro dos livros e histórias em quadrinhos que eu lia. Venho de uma família simples e humilde. Não comprávamos muitos livros, mas sempre tive acesso a eles através da escola.

Quando criança, frequentava muito a feira da cidade, que reunia pessoas do município e da região. Alguns iam à feira para comprar verduras, frutas e carnes, enquanto outros frequentavam os bancos, lotéricas e lojas, onde havia panfletos, jornais ou revistas.

Na feira eu observava as pessoas lendo, escrevendo ou manuseando esses papéis e documentos, sempre curioso para saber o que estava escrito.

Ainda criança e adolescente, ganhei diversos gibis, quebra-cabeças e livros. Eu adorava, pois isso despertava minha curiosidade sobre o que estava escrito. Não me lembro da primeira vez que ganhei algo assim.

Lembro-me de uma ocasião em que fui à feira pela manhã e fiquei próximo a uma banca de revistas e jornais. O senhor que vendia ali percebeu meu interesse em uma revista em quadrinhos (gibi) e acabou me presenteando com ela. Saí rapidamente daquele lugar para ir a uma praça próxima e começar a ler. Foi um dia muito feliz. A gentileza daquele senhor, junto ao fato de que eu queria muito ler aquela revista, tornou o momento inesquecível.

Na feira, também compreendi outras coisas. Minha mãe sempre me levava, e por isso aprendi a fazer contas simples, como dar troco e calcular o preço de frutas, verduras e carnes.

Quando comecei a frequentar a escola, já tinha uma noção básica de números, o que facilitou meu aprendizado. O contato com o dinheiro me ajudou a entender valores e trocas, sendo essa uma das primeiras formas de interação que tive com contas e números.

Na escola, aprendi rapidamente a somar e subtrair, pois minha mãe já havia me ensinado um pouco, a professora reforçou o conteúdo. Eu sempre fui uma criança ativa e curiosa, com facilidade para assimilar contas, palavras e conteúdos.

Eu era muito brincalhão; isso, às vezes, atrapalhava meu próprio aprendizado, o que me causou certa dificuldade em resolver problemas matemáticos. Mas, com o tempo e dedicação, superei esses obstáculos.

A influência na escola e na minha família foi importante nos meus primeiros passos, no aprendizado de matemática, contribuindo significativamente para meu progresso. Graças a esses dois pilares, consegui aprimorar minhas habilidades cognitivas, emocionais, sociais e culturais, o que foi fundamental para meu crescimento pessoal.

Antes mesmo de começar a jornada escolar, já sabia escrever meu nome, algo que minha mãe me ensinou. Minha letra não era das melhores, mas eu conhecia algumas letras do alfabeto. Não lembro quantos anos eu tinha na época que aprendi a escrever meu nome, mas foi uma experiência maravilhosa, por estar junto da minha mãe.

Nos primeiros anos escolares, a escrita foi um caminho cheio de descobertas. A prática começou com o domínio do alfabeto e evoluiu para a formação de palavras básicas. O entusiasmo e a dedicação da professora foram essenciais para o desenvolvimento da minha habilidade de escrever. Ela, junto com minha família, me deu o apoio necessário para desenvolver confiança.

Lembro de escrever textos com base em canções que conhecíamos, como “A canoa virou”, “O sapo não lava o pé”, “Se essa rua fosse minha” e “O cravo brigou com a rosa”, entre outras. Eram canções que adorávamos e que a professora nos ensinava.

Minha relação com a escrita nos primeiros anos escolares foi fascinante, pois descobri muitas novas palavras, letras e números. A escola desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da minha coordenação motora e na construção de uma base sólida para minha alfabetização, além de despertar em mim o prazer pela leitura e pela escrita.

Durante o Ensino Fundamental I, um dos livros que mais me marcou foi Chapeuzinho Amarelo, de Chico Buarque, com ilustrações vibrantes de Ziraldo. O livro conta a história de uma garotinha que supera seus medos, e a narrativa descreve como ela, que no início temia tudo, inclusive o Lobo, termina a história enfrentando seus medos com coragem. Esse livro encantador me marcou profundamente.

No Ensino Fundamental II, tive a oportunidade de ler diversos textos igualmente simples e cativantes. Um dos livros que me marcou foi O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry. A obra aborda temas como amizade, amor, solidão e a busca pelo verdadeiro significado da vida. A leitura desse clássico me emocionou muito.

No Ensino Médio, li uma versão adaptada de Os Miseráveis, de Victor Hugo. Esta obra aborda questões de justiça, misericórdia e as desigualdades sociais na França, centrada na trajetória de Jean Valjean. A profundidade da crítica social e humana desse livro me impactou, especialmente ao mostrar as injustiças enfrentadas pelas classes mais pobres. Essa leitura, assim como outras, teve grande influência em minha formação cultural e social.

Ao longo dos anos, percebi meu amadurecimento na leitura e na escrita. A prática constante desses hábitos foi essencial para meu desenvolvimento intelectual. Minha curiosidade pessoal sempre me motivou a entender melhor o mundo à minha volta, tanto nas dimensões sociais quanto culturais e econômicas.

Durante a universidade, meu hábito de leitura se intensificou. Embora tenha encontrado dificuldades no início com textos acadêmicos, hoje me sinto mais confortável, especialmente ao ler sobre movimentos sociais, Educação do Campo e políticas públicas educacionais.

Sinto falta de conteúdos mais práticos de língua e matemática, principalmente em relação aos desafios econômicos e burocráticos que envolvem números e letras, como a declaração de imposto de renda e o entendimento de movimentações bancárias. Para superar essas lacunas, busquei cursos que me ajudaram nessas questões.



SOBRE O AUTOR:

Isaias Teixeira dos Santos, de Salinas/MG, é acadêmico da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Minha História Como Estudante

Minha História Como Estudante

Ione Pereira Coelho Marques, Grão Mongol/MG

Olá! Meu nome é Ione Pereira Coelho Marques, e moro na cidade de Grão Mogol. Sempre fui estudante de escola pública, e meu primeiro contato com a escrita foi aos seis anos de idade, na primeira série, como era chamada na época. Sempre fui uma criança que gostava muito de ir à escola e de estudar. Quando era pequena, eu contava os dias para começar as aulas.

Desde a infância, no momento em que iniciei os estudos, sempre tive dificuldades para ir à escola, pois morava na zona rural e, na época, não havia transporte escolar. Então, eu ia a pé para a escola, mas isso não fez com que eu desistisse dos estudos, pois sempre fui uma criança dedicada.

Quando criança, sempre gostei de ler contos de fadas, histórias em quadrinhos, entre outros gêneros. Isso serviu como incentivo para que eu começasse a aprender a ler. O período da escola foi a melhor parte da minha infância e adolescência.

Comecei a estudar na quinta série, e a partir desse período surgiram dificuldades para mim, pois tínhamos vários obstáculos para chegar à escola, enfrentávamos horas de viagem em um ônibus, chuvas, temporais e vários outros contratempos.

Isso, porém, não me fez desistir dos estudos, pois eles são essenciais para o desenvolvimento de qualquer pessoa. A alfabetização abre portas e permite que uma pessoa conquiste o mundo ao seu redor. A leitura e a escrita são processos fundamentais de aprendizado.

Foi por meio dos livros, como Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve e A Bela Adormecida, que me encantei pelos contos de fadas. Eu imaginava como seriam fascinantes essas histórias e os quadrinhos.

Aprendi a ler e a escrever com a ajuda de meu professor, que segurava minha mão e me ensinava as letras do alfabeto, as vogais, as consoantes, e o método silábico de alfabetização. Com o passar do tempo, ingressei no Ensino Médio, onde havia muitos professores, matérias diferentes e horários variados. No início, estranhei essa nova rotina, mas logo me acostumei.

As aulas tinham 50 minutos de duração, e, no começo, tive dificuldades, principalmente por não estar habituada a escrever tanto em um único dia. Porém, com o tempo, me adaptei e passei a gostar cada vez mais do ambiente escolar, mesmo sendo uma escola pública, com turmas lotadas de mais de 50 alunos.

Minha matéria preferida sempre foi História, e eu me destacava nessa disciplina, obtendo notas excelentes. Embora as outras matérias também fossem interessantes, tive dificuldades em Matemática e Química, pois os professores não explicavam bem e não revisavam o conteúdo adequadamente. Pareciam dar mais atenção apenas a alguns alunos.

Apesar de vários desafios, consegui tirar boas notas em todos os bimestres do Ensino Médio e nunca pensei em desistir dos estudos. Escolhi cursar Matemática na faculdade por minha vontade de aprender e pela crença de que a educação é a chave para transformar o mundo. A educação tem o poder de mudar vidas.



SOBRE A AUTORA:

Ione Pereira Coelho Marques, de Grão Mongol/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Memórias e Realizações

Memórias e Realizações

Flaviane Barbosa Sena, Rubim/MG

Quando criança, antes de frequentar a escola, era comum ver textos em minha casa, pois meus irmãos já frequentavam a escola. Minha mãe tinha um caderno de receitas, um livro de plantas medicinais e alguns livros e dicionários antigos. Ela sempre lia a Bíblia e frequentava os cultos ou a missa na comunidade aos domingos. Com a escrita, ela fazia lista de alimentos que faltavam para o meu pai trazer do mercado, além de escrever algumas receitas. Eu sempre observava.

Aos cinco anos, comecei a frequentar o pré-escolar com meu irmão, que na época tinha seis anos. Fazíamos cirandinha para ajudar na coordenação motora. No ano seguinte não teve o pré-escolar e eu não tinha idade para entrar no primeiro ano. Sem a escola, fiquei muito triste e sempre reclamava quando os meus irmãos iam pra escola, pois eu não podia mais ir e ficava com minha mãe em casa.

Aos sete anos, ganhei da minha tia Gislene um livro que não me lembro exatamente o nome, mas era algo tipo O Circo do Palhaço Pipoca. No início, observava as imagens: um menininho com dois cachorrinhos equilibrando-se em uma bola. Quando aprendi a ler, sempre lia esse livro e gostava muito, mas cresci e não me lembro do seu paradeiro. Já pesquisei na internet tentando encontrar, mas não tive sucesso. Por isso, imagino que o nome esteja errado.

Lembro que meu irmão tinha um quebra-cabeças que, quando nossa mãe permitia, nos reuníamos pra montá-lo. Ouvia músicas através do “toca-discos”, que tocava discos de vinil, e rádio. Todas as noites, o meu pai ligava o rádio pra ouvir A Voz do Brasil e, de madrugada, ao acordar, ligava o rádio novamente e estava sempre bem-informado.

Aprendi a contar e a escrever na escola. Tenho lembrança de que a professora havia passado alguns probleminhas pra serem resolvidos, e ela sempre pedia pra irmos ao quadro. Meus colegas “mais velhos” já sabiam resolver e elaborar a resposta. Eu, incentivada ao ver meus colegas, fui fazer igual. Eu sabia fazer a conta, mas não sabia elaborar a resposta como se devia; quando escrevi a minha resposta do problema no quadro, e não tinha nada a ver, todos riram de mim.

Desde pequena, sempre via o meu pai pagar as pessoas pelos serviços prestados na roça, como colheita, capinas etc. Assim, sabia que o dinheiro tinha importância, mas não entendia isso completamente. Quando era pequena, a moeda era o Cruzeiro, e até hoje não entendo muito sobre ela. Quando tinha 11 anos, houve a troca da moeda e, por um tempo, passou pra Cruzado e depois pra Cruzado Novo, voltou a ser Cruzeiro e, só depois, passou a ser Real. Lembro-me também que as pessoas demoraram a compreender o “real valor” do Real.

Durante a minha vida escolar, tive um bom desempenho na escrita, leitura e cálculos. Não era a melhor aluna da classe, mas não era aquela com maiores dificuldades. Sabia da importância de me dedicar aos estudos, pois sempre ouvia meus pais e professores me incentivando. A família foi fundamental no incentivo, cuidado e apoio, pois minha mãe tinha o cuidado de fazer o almoço mais cedo, quando eu estudava à tarde, ou se levantar bem cedinho pra preparar o café, quando eu estudava pela manhã. A nossa roupa sempre estava limpinha pra irmos pra escola, mesmo que fosse sempre a mesma roupinha. Lembro-me que alguns dos meus colegas não deram sequência aos estudos por falta de apoio e cuidado dos pais.

Mudei de escola quando estava na terceira série e, na nova escola, tinha biblioteca, mas eu era muito tímida e não me atrevi a conhecê-la. Na quinta série, mudei pra outra escola, onde permaneci até o ensino médio. Com o tempo, fiz amizades e, a partir daí, comecei a ir à biblioteca da escola e pegar livros pra ler aleatoriamente. Outros, a professora de literatura indicava. Mas não tinha muito tempo pra leitura, pois tinha que ajudar meus pais com as tarefas na roça.

Quando cursava o ensino médio, ouvia sempre os professores e colegas falando em fazer vestibular. Então, eu ficava imaginando terminar o ensino médio pra fazer um curso superior; queria muito ter uma formação. Ao concluir o ensino médio, não consegui ingressar na faculdade imediatamente. Tentei o vestibular e fiz o Enem, mas não consegui naquela época, devido à distância e às condições financeiras, apesar do meu desejo. Apenas seis anos depois surgiu a oportunidade. Então, cursei Licenciatura em Biologia pela FTC EaD. Tive várias dificuldades, mas foi muito gratificante concluir o curso. Atualmente, estou cursando uma pós-graduação pelo IFES; falta apenas concluir o Trabalho Final de Curso. E recentemente ingressei no curso de Química pela UFVJM. São muitos os obstáculos; é preciso muita dedicação, organização e esforço pra conseguir estudar e fazer as leituras necessárias.

Procuro incentivar meus filhos na leitura e na escrita, pois sei da importância delas em nossas vidas. Meu filho, hoje com 20 anos, está cursando o segundo período do curso de Direito, e minha filha, com 13 anos e no Ensino Fundamental II, escreveu seu próprio livro com o incentivo da professora de português e da escola, e está trabalhando no segundo. É muito gratificante estar vivendo tudo isso.



SOBRE A AUTORA:

Flaviane Barbosa Sena, de Rubim/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Vida Estudantil

Vida Estudantil

Flaviana Moreira da Silva, Turmalina/MG

Morava em uma comunidade rural com meus familiares (pai, mãe e meus dois irmãos). Era uma grota sombria, longe do barulho da cidade; isso foi há quase 30 anos.  Naquele lugar, tudo era muito difícil. Livros, revistas e jornais eu jamais tinha visto ou pegado, apenas ouvia falar. Tínhamos um rádio a pilha onde ouvíamos “Zé Betio” falar. Ah, que saudade daquele “boa noite” do “Zé Betio” que eu tanto amava escutar!

Comecei a escrever e ler somente a partir dos sete anos, quando comecei a frequentar a escola. Tenho lembranças da escola apenas dos poucos rabiscos que o professor sempre apagava, porque a escrita estava sempre errada. Mas o cheiro do pó da borracha emaranhado ao perfume do professor nunca saiu da minha memória.

Antes dos sete anos, quando iniciei a vida escolar, nunca tinha pegado um lápis, caderno e afins. Como eu era a mais velha dos irmãos e meus pais não liam, infelizmente não havia nada em casa com o qual eu pudesse ter contato com esse tipo de material.

Após completar os sete anos, vieram o medo e a insegurança, mas, ao mesmo tempo, muita alegria, porque iria estudar. Logo, meu pai e eu fomos à procura de materiais escolares para o ano letivo.

No mês de fevereiro, a aula inicia, e um frio na barriga me consome. Eu, uma criança fina (magrela), caminhava 5 km para poder estudar.

No primeiro dia de aula, o professor estava todo contente, enquanto os alunos estavam desconfiados. Logo vejo os numerais, AEIOU e, em seguida, o alfabeto. O que era aquilo que ele falava e mostrava? Entrava em um ouvido e saía pelo outro. Com muita dificuldade, custava sair um A. O professor, sempre muito paciente, estava disposto a auxiliar.

O primeiro ano escolar foi tudo muito difícil, sem acesso a nada (livros, revistas, TV); inclusive, não tínhamos energia elétrica. Como foi difícil! Mas, com a determinação do professor em lecionar com extrema sabedoria, conseguimos concluir o primeiro ano.

Penso que, sem a ajuda da escola e do professor, eu hoje não seria nada. A escola foi e sempre será uma peça fundamental na minha vida de estudante.

Lá no início, quando ainda era criança, não via muito sentido em estudar, ler e escrever. Mas agora, como estudante universitária, sinto muito prazer nos estudos. Pegar um livro para ler e, em apenas três dias, ter lido tudo foi uma verdadeira virada de chave na minha vida.

A leitura me ajuda muito na concentração e me desvia das redes sociais por longos períodos. Isso me afasta um pouco de estar mais presente com os amigos, mas amo o que faço e faço por amor.

O ensino médio me abriu portas onde jamais imaginei chegar. O ensino médio é o início de um grande sonho: a tão sonhada faculdade. Sinto-me hoje muito feliz e honrada por tudo que estou trilhando. Sigo o caminho do sucesso; o futuro é logo ali.



SOBRE A AUTORA:

Flaviana Moreira da Silva, de Turmalina/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Minhas Memórias Escolares

Minhas Memórias Escolares

Edilson José da Costa, Santa Cruz de Salinas/MG

Eu não tinha muito acesso a textos escritos em casa, pois moro na zona rural desde pequeno, e nem na cidade mais próxima havia esse acesso. Mas, graças a Deus, eu tinha alguns livros bem antigos que pertenciam aos meus avós. Gostava muito de pegá-los para ler e ver as imagens, que sempre chamavam minha atenção. Me lembro de que, antes mesmo de frequentar a escola, via meus primos e irmãos fazendo as atividades dos livros que os professores passavam para fazerem em casa. Eu ficava só observando, morrendo de vontade de pegar os livros para ler o que eles estavam copiando, mas, infelizmente, ainda não sabia ler nem escrever. Me lembro de que pegava o lápis e tentava desenhar, porém o que eu queria mesmo era frequentar a escola para aprender a ler e escrever o quanto antes.

Quando era criança, ganhei uns quebra-cabeças e ficava quase o dia inteiro tentando montá-los; era uma diversão enorme para mim, pois, antigamente, era a coisa mais rara de se ganhar. Esses quebra-cabeças me ajudaram muito no aprendizado e desenvolvimento como criança. Me lembro também de ter ganhado uns dominós que me ajudaram bastante; aprendi a contar antes mesmo de ir para a escola. Tenho lembranças que usava caroços de feijão e de milho e ficava os contando. Só que eu sabia contar só até cem; daí para frente, não sabia mais contar. Quando entrei na escola, consegui contar mais de cem.

Comecei a reconhecer o dinheiro só depois que entrei na escola, pois não tinha muito contato com ele, já que venho de uma família humilde, que passava por muitas privações. Só depois que entrei na escola fui tendo os meus primeiros contatos com o dinheiro. Me lembro que, na escola onde estudava, morava uma mulher pertinho dali que fazia geladinhos para vender, e me dava uma vontade enorme de comprar, mas eu não tinha dinheiro. Quando chegava em casa, eu falava para meus pais que havia essa mulher e, quando sobravam umas moedas, eles me davam para comprar os geladinhos que eu sempre desejava. Assim, fui tendo meus primeiros contatos com o dinheiro e fui aprendendo a reconhecê-lo também.

Me lembro que aprendi a contar usando caroços de feijão antes de ir para a escola. Eu tinha muita vontade de fazer contas, mas não sabia nem por onde começar; só fui aprender mesmo depois que entrei na escola e cada vez mais ao resolver problemas matemáticos. Desde criança, tenho facilidade com a matemática, mesmo com tantas dificuldades e sem aprender todas as matérias que queria muito ter aprendido. Porém, os professores nunca passavam a matéria toda; sempre ficava faltando.

A escola onde estudei teve um papel muito importante no meu aprendizado e nos letramentos matemáticos. Tive a grande sorte de ter um professor muito experiente, que, além de ser professor, era um grande amigo. Minha família não teve esse papel importante no meu aprendizado nos letramentos matemáticos, mas não por culpa deles; meus pais eram analfabetos, e o restante da família não tinha muito estudo naquela época.

Desde os cinco anos de idade, já gostava de ter contato com lápis e canetas. Me recordo que tentava desenhar no caderno e só fazia rabiscos, pois não conseguia desenhar. Antes de entrar na escola, só sabia fazer meu nome e contar até cem. Minha relação com a escrita nos primeiros anos da escola não foi muito boa. Quando entrei na escola, faltava muito material para os alunos estudarem; eu mesmo tinha que dividir um livro com quatro colegas para poder ler e responder às atividades, pois não havia livros suficientes para todos os alunos. Me lembro de que meu professor me colocava para ler e escrever bastante, a fim de melhorar minha escrita e leitura. Depois, surgiu o quadro na minha escola, pois até então não havia. Isso me ajudou muito, pois tornou o processo de aprendizado mais fácil, permitindo que eu melhorasse ainda mais na leitura e na escrita.

Eu gostava muito de escrever e ler poemas, além de contos folclóricos que o professor me pedia para copiar do livro. Além disso, ele pedia que eu perguntasse à minha família sobre algum conto folclórico brasileiro que conhecessem, para que eu o escrevesse no caderno e, posteriormente, lesse para todos os colegas da sala. O papel da escola nos meus letramentos iniciais foi fundamental, apesar das diversas dificuldades que a instituição enfrentava, como a frequente falta de material.

Mesmo com as dificuldades, a escola sempre se esforçava ao máximo para nos ensinar tudo o que precisávamos aprender. Na época em que comecei a estudar, meu professor morava muito longe e precisava ir a cavalo, já que naquele tempo poucas pessoas tinham acesso a algum meio de transporte. Eu gostava muito de ler histórias em quadrinhos, lendas do folclore brasileiro e poemas. Quando comecei a estudar, adorava produzir poemas, especialmente aqueles com rimas engraçadas.

Ao mudar de escola, tudo se transformou para mim. Havia mais professores, as matérias eram bem mais difíceis, e, no início, enfrentei muita dificuldade. Minhas notas no primeiro bimestre foram praticamente todas ruins. Apenas a partir do segundo bimestre, as notas começaram a melhorar um pouco, e eu sempre me destacava em matemática, a matéria de que mais gostava.

No ensino médio, tive dificuldades similares, pois foram acrescentados mais matérias e professores. Assim como no ensino fundamental, minhas notas do primeiro bimestre não foram boas. Somente no segundo bimestre, após me adaptar melhor, elas começaram a melhorar.

Na minha primeira escola não havia biblioteca; só fui ter contato com uma biblioteca depois que entrei na segunda escola. Meus professores me pediam para frequentar a biblioteca, e eu aproveitava os horários vagos, ou então a hora do recreio, para ler um livro e fazer uma visita. Quando estudava na primeira escola, nos anos iniciais, cometia muitos erros de escrita e tinha certa dificuldade para formar frases longas. O pior é que meu professor não chamava a atenção para esses erros que eu cometia naquela época. Ao mudar de escola, minha escrita e leitura evoluíram bastante, e, a cada ano, eu aprendia mais a escrever e ler corretamente. Hoje, não tenho mais aquelas dificuldades que enfrentava no início dos estudos.

Assim que entrei no ensino médio, precisei mudar muito minha relação com a leitura e a escrita, pois estava prestes a fazer minha primeira redação no ENEM e sabia que os erros precisavam ser mínimos. Meus problemas com a escrita e leitura se devia ao fato da falta de correção pelos meus professores, o que dificultava bastante o aprendizado correto. Houve várias vezes em que alguns professores erraram ao escrever no quadro e, como resultado, todos os alunos também copiavam errado.

Os números sempre fizeram muito sentido para mim, mesmo antes de entrar na escola. Hoje, utilizo-os em praticamente tudo que faço. Me recordo de quando fazia doces para vender, precisava somar diariamente os gastos e ganhos para, ao final do mês, calcular se estava lucrando ou não com a venda. Imagine se eu não tivesse facilidade com os números; provavelmente teria que pedir ajuda a alguém para fazer essas contas diariamente.

Entrei na universidade recentemente, então ainda não consegui observar muitas mudanças, pois faz pouco tempo que comecei. Mesmo assim, venho me cobrando diariamente para melhorar cada vez mais minha leitura e escrita, pois sei da responsabilidade que é estudar em uma universidade, onde os erros devem ser evitados. Um ponto muito positivo é que, a partir de agora, estou me dedicando ao máximo para aprimorar ainda mais minha escrita e leitura, sabendo que, em um futuro próximo, colherei grandes frutos. Um ponto negativo é a quantidade de material disponível ao mesmo tempo; há muitas atividades para ler e responder, e é preciso estar atento aos prazos de envio. Por isso, sempre procuro responder primeiro as atividades com prazos menores.

Mesmo com algumas dificuldades, estou me esforçando ao máximo para ler e concluir tudo que meus professores solicitam. Quando se trata de atividades avaliativas, gosto de enviar as respostas antes do prazo final, para não acumular. No início, estou tendo algumas dificuldades com os textos acadêmicos, mas estou me esforçando para me adaptar rapidamente às novas formas e perspectivas de leitura.

Tenho muito interesse em aprender, aprimorar meus conhecimentos e melhorar significativamente minha escrita e leitura. Após ingressar na faculdade, percebi algo muito importante: o ensino que recebi nas escolas anteriores foi bastante frágil. Por isso, hoje enfrento dificuldades em alguns conteúdos. Os gêneros textuais que mais gosto são o narrativo, o dissertativo e o expositivo.

Neste começo de faculdade, sinto muita falta de conteúdos que meus professores anteriores não abordaram. As matérias de que mais sinto falta são língua portuguesa e matemática. Administro bem minhas finanças e procuro gastar dentro dos meus limites. No entanto, não foi o ensino médio que me ensinou a lidar com questões financeiras, mas sim meus pais, que, desde cedo, me aconselharam a lidar com a vida de forma responsável.



SOBRE O AUTOR:

Edilson José da Costa, de Santa Cruz de Salinas/MG, é acadêmico da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.


A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

Um Livro: Memórias a Contar

Um Livro: Memórias a Contar

Delecy Costa Sardinha, Itamarandiba/MG

Quando criança, tudo parecia novo e empolgante para mim, especialmente quando se tratava de palavras e números escritos. Em um instante, percebi que cada rabisco no papel carregava um significado; não era apenas uma decoração. Isso me motivou a buscar mais informações sobre esse assunto que me interessava. Sempre questionava meus pais sobre as coisas que me chamavam a atenção, perguntando: “O que é isso?” ou “Para que serve?”

Minha curiosidade pela leitura começou quando meu primo trouxe alguns livros e revistas infantis; inclusive, lembro que uma delas era da Turma da Mônica. Ficava intrigada com o conteúdo dos livros e, quando minha mãe não podia me contar do que se tratava a história, eu mesma tentava decifrar as palavras, muitas vezes criando minhas próprias histórias com base nas imagens. Eu tinha cinco anos na época e, embora já tivesse tido contato com a Bíblia e revistas da igreja, minha curiosidade pela leitura ainda não havia despertado. Talvez isso se devesse às letras pequenas ou ao fato de ser algo menos acessível.

Ao longo do tempo, fui me familiarizando com o lápis colorido e o papel para escrever, aprendendo a desenhar e formar letras com a ajuda de minha mãe. No início, parecia uma tarefa difícil e complicada, como um quebra-cabeça confuso que eu não conseguia resolver. Enquanto brincava com o quebra-cabeça, antes mesmo de tentar, eu já dizia que não conseguiria, chorava e culpava quem estava me ensinando. Mesmo assim, meus pais não desistiram da minha educação; eles queriam me oferecer algo que não tiveram quando eram crianças. Quando completei seis anos, comecei a vida escolar, na chamada fase introdutória daquela época. Minha irmã e eu ficamos tão animadas ao saber que iríamos para a escola que foi motivo de comemoração; mal podíamos esperar!

Meus pais se arrependeram de nos contar com tanta antecedência que iríamos para a escola, especialmente porque ainda faltavam muitos dias para o ano letivo começar. Nós não conseguíamos parar de falar sobre isso nem por um segundo, até que minha mãe disse que só iríamos quando meu pai trouxesse os cadernos e o restante do material. A primeira experiência foi marcante, cheia de novidades que me fizeram não querer sair de lá. Ao voltarmos para casa, estávamos tão ansiosas pelo dia seguinte que mal podíamos esperar para retornar ao ambiente escolar.

Para chegar à escola, precisávamos caminhar uma certa distância até o ponto do transporte escolar, mas isso não me desmotivou a continuar meus estudos. Na sala de aula, o início das atividades de escrita foi tranquilo, pois eu já conhecia algumas letras, o que facilitou meu desenvolvimento. Ao longo dos dias na instituição, percebi a existência de uma biblioteca repleta de livros, onde era possível emprestar obras para explorar novos conhecimentos e enriquecer nosso repertório linguístico. Durante os estudos, deparei-me com os desafios dos cálculos matemáticos, que inicialmente me pareceram complexos. No entanto, com o apoio da minha família e dos professores, consegui obter um bom desempenho nas atividades de alfabetização matemática.

A prática da leitura e da escrita foi muito útil para mim, pois me permitiram não depender tanto de lembrar de tudo sozinha, dando-me a oportunidade de escrever sobre temas que não conseguia expressar verbalmente e colocar no papel até mesmo eventos importantes para serem guardados para o futuro. Aprendi a escrever cartas como forma de expressar sentimentos para pessoas próximas ou distantes. Minha primeira carta foi para meus pais, e desde então, em ocasiões especiais, continuo a escrever para eles, aprimorando meu vocabulário e evitando repetições.

Entre os anos de 2014 e 2015, pude perceber uma variedade de abordagens em textos que exigiam interpretação para responder às perguntas de maneira clara e completa. Essa prática foi positiva, pois, além de aprender novos conteúdos, também contribuiu para o aprimoramento da minha escrita e para uma melhor compreensão do que eu lia ou escrevia. Durante esse período de 2014 a 2015, desenvolvi habilidades em cálculos com dinheiro, que ainda não dominava. Embora no papel fosse simples, a prática era um pouco demorada, especialmente ao lidar com trocos. Também aprendi a tabuada e fiquei empolgada ao perceber que esse conhecimento é essencial para a matemática e utilizado no dia a dia. No sétimo ano, minha paixão pela matemática cresceu ainda mais. Foi nessa época que comecei a explorar equações complexas cheias de símbolos, o que me deixou completamente encantada pelos números.

Eu sempre buscava desafios matemáticos e me maravilhava ao encontrar respostas para questões inimagináveis. Percebi, então, a importância dos algarismos, que se mostraram fundamentais tanto nos cálculos quanto na expressão escrita. Dessa forma, compreendi que a matemática vai além das operações e também nos permite exercitar nossa capacidade de comunicação escrita.

A biblioteca era um lugar frequentado regularmente por mim, especialmente durante as aulas de Educação Física. Sempre encontrava um tempinho para pegar um livro. Quando um determinado conteúdo me chamava a atenção, não conseguia resistir a levá-lo, mesmo que fosse mais extenso. Na biblioteca havia livros que não despertavam tanto interesse, mas eu os lia mesmo assim, pois muitas vezes eram sugeridos pelos professores. Percebi, naquele momento, a importância de desenvolver narrativas como se eu fosse uma autora. Sempre tive facilidade em criar imagens na mente, principalmente quando lia; no entanto, encontrava desafios ao tentar colocá-las no papel, muitas vezes repetindo informações de forma diferente no parágrafo seguinte ou perdendo o foco da história.

Durante o ensino médio, tanto nas disciplinas de Língua Portuguesa quanto de Matemática, os temas abordados eram mais variados e complexos, exigindo um maior raciocínio. Esses novos assuntos visavam nos preparar para avaliações futuras, como o ENEM. Os textos tornaram-se mais elaborados, principalmente os dissertativos, que eram os mais cobrados, assim como a produção textual, na qual era necessário apresentar argumentos claros e objetivos.

No início do ensino médio, enfrentei dificuldades para elaborar uma introdução adequada; porém, com as orientações da professora e bastante prática, fui melhorando progressivamente. Percebi que os textos não precisavam ser elaborados com palavras complexas; podiam ser simples, desde que transmitissem todas as informações necessárias e fossem claros em relação ao que se queria comunicar.

Ao longo da minha trajetória escolar, sempre valorizei a presença regular, e até mesmo quando não pude ir devido a problemas de transporte, como chuva na roça, me senti muito triste, lamentando como se meus pais fossem responsáveis pela situação. Até meus últimos dias na escola, participei ativamente, inclusive aos sábados, porque acreditava que os professores poderiam trazer experiências novas e interessantes. Em diversas ocasiões, isso se confirmou com atividades dinâmicas e inovadoras em disciplinas como Língua Portuguesa e Matemática, o que contribuiu para expandir minha forma de aprendizado.

Atualmente, constato que meu vocabulário está consideravelmente ampliado; no entanto, grande parte desse enriquecimento não foi obtida unicamente por meio da instituição de ensino, uma vez que esta não nos fornece todas as informações que necessitamos. A escola nos instrui apenas nos conceitos básicos, de modo que frequentemente somos cobrados por conteúdos que não nos foram apresentados. Isso ocorreu diversas vezes porque esses temas foram incluídos nos planos de aula depois de termos saído ou até mesmo foram substituídos por outra temática.



SOBRE A AUTORA:

Delecy Costa Sardinha, de Itamarandiba/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.

A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.

A Presença da Educação em Minha Vida

A Presença da Educação em Minha Vida

Daniele Mendes Rodrigues Nobre, Montes Claros/MG

A educação na minha vida começou desde cedo. Entrei no jardim de infância (nome dado ao maternal nos dias de hoje) aos três anos de idade. Quando pequena, tive a presença dos meus pais na minha vida escolar, mas, apesar de ter esse incentivo para os estudos, eu não era uma criança que gostava de estudar.

Meu pai lia jornal todos os dias e sempre que passava alguém vendendo enciclopédias ele comprava. Naquela época, não tinha acesso à internet; as pesquisas eram feitas através dos livros. Frequentava a escola dominical, onde tive a oportunidade de ler sobre várias histórias da Bíblia. Minha mãe, talvez por ser professora, cobrava bastante e me fazia passar os cadernos a limpo, pois minha letra não era das melhores. Ela estava sempre presente na escola; mesmo tendo cinco filhos, cuidava de todos com o mesmo zelo.

Recordo de quando criança, minha mãe contava histórias; uma se chamava “Menina de trança”, que só fui descobrir mais tarde que a história era sobre mim. Ela fazia desenhos para que nós pudéssemos colorir; esses momentos eram sempre à noite, antes de dormir.

Meu pai trabalhava e, quando chegava em casa, revisava a tabuada todos os dias. Ele fazia de tudo para tornar nossas vidas escolares mais divertidas.  Lembro-me de que meu pai construiu um grande relógio de madeira para nos ensinar a ver as horas e, sempre que podia, comprava vários quebra-cabeças para nós.

Hoje sou graduada em administração de empresas e quero continuar aprendendo, pois o aprendizado deve ser contínuo. Sigo tentando conciliar as tarefas do dia a dia com o estudo.

Ao recordar meus momentos de infância percebo o quanto a presença dos pais na vida escolar dos filhos traz boas memórias e o quanto é importante este acompanhamento.



SOBRE A AUTORA:

Daniele Mendes Rodrigues Nobre, de Montes Claros/MG, é acadêmica da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM) e produziu este relato na disciplina Práticas de Leitura e Produção de Textos, ofertada de julho a novembro de 2024.

A orientação deste trabalho e a organização do e-book foram realizadas pelo Professor  Carlos Henrique Silva de Castro e pelos Tutores Daniela da Conceição Andrade e Silva, Luís Felipe Pacheco e Patrícia Monteiro Costa.